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Turismo embarcado27/06/2017 | 16h16

Udesc e Projeto Baleia Franca iniciam estudos para avaliar impacto de observação de baleias em SC

Estudo é um dos dois passos necessários para regulamentar o turismo embarcado e atender às determinações da Justiça Federal

Udesc e Projeto Baleia Franca iniciam estudos para avaliar impacto de observação de baleias em SC Enrique Litman/Divulgação
Duas baleias-francas foram vistas na Praia do Rosa, em Imbituba, nesta segunda-feira Foto: Enrique Litman / Divulgação
Diário Catarinense
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Equipes do Centro de Educação Superior da Região Sul, da Udesc, e do Projeto Baleia Franca iniciaram estudos para avaliar os possíveis impactos ambientais às baleias na região de Imbituba e Garopaba com o turismo de observação das espécies com embarcações.

O estudo é um dos dois passos necessários para regulamentar o turismo embarcado e atender às determinações da Justiça Federal. O outro passo é a publicação de uma portaria estabelecendo as regras para o transporte de turistas próximo aos animais, que deve ser feito pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 

É após a publicação da portaria no Diário Oficial da União que empresas interessadas poderão se inscrever para oferecer o serviço. Após o cadastramento das empresas, elas passarão por capacitação e treinamento e verificação das embarcações pela Marinha para operar o serviço.

O turismo embarcado para observação de baleias está suspenso desde maio de 2013 no Estado por determinação judicial, mas há possibilidade de voltar a funcionar nesta temporada, se a portaria for publicada em tempo hábil, até o fim de julho, segundo o chefe da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, Cecil Barros.

Nesta segunda-feira, duas baleias-francas foram avistadas no litoral sul de Santa Catarina. Elas estavam a cerca de 200 metros da Praia do Rosa, em Imbituba. É no período de inverno, principalmente entre julho e novembro, que os animais costumam migrar para o litoral catarinense em busca de águas mais quentes para se reproduzir ou amamentar filhotes. 

Pesquisa testa se ruídos comprometem saúde do animal

Foto: Karina Groch / Udesc / Divulgação

Há duas semanas, pesquisadores da Udesc, acompanhados de integrantes do Projeto Baleia Franca e do ICMBio, testaram equipamentos que serão usados na pesquisa. A intenção é identificar o nível de ruídos subaquáticos produzidos por embarcações e se eles são um dos parâmetros mais nocivos às baleias. A proposta é mostrar quais embarcações estão aptas para o desenvolvimento das atividades de turismo em baleias e quais devem ser vetadas.

A pesquisa levará três anos e consiste em três etapas. Na primeira, os pesquisadores farão manobras para simular situações reais, como acelerar a embarcação para medir o nível de ruído. 

Depois de confirmar quais embarcações não causam reações negativas às baleias, os pesquisadores avaliarão se os animais alteram o comportamento, mudam o intervalo respiratório e se aproximam ou se afastam quando entram em contato com os barcos. 

A partir disso, determinarão qual seria a distância ideal das embarcações em relação às baleias. Na última etapa, serão discutidas questões relacionadas à gestão, por exemplo, da existência de hidrovias para as embarcações se deslocarem.

As atividades serão realizadas nas praias da Ribanceira, em Imbituba, e da Gamboa, em Garopaba, regiões com presença de baleias-francas. Segundo o professor Pedro Volkmer de Castilho, do Departamento de Engenharia de Pesca e Ciências Biológicas da Udesc Laguna, o estudo levará em conta se os ruídos da embarcação interfere na audição e na comunicação das baleias.

A atividade ainda aguarda regulamentação e, para ser praticada corretamente, exige plano e monitoramento de ações, além de respeitar requisitos como ter observadores a bordo e em terra, para evitar impacto nos animais.

Segundo Castilho, a universidade auxiliará no treinamento de condutores de embarcações, ensinando-os, por exemplo, a se aproximar das baleias do modo mais adequado.

Ação judicial exigiu plano de fiscalização do ICMBio

Entre idas e vindas, o turismo de observação de baleias estava suspenso há quatro anos no Estado, devido à ação civil pública movida pelo Instituto Sea Shepherd, contrário à atividade e que questiona a falta de fiscalização adequada do serviço e o molestamento das baleias por barcos que se aproximavam dos animais com os motores ligados na APA Baleia Franca.

A Justiça Federal em Laguna determinou ao ICMBio a apresentação de um plano de fiscalização da atividade na área da APA, para que o serviço voltasse a ser liberado. O documento foi apresentado no final do ano passado e aprovado pela Justiça. As discussões prosseguem na Justiça.

Segundo Barros, seguindo o plano de fiscalização, inicialmente o turismo embarcado ficará restrito às baías de Garopaba e Imbituba. Uma mesma embarcação poderá fazer no máximo duas saídas diárias, uma em cada turno do dia, desde que para baías distintas. 

No total, devem ser liberadas para todas as empresas no máximo quatro saídas diárias, desde que não haja duas embarcações simultaneamente na mesma baía. Mais detalhes sobre as regras do serviço estarão especificadas na portaria.

No ano passado, três operadoras de turismo chegaram a se cadastrar para operar o serviço, mas recursos na Justiça Federal movidos pela Sea Shepherd interromperam o processo. Segundo Barros, as empresas terão de se inscrever novamente e passar pela avaliação do ICMBio e da Marinha para serem aprovadas.

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