Pescadores do João Paulo, em Florianópolis, podem perder R$ 2,3 milhões destinados ao trapiche - Cidades - O Sol Diário

Pesca Artesanal17/05/2017 | 09h05Atualizada em 17/05/2017 | 09h05

Pescadores do João Paulo, em Florianópolis, podem perder R$ 2,3 milhões destinados ao trapiche

No dia 20 de junho termina o prazo para Prefeitura publicar licitação, caso contrário, verba voltará para o Governo Federal 

Pescadores do João Paulo, em Florianópolis, podem perder R$ 2,3 milhões destinados ao trapiche Marco Favero/Agencia RBS
Colônia de pescadores tem cerca de 80 famílias que dependem da atividade Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Os pescadores do bairro João Paulo, segunda maior colônia de Florianópolis, estão mobilizados para garantir a manutenção dos recursos para o tão sonhado trapiche, obra esperada há duas décadas pela comunidade. Dos R$ 3,8 milhões, R$ 2,3 milhões serão pagos pelo Governo Federal via Caixa Econômica e o restante pelo Município. No entanto, no dia 20 de junho termina o prazo para Prefeitura publicar a licitação para escolher a empresa que executará as obras. Caso contrário, o recurso voltará para Brasília.

A licença prévia pela Fatma foi entregue em abril de 2016. E em novembro, a cessão de uso pela Superintendência do Patrimônio da União. A Capitania de Portos já se manifestou dizendo que a obra não interfere na segurança do tráfego aquaviário.

O projeto prevê um porto pesqueiro artesanal de concreto com 250 metros de comprimento em forma de T, protegido de ressacas cíclicas, um sistema de cerca atenuando as ondas, pontões flutuantes para os barcos de pesca e lado direito para expansão de vagas e barcos de passagem.

Só que bem longe desta realidade vivem os pescadores do bairro. O esgoto que jorra no mar transformou a areia da praia em uma lama escura e poluída, e o mau cheiro é bem forte. Para piorar o cenário, dezenas de urubus enormes disputam com as gaivotas os restos de peixe. Imagem que destoa com uma das mais belas vistas da Baía Norte.

Urubus disputam espaço com gaivotas na lama da praia do João Paulo Foto: Marco Favero / Agencia RBS

— Quando a maré sobe, os barcos ficam atolados. E quando a gente volta de fora com os peixes, temos que passar com eles por essa lama — reclama o vice-presidente da colônia, Edson Osmar Pires.

— Antigamente, a areia da praia era lotada de casca de berbigão, chegava a massagear os pés da gente. Aí veio o esgoto e nos deixaram nessa lama. Agora para construir um trapiche, e tem o dinheiro pra isso, é essa novela! — lembra o presidente da entidade, Silvani Ferreira.

A colônia de pescadores do João Paulo reúne mais de 80 famílias que dependem da atividade. São profissionais do próprio bairro e também do Saco Grande e Itacorubi.

A Secretaria de Administração da Prefeitura de Florianópolis informou à reportagem que deve lançar nesta semana o edital para contratação de empresa que ficará responsável pela construção do trapiche.

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O esgoto que jorra no mar transformou a areia da praia em uma lama escura e poluída, e o mau cheiro é bem forte. Foto: Marco Favero / Agencia RBS
Quando a maré sobe, os barcos ficam atolados na lama Foto: Marco Favero / Agencia RBS
Foto: Marco Favero / Agencia RBS


 

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