Santa Catarina tem quatro cidades entre as 50 mais inteligentes e conectadas do Brasil - Cidades - O Sol Diário
 
 

Urbanismo e tecnologia22/06/2017 | 05h28Atualizada em 22/06/2017 | 11h00

Santa Catarina tem quatro cidades entre as 50 mais inteligentes e conectadas do Brasil

Levantamento Connected Smart Cities, realizado em mais de 700 municípios, analisou 70 indicadores dentro de 11 setores

Santa Catarina tem quatro cidades entre as 50 mais inteligentes e conectadas do Brasil Cristiano Estrela, Patrick Rodrigues, Alfabile Santana e Maykon Lammerhirt/
Foto: Cristiano Estrela, Patrick Rodrigues, Alfabile Santana e Maykon Lammerhirt

Florianópolis, Blumenau, Itajaí e Joinville estão entre as 50 cidades consideradas mais inteligentes e conectadas do Brasil. A informação é do levantamento Connected Smart Cities, realizado em mais de 700 municípios do país. A pesquisa, feita pelo terceiro ano consecutivo, analisa 70 indicadores dentro de 11 setores.

Para considerar uma cidade inteligente, o estudo leva em consideração o conceito de conectividade, ou seja, a relação entre os setores que são analisados. O indicador saneamento, por exemplo, não está apenas atrelado aos ganhos ambientais, mas também aos ganhos em saúde – já que a longo prazo deve reduzir os investimentos na área – e consequentemente impacta em questões de governança e até mesmo economia.

Thomaz Assumpção, CEO da Urban Systems, consultora que realiza o estudo, explica que o levantamento é importante para dar às cidades brasileiras uma dimensão da sua posição em relação às cidades-irmãs ou cidades-
polo, com as quais se espelham.

– O objetivo deste trabalho é dar às cidades a real dimensão de pontos fortes e pontos fracos. Os municípios brasileiros estão em uma curva de aprendizado quando o assunto é cidades inteligentes. São Paulo, que foi a mais bem-avaliada, atingiu apenas 50% da pontuação que poderia – diz.

Em Santa Catarina, a cidade com melhor colocação no ranking geral é Florianópolis, em 6º lugar. Além disso, a capital catarinense ficou entre as 10 primeiras cidades em cinco dos fatores analisados, sendo líder entre as cidades entre 100 mil e 500 mil habitantes nos eixos empreendedorismo e tecnologia e informação. 

O diretor da Vertical Conectividade da Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), Diego Brites Ramos, defende que uma série de fatores levam a esse ecossistema de inovação e tecnologia na Capital. Ele cita programas de incentivo, fundos de investimento, atuação do Sebrae no Estado, profissionais capacitados e um centro de inovação, inaugurado há dois anos, como alguns elementos que contribuem para esse cenário. 

Joinville perde oito posições no ranking

Por outro lado, a cidade apresentou queda de duas posições em saúde, cinco em educação e manteve a posição em economia.

Entre as quatro cidades catarinenses com melhor colocação, Florianópolis e Itajaí tiveram performance melhor do que no ano passado, já Blumenau caiu quatro posições e Joinville, oito. O motivo para essa queda de desempenho só poderá ser analisado pelas prefeituras das respectivas cidades, que podem solicitar as informações detalhadas de todos os indicadores aos pesquisadores.

Outro destaque para o Estado é o desempenho no setor segurança, com oito municípios entre os 50 primeiros do país: Balneário Camboriú, Braço do Norte, Florianópolis, Blumenau, Mafra, Itajaí, Tubarão e Timbó.

Os piores quesitos das cidades catarinenses foram meio ambiente e urbanismo. Nenhum município do Estado apareceu entre os 50 primeiros colocados nesses segmentos. A arquiteta e urbanista da Associação dos Municípios da Grande Florianópolis, Valesca Menezes Marques, defende que os municípios ainda estão distantes do ideal nessas áreas. 

– A ineficácia do poder executivo municipal em aplicar as leis urbanísticas, como por exemplo o plano diretor, está relacionada a isso. Nos menores municípios, principalmente, o plano diretor fica guardado porque em muitos casos é o secretário de administração que responde pelas licenças para construir, para parcelamento do solo. Mas a lei determina que isso tem que ser feito por profissionais habilitados, como arquitetos. 

Além disso, Valesca afirma que SC ainda precisa avançar muito no tratamento de esgoto e coleta de resíduos. Para mudar esse cenário, diz, além de profissionais, é essencial reforçar a fiscalização no Estado.

Tubarão é destaque em energia

Apesar de não ter destaque no ranking geral, a cidade de Tubarão, no Sul do Estado, lidera no setor energia por conta do destaque na geração renovável – tanto solar como eólica. 
O setor tem como indicadores a tarifa média de energia da cidade, a presença de usinas, iluminação pública e a quantidade de lares com energia elétrica. A cidade conta com a maior usina de energia solar em operação no país, com mais de 
19 mil painéis em uma área de 10 hectares às margens da BR-101. 

A usina gera cerca de 3 MWp, o suficiente para abastecer 2,5 mil residências por ano. O projeto faz parte do Cidade Azul, inaugurado em 2014, um investimento de pesquisa e desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em 2017, o projeto passou a desenvolver o conceito de conexão entre os setores de uma cidade inteligente, com a oferta de pós-graduação em energias renováveis e sustentabilidade na região, pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). 

O estudo também destaca dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando que 99,9% dos domicílios de Tubarão contam com energia elétrica, enquanto 98,6% deles contam com iluminação pública no entorno.

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