IBOPE teria recebido dinheiro da JBS, apontam delatores - Cidades - O Sol Diário

Propina20/05/2017 | 08h01Atualizada em 21/05/2017 | 17h09

IBOPE teria recebido dinheiro da JBS, apontam delatores

Segundo delatores, parte da propina era paga por meio da quitação de despesas eleitorais com notas avulsas

No acordo de colaboração premiada assinado pelos executivos da JBS com a Procuradoria-Geral da República (PGR), há a indicação de que o Ibope Inteligência, empresa que realiza pesquisas, como as eleitorais, teria recebido dinheiro da JBS. 

A distribuição de propinas, conforme delação do executivo Ricardo Saud, era em parte disfarçada em doações oficiais de campanha. Mas outras parcelas eram pagas de forma dissimulada por meio da quitação de despesas de campanha, como explica Saud no documento:

"A maior fatia desses pagamentos foi dirigida para campanhas eleitorais. Parte deles dissimulava sua origem em doações oficiais. Outra parte era feita de forma oculta, pelo pagamento, pelas empresas do grupo JF, de despesas de campanha com notas avulsas, o que permitia que as despesas não fossem declaradas. A terceira parte foi feita em espécie, em mãos do destinatário."

O Ibope é citado pelo menos duas vezes. No acordo assinado com Saud, consta que em uma ocasião, no dia 21/7/2014,  a empresa de pesquisas teria recebido R$ 300 mil como parte dos R$ 9,919 milhões de propina que caberiam ao senador Renan Calheiros (PMDB). No vídeo de delação de Wesley Batista, a empresa é citada como receptora de R$2,8 milhões como parte do dinheiro que caberia ao ex-governador do Mato Grosso do Sul André Puccineli (PMDB). 

Em nota enviada por e-mail neste fim de semana, o IBOPE esclarece que "nunca emitiu notas fiscais falsas, nem recebeu qualquer tipo de propina das empresas do grupo JBS ou de qualquer outra empresa". Ainda assim, na mesma nota, o IBOPE confirma que "todas as notas fiscais mencionadas no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada são verdadeiras". 

Leia o contraponto na íntegra:
É com indignação que o IBOPE Inteligência tomou conhecimento da acusação de que emitiu notas fiscais falsas para a JBS como parte de pagamento de propina sem contrapartida de bens ou serviços, conforme consta no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada assinado por Joesley Mendonça Batista, Wesley Mendonça Batista e Ricardo Saud com a Procuradoria-Geral da União.

Sobre esse fato, o IBOPE Inteligência esclarece que nunca emitiu notas fiscais falsas, nem recebeu qualquer tipo de propina das empresas do grupo JBS ou de qualquer outra empresa.

Entretanto, o IBOPE Inteligência confirma que todas as notas fiscais mencionadas no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada são verdadeiras, foram devidamente contabilizadas e estão registradas na Secretaria Municipal da Fazenda da Prefeitura de São Paulo.

Após o conhecimento da acusação, foram verificadas todas as notas fiscais de serviços constantes na delação envolvendo o IBOPE Inteligência e empresas do grupo JBS. Deste modo, após um minucioso levantamento, o IBOPE Inteligência confirma o recebimento de R$ 2.834.705,43 como pagamento de serviços de pesquisa prestados para empresas do grupo JBS.

No entanto, cabe esclarecer de forma muito transparente que do montante acima mencionado, R$ 1.440.597,49 foram pagos para a realização de pesquisas eleitorais em Campo Grande, em 2012, e também para os estados de Alagoas, Goiás e Rio Grande do Norte, em 2014. Todas essas pesquisas foram devidamente executadas, entregues e pagas pela JBS S/A e J&F Investimentos S/A.

Já os R$ 1.394.107,94 restantes referem-se a pesquisas de mercado, tais como recall de comunicação da Friboi; tracking de imagem da Friboi; e perfil e hábitos de consumidores nas lojas da Swift, entre outros, contratados pelos profissionais de pesquisa e de marketing da JBS S/A. Inclusive, uma das notas fiscais mencionada no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada foi emitida para a Flora Distribuidora de Produtos de Higiene e Limpeza, uma das empresas do grupo. Pesquisa essa sobre consumo de fixador para cabelos, também executada e entregue.

O IBOPE Inteligência repudia veementemente a negligência dos delatores que, além de faltarem com a verdade ao afirmarem que as notas fiscais são falsas, misturaram em seus depoimentos pesquisas eleitorais realizadas para políticos, com pesquisas sobre assuntos estratégicos das empresas do grupo, encomendadas por suas equipes de marketing e pesquisa.

Diante disso, para seguir com a transparência que faz parte de nosso trabalho nestes mais de 75 anos, disponibilizamos em nosso site, para a consulta de todos os brasileiros, o relatório com todas as notas fiscais mencionadas no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada, com a descrição dos serviços encomendados, realizados e entregues desde 2011 para a JBS S/A, J&F Investimentos S/A e Flora Distribuidora de Produtos de Higiene e Limpeza.

Por fim, o IBOPE Inteligência reitera que não é verdadeira a informação de que emitiu notas fiscais falsas e tampouco recebeu qualquer tipo de propina das empresas JBS S/A, J&F Investimentos S/A ou quaisquer outras empresas.

Estamos à inteira disposição para esclarecer dúvidas sobre esse lamentável ato de negligência e para colaborar com o Ministério Público com o fornecimento de documentos que comprovam a lisura de nossa atuação.

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