Santa Catarina tem 37 mil novos filiados a partidos políticos  - Cidades - O Sol Diário

Números15/05/2017 | 08h52Atualizada em 15/05/2017 | 09h20

Santa Catarina tem 37 mil novos filiados a partidos políticos 

PSD foi o partido que mais cresceu e o PT o que teve maior encolhimento desde o ano passado, conforme dados do Tribunal Superior Eleitora

Em um período marcado por eleições municipais, impeachment e inesgotáveis desdobramentos da Operação Lava-Jato, os partidos políticos de Santa Catarina ganharam 37 mil filiados. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e contabilizados de janeiro de 2016 a abril deste ano. São em média 2,3 mil novas filiações por mês. 

Entre as 10 legendas mais robustas do Estado, o maior crescimento foi do PSD, que ganhou 7,8 mil filiados no período. O PR foi o segundo nas escolhas dos eleitores por um partido político, com a adesão de 4,3 mil eleitores. O PSDB aparece em seguida, com 3,6 mil filiações. No topo das legendas catarinenses que tiveram menos adesões está o PT. Com a perda de 248 filiados, o Partido dos Trabalhadores teve a maior baixa nos 16 meses analisados. 

Líder do PSD em Santa Catarina, o deputado estadual Gelson Merisio reconhece que o momento político do país é negativo para todos os partidos. No entendimento do parlamentar, os grupos partidários ficaram parecidos e quem vota, na opinião dele, já não tem parâmetro de diferenciação entre uma sigla e outra. 

Por outro lado, Merisio avalia que o PSD conseguiu maior projeção sobre o eleitorado catarinense por força da consolidação da legenda após a disputa de duas eleições municipais. Hoje, o partido do governador perde apenas para o PMDB na proporção de prefeituras controladas em Santa Catarina. 

—É um crescimento orgânico porque é um partido novo, que fez a primeira eleição municipal com 52 prefeituras e a segunda, com 62 prefeituras e mais de 500 vereadores. Isto gera uma capilaridade na base que, no segundo momento, faz fomentar as filiações. Quem motiva filiação é a liderança local, o vereador, o prefeito — destaca Merisio.

Ideologia em segundo plano

Há quem defenda, no entanto, que o volume de filiações não serve como termômetro do interesse da população em relação à política. Na avaliação do professor da Univali e mestre em sociologia política, Sergio Saturnino Januario, os números são reflexo de composições partidárias e ajustes por cargos, por exemplo.

— As pessoas não procuram um partido para se filiar sem que haja um gesto que possa lhe trazer algum benefício, é muito raro que isto aconteça. A adesão tem incentivos próprios, particulares, de grupos muito específicos, não é de campo ideológico. Isto o PT fez questão de decapitar. Era um partido que tinha certa independência de esquerda — analisa o especialista em comportamento eleitoral.

As mudanças nas regras eleitorais, que anteciparam a mobilização pré-eleitoral, também impulsionaram mais cedo as filiações na corrida por votos, destaca Januario. Segundo o especialista, partidos que não tinham muita expressão em determinadas cidades ainda arrebanharam novos filiados após a conquista de determinadas prefeituras, como ocorreu com o PSB em Balneário Camboriú. 

Mais de 2 mil eleitores esperam filiação, diz PT

Presidente do PT em SC até o começo do mês, Cláudio Vignatti cita números de bases diferentes para dimensionar as filiações do partido nos últimos meses. A proporção de novos filiados entre 1º de janeiro de 2016 a 17 de abril de 2017, segundo Vignatti, foi de 718 eleitores, citando como fonte o Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Vignatti contrapõe que o PT tem um processo de filiação política que antecede o processo de filiação partidária, com 2.206 pedidos de filiação pendentes até a metade de abril. As solicitações, segundo o ex-presidente do partido, tiveram de aguardar o processo de Plenária Formação, um encontro onde são apresentadas as origens e ideologias, deveres e direitos do militante, além da discussão da participação partidária.

—Nossas filiações são dirigidas e ideológicas, o PT não faz filiação em massa, além do processo de Plenária de Formação, cada pedido é analisado pela direção municipal do partido e precisa ser aprovado — destaca.
Ainda conforme o ex-presidente do partido, o PT determinou que os processos de formação ficassem em compasso de espera devido às eleições internas do partido, que teve a realização final do Congresso entre 6 e 7 de maio, quando foi eleita a nova direção estadual do PT de Santa Catarina — o deputado federal Décio Lima venceu o pleito. A decisão, diz Vignatti, foi tomada para fechar a ata de lista de filiados aptos a votar e participar dos processos eleitorais internos.

Baixas nas urnas refletem em filiações, diz especialista 

O especialista em comportamento eleitoral, Sergio Saturnino Januario, diz que a baixa nas urnas pode ter impactado negativamente na adesão de novos eleitores. Isto explicaria a situação do PT, que perdeu o controle de 25 prefeituras na eleição passada.

—É a decadência do partido em virtude do que está acontecendo. Os resultados eleitorais foram péssimos, isso desestimula as pessoas. Se o partido está em um governo, começa a crescer sua base. Por outro lado, se um partido começa a sair de governos, perde suas bases — conclui Januario. 

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