MEC recolhe de escolas livro para crianças com história sobre incesto - Cidades - O Sol Diário

Considerado inadequado08/06/2017 | 15h44Atualizada em 08/06/2017 | 15h44

MEC recolhe de escolas livro para crianças com história sobre incesto

Ministério da Educação decidiu recolher os 93 mil exemplares do livro "Enquanto o Sono Não Vem" distribuídos por programa de alfabetização

MEC recolhe de escolas livro para crianças com história sobre incesto Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

O Ministério da Educação (MEC) decidiu recolher os 93 mil exemplares do livro Enquanto o Sono Não Vem distribuídos pelo Programa de Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) para alunos de 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental das escolas públicas. Com base em parecer técnico da Secretaria de Educação Básica (SEB), o ministro Mendonça Filho entendeu que a obra não é adequada para crianças de sete a oito anos porque aborda o tema incesto em uma de suas histórias.

O conto A Triste História de Eredegalda trata do desejo de um rei em casar com a mais bonita de suas três filhas. Ao recusar o convite do pai, a menina escolhida é presa em uma torre, onde passa sede. Ela pede à mãe e às duas irmãs para beber água, mas não recebe ajuda por contas das ameaças de morte feitas pelo pai. 

"Não lhe dou um pingo d'água / Pois seu pai vai me matar / Com a ponta da sua espada / Se eu te der um copo d'água", diz a mãe, em um dos trechos.

O conteúdo da obra rendeu questionamentos feitos por professores e pais de alunos em todo o país, apontando, por exemplo, que a criança, na história, tenta denunciar o problema, mas não é atendida. 

Na avaliação da SEB, "as crianças no ciclo de alfabetização, por serem leitores em formação e com vivências limitadas, ainda não adquiriram autonomia, maturidade e senso crítico para problematizar determinados temas com alta densidade, como é o caso da história em questão".

Trecho do livro Enquanto o Sono Não Vem Foto: Reprodução / Reprodução

Ao site G1, o escritor José Mario Brant se disse surpreendido com as reclamações e afirmou que o livro foi publicado há mais de 15 anos, e que conta essa história há 25 anos.

"Há uma desinformação do que é o conto folclórico e dos contos de fada, que são territórios que abordam assuntos delicados. A gente está falando de um universo simbólico. É uma história que dá voz a uma vítima", disse Brant ao site.

Na descrição da Editora Rocco, que publica o livro dentro da série E Quem Quiser que Conte Outra, a obra "reúne novas versões de oito contos populares, sempre intercalados por letras de canções de nosso povo, melodias tradicionais que povoam nossa história cultural", e "a imaginação dos leitores com certeza será aguçada pelos enredos dessas histórias milenares".

O livro compõe o programa do governo que seleciona obras literárias para contribuir com os processos de alfabetização e letramento de alunos na faixa etária entre seis e oito anos. Selecionado em 2014, durante o governo Dilma, o livro, segundo o MEC, foi avaliado e aprovado pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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