Carolina Bahia: "Acuado, Temer entra em semana decisiva" - Cidades - O Sol Diário
 
 

SC no Planalto22/05/2017 | 07h31

Carolina Bahia: "Acuado, Temer entra em semana decisiva"

Há uma crença entre os aliados do presidente Michel Temer que, se ele resistir a essa semana, conseguirá sobreviver pelo menos até o julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Depois de praticamente ter chegado ao fim da linha na sexta-feira, diante das escandalosas revelações da delação premiada da JBS, o peemedebista se agarra ao poder, fazendo o possível e o impossível para garantir o apoio do Congresso e para convencer o mercado de que ainda pode conduzir o país. Depois de um domingo de telefonemas, conversas e ameaças, o começo desta semana será decisivo para quem está na corda bamba. Dê só uma olhada na agenda:

1 — Segunda-feira: equipe econômica atenta aos movimentos do mercado. Como ele reagirá depois de um final de semana no qual o presidente precisou aparecer de novo para um pronunciamento?

2 — Terça-feira: retomada dos trabalhos no Congresso. Depois da paralisia geral na última quinta-feira, Câmara e Senado voltarão mesmo à normalidade, como defendem os ministros de Temer? Já são oito pedidos de impeachment à espera de uma decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

3 — Quarta-feira: julgamento no Supremo Tribunal Federal do pedido de suspensão do inquérito contra Temer.

4 — A qualquer momento: o resultado da perícia nas gravações entre Temer e Joesley Batista. O Planalto aposta todas as fichas na versão de que a conversa foi editada. E há ainda o temor de que algum fato novo venha à tona.

Por mais que Temer tenha mudado a estratégia, desqualificando o delator, fazendo terrorismo econômico e tentando suspender o inquérito, a situação é muito grave. A decisão da OAB de apresentar pedido de impeachment complicou ainda mais a vida de um presidente que, por duas vezes em menos de uma semana, já precisou ir a público para dizer que não renuncia.

Doria ligou

O prefeito e o governador de São Paulo, João Doria e Geraldo Alckmin, ligaram para o presidente Michel Temer, no final de semana, em uma demonstração de apoio. Para os articuladores políticos do governo, um alívio. O maior desejo do Planalto é assegurar a fidelidade do PSDB.

Já era

Interlocutores mais realistas de Temer reconhecem que a reforma da Previdência subiu no telhado e que o assunto só será retomado se o governo conseguir se reerguer. Já a trabalhista, há que defenda tentativa de votação nesta semana. O relator, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), estaria disposto a retomar os debates.

JORNAL DE SANTA CATARINA - Brasília

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