Oficina de Palhoça era usada na fabricação de submetralhadoras e prensas para preparar ecstasy - Cidades - O Sol Diário

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA06/06/2017 | 18h15Atualizada em 06/06/2017 | 18h15

Oficina de Palhoça era usada na fabricação de submetralhadoras e prensas para preparar ecstasy

Ação nesta segunda-feira deu sequência à operação que descobriu um laboratório de drogas sintéticas no último mês de maio, em Florianópolis

Oficina de Palhoça era usada na fabricação de submetralhadoras e prensas para preparar ecstasy Roelton Maciel/Agência RBS
Submetralhadoras artesanais eram semelhantes às submetralhadoras de uso exclusivo da polícia Foto: Roelton Maciel / Agência RBS

Investigações da Polícia Civil revelaram que uma oficina de usinagem de Palhoça, na Grande Florianópolis, também funcionava como fábrica clandestina na produção de submetralhadoras e de prensas metálicas para a preparação de comprimidos de ecstasy. Em buscas ao local nesta segunda-feira, no bairro Jardim Eldorado, agentes encontraram três submetralhadoras já prontas e outra em processo de montagem. 

Também foram localizadas peças que ainda seriam usadas em futuras fabricações, como gatilhos, carregadores, molas e uma mira a laser. Os armamentos eram produzidos para receber munições de calibre 9 milímetros, que têm uso restrito, e recebiam carregadores com o dobro da capacidade de uma submetralhadora original. O responsável pelo local foi preso e preferiu não falar à polícia. 

A investigação foi liderada pela Delegacia de Combate às Drogas (Decod) de Florianópolis, dando sequência à operação que descobriu um laboratório de fabricação de ecstasy, no último mês de maio, quando três pessoas foram presas, desta vez na Capital. Segundo o delegado titular da Decod, Attilio Guaspari Filho, o responsável pela fabricação das submetralhadoras pertencia à mesma organização desarticulada em maio, sendo encarregado de providenciar as armas e as prensas que dão formato ao comprimido de ecstasy.

—Ele era responsável pela fabricação das prensas de ecstasy na organização criminosa. Além de vender e fazer a manutenção das prensas para aquele grupo, ele vendia para diversos outros traficantes da Grande Florianópolis. Fabricava as prensas e também as submetralhadoras de calibre 9 milímetros. Temos informações de que mais de 20 delas já foram repassadas para algumas organizações criminosas — diz o delegado.

A apuração da polícia apontou que cada submetralhadora de fabricação caseira era negociada por cerca de R$ 12 a 13 mil, praticamente o dobro do preço de armas semelhantes no mercado formal. As armas clandestinas são mais caras, diz o delegado, devido à facilidade de acesso e por não haver restrições na venda clandestina. Ainda na oficina de usinagem, os agentes encontraram 33 comprimidos de ecstasy, quatro balanças de precisão, quatro quilos de insumo para a fabricação da droga e duas prensas. 

O responsável pelo local também teve uma pistola apreendida. Ele deverá responder pelos crimes de organização criminosa e por possuir equipamento destinado à produção de drogas. Como houve flagrante de armas e munições ilegais, o suspeito também será responsabilizado em inquérito separado por porte ilegal e comércio ilegal de arma de fogo. 

Delegado segura submetralhadora original da Polícia Civil, semelhante aos armamentos produzidos artesanalmente Foto: Roelton Maciel / Agência RBS

Nesta segunda-feira, desdobramentos da mesma operação levaram a polícia a cumprir duas prisões no Rio Grande do Sul e outra em Laguna. Os gaúchos, segundo a polícia, eram responsáveis por levar o ecstasy da Grande Florianópolis até o Estado vizinho. Já o integrante de Laguna seria o encarregado de fornecer a matéria-prima para a fabricaçaõ das drogas sintéticas. 

No decorrer das investigações, a Decod já conseguiu o sequestro de cerca de R$ 800 mil em bens atribuídos ao grupo, incluindo três carros de luxo e um apartamento em Canasvieiras.

Comprimidos inspirados em personagem de seriado

O detalhe de algumas das peças apreendidas com as prensas nesta segunda-feira chamou a atenção dos investigadores: tratavam-se de moldes e pinos no formato do rosto do personagem Walter White, do seriado americano "Breaking Bad". Na série, Walter White é um professor de química diagnosticado com câncer que passa a fabricar e negociar metanfetamina para ganhar dinheiro.

O chapéu e os óculos do personagem, que também aparecem nos moldes apreendidos, foram adotados no período em que o personagem já tem reputação no mundo do crime e adota o codinome Heisenberg. Segundo a polícia, os moldes e os pinos eram usados nas prensas para dar o mesmo formato aos comprimidos de ecstasy.

Moldes e pinos reproduziam imagem do personagem Walter White, de "Breaking Bad" Foto: Polícia Civil / Divulgação
 

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