Escola de Itajaí pede que alunos participem de festa fantasiados de favelados  - Cidades - O Sol Diário

Estereótipo29/06/2017 | 11h06Atualizada em 29/06/2017 | 16h12

Escola de Itajaí pede que alunos participem de festa fantasiados de favelados 

Para colégio, houve equívoco injustificável

Escola de Itajaí pede que alunos participem de festa fantasiados de favelados  /

O colégio particular Fayal, de Itajaí, encaminhou para os pais de alunos do 4º ano um comunicado que pede que as crianças compareçam a uma festa com fantasia de "favelados do Rio de Janeiro". Nas redes sociais, o jornalista Willian Domingues, pai de um aluno, diz que a recomendação era para que as crianças se vestissem com bermuda, chinelo, óculos e boné. "Nasci em uma favela, cresci na periferia de São Paulo e ainda assim não sei que traje é esse de favelado. Sempre ensinamos os nossos filhos a não terem nenhum tipo de preconceito e não julgar as pessoas pelo que elas vestem ou têm, mas sim pelo caráter", escreveu.

A postagem, feita na quarta-feira à noite no Facebook e no Instagram, foi compartilhada por Celso Athayde, o fundador da Central Única das Favelas (CUFA) e comentada pelo rapper MV Bill: "Lamentável isso numa instituição de 'ensino'".

Desde quando FAVELADO é fantasia? Eu nasci em uma favela, cresci na periferia de São Paulo e ainda assim não sei que traje é esse de "favelado". Sempre ensinamos os nossos filhos a não terem nenhum tipo de preconceito e não julgar as pessoas pelo que elas vestem ou tem, mas sim pelo caráter. Fazemos o impossível, trabalhamos duro para colocá-los em uma escola particular, para que tenham um ensino melhor do que o que o governo oferece e aí chega um bilhete desse na agenda? Meu filho explicou que a turma do 4o ano foi dividida em duas classes sociais para a festa de integração da escola, de um lado os favelados do Rio de Janeiro, que é pra irem de bermuda, chinelo, óculos escuros e boné (*pasmem, eu me visto assim) e a outra metade vestida de médicos, advogado e empresários, para representar a outra parte da cidade. Conheço muitos moradores de favela, amigos meus, que são trabalhadores, empreendedores, professores, advogados, policiais, bombeiros e por aí vai! Lamentável e não podemos aceitar tamanha falta de respeito. Orgulho do meu filho, que optou por não participar da festinha! #vergonha

Uma publicação compartilhada por Mandrake (@mandrakeoficial) em

O colégio respondeu os comentários com um pedido de desculpas. Nesta quinta, a diretora do Fayal, Fabiana Almeida, disse que ocorreu um "equívoco", com "palavras mal colocadas", e que a escola está tomando providências administrativas.

— Não fomentamos preconceito. Foi uma infeliz ideia, injustificável, e assumimos o equívoco — afirma.

Segundo ela, a festa para a qual os alunos teriam que se fantasiar vai trabalhar a inclusão. Terá como tema a música Alagados, dos Paralamas do Sucesso. Em nota, a escola diz que não pretende criar muros, mas sim trabalhar e expor movimentos de cidadania e inclusão.

—  Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura — diz a nota.

A festa com fantasia de "favelados" do Fayal ocorre menos de um mês após ter vindo à tona a festa com o tema "se nada der certo",  promovida por uma escola particular no Rio Grande do Sul, em que os alunos se vestiram como trabalhadores, em um deboche de profissões como gari e faxineira. 

A jornalista Elaine Mafra, esposa de Willian, afirmou nas redes sociais que a atitude da escola de Itajaí reforça estereótipos e preconceitos: "Na minha opinião, fantasia de favelado do Rio de Janeiro é de professor, policial, jornalista, estudante, dona de casa.... Porque eu tenho certeza que essas classes não moram na Barra da Tijuca ou em Copacabana", postou.

Veja a íntegra da nota do Colégio Fayal:

Viemos através desta transcrever nossos mais sinceros pedidos de desculpas, pois ainda que possamos ter explicações, reconhecemos a inadequação de uma frase descontextualizada. Ouvimos cada um de vocês, e explicamos o contexto da ação . Jamais teríamos a intenção de criar estereótipos. Nosso espírito educacional é sempre na intenção de realizar ações que possam somar com a comunidade . É de prática cotidiana o acolhimento e humanização a nossos alunos , famílias e funcionários.  Houve um sério equívoco no bilhete enviado às famílias e que separado do contexto a que pertencia tornou-se inaceitável. Esclarecemos que a atividade proposta foi na verdade baseada na canção"Alagados" do conjunto Paralamas do Sucesso, onde é citado a Favela da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro, onde vivem hoje 130 mil pessoas ,em comunidades que se estendem entre a avenida Brasil e a Linha vermelha – duas das mais importantes vias de acesso à cidade. Não viemos criar muros e sim trabalhar e expor estes movimentos de cidadania e inclusão.Não aceitamos racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes. Nossos 55 anos de história atestam esta postura. Convidamos a todos para acompanharem o nosso trabalho que sempre privilegiou os valores e reafirmar que repudiamos toda e qualquer forma de exclusão. Contamos com a compreensão nesse momento e as providências internas já foram tomadas.Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos cada vez mais intolerantes e intransigentes nesse sentido. Enfrentaremos esse momento com humildade e o superaremos , fica o aprendizado.

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