Déficit no armazenamento de grãos preocupa cooperativas em SC - Cidades - O Sol Diário

Agricultura03/05/2017 | 08h24Atualizada em 03/05/2017 | 08h40

Déficit no armazenamento de grãos preocupa cooperativas em SC

Com o aumento de 14% na safra das principais culturas, agricultores do Estado têm mais custos para guardar grãos neste ano

Déficit no armazenamento de grãos preocupa cooperativas em SC Alcindo Rosset/Cooperalfa
Foto: Alcindo Rosset / Cooperalfa

Por um lado, a notícia é boa: a safra de grãos deste ano em SC é 14% maior do que a do ano passado, levando-se em conta as principais culturas, milho, soja e arroz. Por outro, é ruim: com falta de espaço para armazenagem, até mesmo em colheitas menos volumosas, os produtores e cooperativas do Estado têm tido que gastar com alternativas para guardar os grãos.

Na Cooperalfa a situação vivida é considerada histórica. Como não pode se recusar a comprar a produção dos associados, a cooperativa do Oeste do Estado precisou investir neste ano R$ 1 milhão apenas em armazenagem extra, feita geralmente com silobags, um tubo de plástico flexível. Os 39 armazéns e silos próprios têm capacidade máxima para 13 milhões de sacas. Contudo, em 2017, a Alfa deve receber um total de 19 milhões.

A Coopercampos, no Oeste, também prevê enfrentar problemas de armazenamento. A  estimativa de colheita é de 591 mil toneladas de grãos, enquanto a cooperativa tem espaço para 590 mil. Para dar conta de guardar, será preciso recorrer a armazéns de terceiros, o que implica em aumento de custos.  

— Quando o preço estava mais alto, o produtor segurou o milho. Depois o valor baixou ainda mais e aí mesmo que não venderam e virou estoque — diz Nelson Cruz, gerente operacional da Coopercampos.

Problema antigo

A falta de espaço adequado para guardar a produção é um velho problema no país, e Santa Catarina não foge à regra. Hoje, a capacidade de armazenamento no Estado é de 4,7 milhões de toneladas, enquanto a necessidade é de 5,2 milhões de toneladas segundo cálculo da Secretaria da Agricultura.

Para estimular a construção de novos armazéns, o Estado criou em 2004 o Programa Armazenar, que subsidia até 1,75% dos juros em financiamentos. Desde então, foram apoiados cerca de 80 projetos, tanto de cooperativas quanto de produtores individuais. A estimativa da secretaria é de que a capacidade de armazenagem tenha aumentado em aproximadamente 500 mil toneladas nesse período. No entanto, a alta dos juros nos últimos dois anos tornou inócuo o programa. 

— Quando os juros eram 3% ou 3,5%, até 4%, era atraente para o produtor. Agora está em 8,5%, 9%, então não está valendo a pena. Por isso, estamos buscando readequar o programa para a realidade atual, só que ainda não há uma definição. Provavelmente vamos focar nos menores [produtores] — afirma o secretário de Estado da Agricultura, Moacir Sopelsa.

O secretário ressalta que o programa não foi suspenso e que quem faz pedido de subsídio segue sendo atendido. 

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