Escolas de Armazém, no Sul de SC, inserem tilápia na merenda escolar  - Cidades - O Sol Diário

Educação28/08/2017 | 09h33Atualizada em 28/08/2017 | 09h33

Escolas de Armazém, no Sul de SC, inserem tilápia na merenda escolar 

Além de nutritiva, medida contribuiu para a agricultura familiar

Escolas de Armazém, no Sul de SC, inserem tilápia na merenda escolar  CAIO MARCELO/Especial
Foto: CAIO MARCELO / Especial

Em forma de bolinho, empanado, como recheio de suflê ou assado sobre rodelas de batata. O menu variado tem como ingrediente principal o filé de tilápia, peixe de água doce bastante cultivado no Sul de Santa Catarina. Em Armazém, no Sul do Estado, o alimento faz parte do cardápio da merende escolar da rede municipal, a proposta é oferecer uma opção saudável para os alunos e ajudar a fomentar o trabalho dos produtores locais.

A tilápia é o peixe mais cultivado no Brasil. No Estado, Joinville e Massaranduba são os maiores produtores, e Armazém vem em terceiro lugar, segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Conforme o coordenador de Aquicultura e Pesca Artesanal da Epagri Tubarão, Luiz Rodrigo Mota Vicente, um dos desafios é sensibilizar os gestores municipais para inserir essa opção na merenda.

– Se for comparar com o filé de frango, por exemplo, o filé de tilápia custa o dobro pelo menos. Porém, dentro do programa que fomenta a compra da merenda escolar da agricultura familiar, é importante ampliar o consumo – explica.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por meio dos recursos repassados aos municípios para a compra de merenda, exige que pelo menos 30% do recurso seja investido na compra de produtos da agricultura familiar. Este ano, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) repassou R$ 4,5 bilhões aos municípios, e pelo menos R$ 1,2 bilhão será comprado do produtor local, segundo o Ministério da Educação.

Nas escolas estaduais de Santa Catarina, a tilápia já foi introduzida no cardápio de 158 unidades. O projeto da Secretaria de Educação envolve instituições com método de autogestão e neste ano foram incluídas algumas escolas com alimentação terceirizada nas regionais de Concórdia, Braço do Norte e Xanxerê.

Foto: CAIO MARCELO / Especial

Cardápio aprovado pelos alunos

A nutricionista Maria Joaquina Fernandes Corrêa, que atua na rede municipal de Armazém há 12 anos, acompanhou todo o processo de inserção do peixe no cardápio. Na mudança de gestão da prefeitura, no início do ano, a compra da tilápia foi mantida devido aos benefícios tanto para os alunos quanto para a economia local. São 900 alunos que recebem, a cada 15 dias, o filé do peixe na refeição.

– No começo houve resistência de todos os lados, mas a tilápia tem valores nutricionais importantes para os estudantes, que estão em fase de crescimento, além de estimular novos hábitos alimentares, pois o consumo de peixe é pouco comum no Brasil – defende a nutricionista.

Para os 118 produtores da cidade, a inclusão na merenda faz com que o retorno seja melhor. Isso porque a maior parte da 1,2 mil tonelada de peixe costuma ser vendida inteira, e sem passar pelo benefício, o valor pago por quilo é menor. Com o processo de limpeza, filetamento e embalagem, eles conseguem vender o filé a R$ 25 o quilo. A família de Juliete Michels, que trabalha com tilápia há 20 anos, vai começar a fornecer o alimento também para o governo do Estado a partir do ano que vem.

Com garfadas lentas, um olho no prato e outro na conversa das colegas, Letícia Galdino de Oliveira, 10 anos, é uma das últimas a terminar a refeição. Ela é aluna do 4º ano da Escola Municipal Arnoldo Michels, em Armazém. No turno da manhã, os estudantes de 9 a 11 anos já estão acostumados com o filé na merenda.

– Eu gosto e quando começou a ser oferecido na escola eu não virei o nariz. Na aula a gente estudou a importância dos alimentos, então também é bom comer frutas e legumes – diz.

Foto: CAIO MARCELO / Especial

Entre os alunos da educação infantil, o peixe não é unanimidade, mas entre os maiores é um sucesso, garante a merendeira Antônia Maria Anselmo. Há sete anos trabalhando com alimentação escolar, ela diz que a adesão é 100%.

— Eles aceitaram desde o começo. O filé assado não vai nada de gordura e tem batata junto, só um salzinho. Para os 30 alunos eu fiz quatro quilos, foi pouco, se tivesse mais eles comiam — conta, orgulhosa.

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