Previsão de chuva intensa põe Defesa Civil e famílias das regiões mais atingidas em alerta - Cidades - O Sol Diário

Chuva em SC08/06/2017 | 08h57Atualizada em 08/06/2017 | 08h57

Previsão de chuva intensa põe Defesa Civil e famílias das regiões mais atingidas em alerta

Quinta-feira é de incerteza e precaução no Estado

Previsão de chuva intensa põe Defesa Civil e famílias das regiões mais atingidas em alerta Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS
Diário Catarinense
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A água invadiu a casa e o bar da família Pessoa, no Bairro Universitário, em Lages, na segunda-feira. Desde então Carlos Rodolfo não dormiu mais e virou uma espécie de guardião dos pertences da família. Ontem o morador que vive praticamente à margem do Rio Carahá tinha a esperança de descansar pelo menos por algumas horas. O problema é que a chuva voltou. Na frente da casa a água batia no joelho à tarde. 

— De dia a viatura passa por aqui, mas de noite não passou. Só a minha presença aqui já afasta eles (bandidos). Aqui perto, oito casas foram roubadas Agora vou ter que ficar porque não posso deixar a casa sozinha — lamentou Carlos enquanto limpava pela segunda vez a casa.

Assim como Carlos, muitos moradores das cidades afetadas pelo alto volume de chuva que atinge o Estado desde domingo vivem um cenário de incerteza. Nos dois últimos dias, Santa Catarina teve um respiro, com menos chuva e níveis de rios baixando aos poucos ontem, o que fez com que alguns moradores das cidades mais atingidas, como Lages e Rio do Sul, pudessem começar a limpar as casas. Mas a orientação da Defesa Civil é que os desabrigados e tentassem aos poucos retomar a rotina. Os alunos também começam a voltar às aulas da rede estadual. Antes eram 89 mil alunos de 186 escolas sem aulas no Estado. Boa parte volta às aulas hoje, mas pelo menos 17,3 mil alunos de 41 escolas seguem sem aula. 

Porém o cenário deve voltar a ficar crítico hoje. Em regiões como Meio-Oeste e Oeste pode chover até 80 milímetros em alguns pontos. Na Serra e Vale do Itajaí, o cenário também preocupa. Mesmo com previsão de volumes menores, podendo chegar a 40 mm, o nível ainda alto dos rios e o solo encharcado podem resultar em deslizamentos e inundações. Diante disso, a Defesa Civil recomenda que desabrigados e desalojados não voltem às casas por enquanto. 

— Mesmo que o morador veja sua casa sem água, aparentemente sem risco, não deve retornar definitivamente até sexta-feira. Com a tendência de mais chuva, os rios podem voltar a subir. A partir do momento que as cotas forem reduzidas, as pessoas podem retornar para suas casas - orienta o secretário da Defesa Civil em SC, Rodrigo Moratelli.

O  gerente de Monitoramento e Alerta do órgão estadual, Frederico Rudorff, reforça que o momento é de atenção:

— Os volumes registrados entre maio e junho são muito elevados e o solo está saturado e isso reflete no risco de deslizamento, além do risco de temporais. Também podem acontecer enxurradas e alagamentos.

Por isso, principalmente quem mora em encostas e áreas riberinhas deve ficar atentas aos avisos oficiais e a qualquer mudança, destaca Rudorff.

Ontem quatro municípios catarinenses encaminharam à Defesa Civil estadual documentação em que decretam estado de emergência devido às enchentes e prejuízos relacionados às chuvas da última semana. Na Serra catarinense, Abdon Batista, Lages e São José do Cerrito decretaram emergência. No Vale do Itajaí, por enquanto apenas Agronômica encaminhou documentação. A Defesa Civil também recebeu a notificação de 20 outras prefeituras e aguarda a entrega do Formulário de Identificação de Desastres (Fide). 

Ontem subiu para 29.350 o número de catarinenses afetados pela chuva. O Estado contabiliza 90 municípios atingidos, com 8,8 mil residências impactadas. No total, são 21.620 desalojados em casas de parentes e amigos e 2.667 em abrigos. 

Níveis de rio diminuem

Desde o meio da tarde de terça-feira, os principais rios de Santa Catarina registram redução dos níveis, segundo a Epagri/Ciram. Rios como Timbó, Chapadão do Lageado, Canoas e Foz do Rio Negrinho, que na terça-feira apareciam em situação de atenção para enchentes, agora estão com níveis dentro do considerado normal. Mas nas estações de Rio Bonito, em Bocaina do Sul, e Rio Carahá, em Lages, o nível de água continuava subindo no final da tarde de ontem. No Rio Bonito, a condição ainda é considerada situação de emergência para enchente.

Além disso, desde domingo, os maiores acumulados de chuva foram na Serra catarinense, em Campo Belo do Sul (236 mm), Bocaina do Sul (223 mm) e Lages (205 mm). Nas últimas 24 horas, assim como na terça-feira, choveu menos em SC, com os maiores volumes em Urupema (26 mm), Campo Belo do Sul (25 mm), Urubici (23 mm) e Rio Rufino (18 mm).

Depois da chuva, o frio

Para tornar o cenário ainda mais crítico, entre a noite de quinta-feira e manhã de sexta-feira há chance de neve na Serra devido ao avanço de uma massa de ar polar. No fim de semana, a previsão é de geada nas regiões Oeste, Meio Oeste, Planaltos, Alto Vale do Itajaí, região serrana de Florianópolis e áreas altas do Litoral Sul. As temperaturas podem cair para 0°C. A chuva deve dar um intervalo de até cinco dias no Estado. 

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