Com efetivo reduzido, Corpo de Bombeiros de SC diminui número de socorristas em ambulâncias - Cidades - O Sol Diário
 
 

Polêmica01/08/2017 | 16h11Atualizada em 02/08/2017 | 09h42

Com efetivo reduzido, Corpo de Bombeiros de SC diminui número de socorristas em ambulâncias

Procedimento regulamento é aplicado em veículos que atendem casos pré-hospitalares, como acidentes de trânsito e maus súbitos

Com efetivo reduzido, Corpo de Bombeiros de SC diminui número de socorristas em ambulâncias Felipe Carneiro/Agencia RBS
Antes da regulamentação, três profissionais atendiam as ocorrências pré-hospitalares Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

O quadro reduzido dos bombeiros militares de Santa Catarina levou o comando-geral da corporação a diminuir o número de socorristas dentro das ambulâncias que prestam atendimentos pré-hospitalares no Estado. Na última sexta-feira, a Justiça concedeu ao Estado o direito de manter apenas dois profissionais dentro dos veículos no socorro a ocorrências. A Associação de Praças de SC (Aprasc) havia conseguido uma liminar que obrigava o comando a colocar três socorristas, o que vai contra uma alteração na diretriz interna assinada pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Onir Mocelin, em 20 de junho deste ano.

Pelo novo texto, fica aberto o uso de dois servidores, que deve ocorrer em casos excepcionais. As ambulâncias regidas pela nova regra atendem ocorrências como acidentes de trânsito sem vítimas presas nas ferragens, maus súbitos, entre outros casos. O novo procedimento vinha sendo aplicado antes mesmo da regulamentação, mas Mocelin teve de oficializar a mudança diante da resistência interna de alguns servidores.

— Essa manobra (alteração na diretriz) veio porque os bombeiros estavam se recusando a atender as ocorrências por temerem problemas e serem responsabilizados por isso. Essa mudança está desdizendo tudo o que foi dito nos 90 anos dos bombeiros militares no que se trata de atendimentos pré-hospitalares_ condena o presidente da Aprasc, Edson Fortuna, que cita ainda uma portaria do Ministério da Saúde como reguladora do número de profissionais necessários dentro de um veículo de socorro.

O texto diz, porém, que são necessários três socorristas em ambulâncias de resgate, diferente das utilizadas nos atendimentos pré-hospitalares. Para este caso, afirma portaria do Ministério da Saúde, bastam dois bombeiros. Outra reclamação da Associação é que a nova medida não obriga mais que todos os componentes da ambulância seja bombeiros militares. Dos dois socorristas, um deles pode ser bombeiro comunitário, pessoa que se oferece para ajudar a corporação sem ter ligação profissional.

— Essa pessoa não tem condição e formação para trabalho no atendimento pré-hospitalar. Se fossem mantidos os três profissionais, a gente até entenderia que fosse um comunitário e dois militares — analisa Fortuna.

Com três bombeiros na viatura, um é o motorista e os outros dois socorristas, já com dois, um dirige e depois se junta ao outro no atendimento.

Comando admite falta de efetivo

SC tem hoje 2.890 bombeiros militares em atividade, segundo o comandante da 1ª Região do Corpo de Bombeiros, responsável pela região Litorânea, coronel César Assumpção Nunes. O número ideal é em torno de 4 mil. A Aprasc contesta esse número e afirma que são 2.458, segundo dados do Portal da Transparência do governo do Estado.

Mesmo com o concurso público lançado nesta terça-feira, o reforço de 300 novos soldados a partir de fevereiro do ano que vem será insuficiente para acabar com a defasagem. Diante desse cenário preocupante, Nunes admite o problema:

— Com carência de efetivo, temos feitos ajustes operacionais, mas sempre mantendo o padrão para atendimento à população. Especialmente porque essas viaturas não fazer resgate, que necessita mais socorristas, ela faz atendimento pré-hospitalar.

As ambulância de resgate, explica, servem para casos como acidentes com pessoas presas a ferragens. Aqui em SC, no entanto, não existem veículo deste tipo. Em situações mais graves, o caminhão é enviado para a ocorrência, onde vão de quatro a cinco profissionais dentro.

O coronel diz que respeita a afirmação da Aprasc, mas que as ações são necessárias para manter o serviço em andamento. Ele afiram que a maioria dos bombeiros comunitários em atuação no Estado tem formação na área, como enfermeiros e até mesmo médicos.

— Se não fizermos dessa forma, vamos fechar quase 60% das viaturas do Estado e causar um prejuízo de quase 160 mil atendimentos — justifica o coronel.

A Associação de Praças criticou as afirmações de Nunes. Disse que as ambulâncias existentes no Estado possuem equipamentos para resgate, o que exigiria a presença de três socorristas e não dois.

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