"Inteligência do governo federal no combate às facções é fundamental", diz João Paulo Kleinübing - Cidades - O Sol Diário

Dia S22/08/2017 | 21h47Atualizada em 22/08/2017 | 23h10

"Inteligência do governo federal no combate às facções é fundamental", diz João Paulo Kleinübing

Deputado que coordena o Fórum Parlamentar Catarinense apontou as ações do Plano Nacional de Segurança como prioridade para SC

"Inteligência do governo federal no combate às facções é fundamental", diz João Paulo Kleinübing Marco Favero/Diário Catarinense
Kleinübing falou em nome do Fórum Parlamentar Catarinense para o Dia S  Foto: Marco Favero / Diário Catarinense
Anderson Silva, Roelton Maciel, Diogo Vargas, Talita Rosa e Mariana de Ávila Faria

anderson.silva@diario.com.br;roelton.maciel@diariocatarinense.com.br;diogo.vargas@somosnsc.com.br;talita.rosa@rbstv.com.br

Representante do Fórum Parlamentar Catarinense convidado para falar em nome da bancada para o Dia S, o deputado federal João Paulo Kleinübing pontuou que não poderia se manifestar coletivamente sobre questões como desarmamento ou unificação das polícias. O deputado, no entanto, defendeu que seja permitido ao cidadão o direito de ter uma arma e que seria mais eficiente reunir esforços para que a Polícia Civil e a Militar trabalhem juntas. 

Kleinübing destacou as ações previstas para Santa Catarina no Plano Nacional de Segurança como uma prioridade a ser cobrada pelos parlamentares catarinenses em Brasília. O deputado ainda reforçou que o enfrentamento às facções criminosas não deve ser uma missão exclusiva do Estado.

Qual é o nível de prioridade que os parlamentares de SC dão à segurança pública?

O Fórum tem acompanhado junto ao Ministério da Justiça as ações e a viabilização de recursos do Estado nesta questão. Apesar do lançamento no ano passado do Plano Nacional de Segurança Pública, praticamente nada dele foi implementado. Basicamente por falta de orçamento. Isto nos preocupa. Temos a compreensão de que é só através da organização, da inteligência, da ação em conjunto que vamos conseguir avançar no combate ao crime organizado. Outra preocupação é com a legislação. O desafio de ter uma legislação que consiga punir, consiga também não superlotar os presídios. 

Como a bancada catarinense se posiciona em relação ao desarmamento? O senhor tem uma posição? 

Não há posicionamento de bancada, não posso falar por todos. Eu, particularmente, não sou contra que você possa dar ao cidadão o direito de ter sua arma em casa. Acho que é um problema você conseguir desarmar apenas um lado da sociedade. Mas é uma questão mais pessoal do que um posicionamento de bancada.

SC viveu episódios de conflito entre as polícias Civil e Militar no que diz respeito às atribuições. A Câmara discute a unificação das polícias. A bancada tem um consenso?

Também é uma questão mais pessoal do que de bancada. Fala-se na unificação das polícias há quase 20 anos. Não sei se é possível tratarmos de mudar completamente o sistema de segurança no Brasil, não acho que seja possível. E talvez a gente deveria encontrar de que forma minimizar os conflitos e colocar as duas forças trabalhando em conjunto, dentro de suas atribuições, do que talvez numa discussão de unificação. Estamos há 20 anos tentando fazer essa discussão e quase nada avançou. Acho que o foco está equivocado. Precisamos tratar de que forma as duas corporações podem trabalhar em conjunto.

Os deputados catarinenses não deveriam ter mais força para buscar ajuda em Brasília na área de segurança pública?

O aumento dos homicídios em Santa Catarina está muito vinculado às facções criminosas, que não é um problema do Estado. É um problema nacional. A inteligência do governo federal no combate a essas facções é absolutamente fundamental. O Estado não vai conseguir trabalhar essa questão sozinho. Esta tem sido a cobrança constante e permanente da nossa parte. O fundamental, e isto depende de uma grande unidade da sociedade, são as políticas sociais. Sem olhar para essas comunidades com a presença do Estado, com serviços, vamos continuar vendo as facções avançando. Teremos, a partir de setembro, a discussão da Lei Orçamentária do ano que vem. Vamos, em cima do Plano Nacional de Segurança e em conjunto do governo do Estado, procurar priorizar essa questão e buscar no orçamento a viabilização de recursos para algumas dessas ações.

Projeto no Congresso prevê que as prefeituras não tenham autonomia para decidir se o Estado pode ou não construir unidade prisional em suas áreas. Como o senhor se posiciona?

Como ex-prefeito, tenho dificuldade de aceitar que o prefeito não vá gerir uma parte do seu território. Por que os prefeitos não querem aceitar? Porque, de fato, junto do presídio vem a facção e todos os problemas do seu entorno. Seria muito melhor discutir quais contrapartidas os municípios terão do que simplesmente, num ato de força, obrigar a instalação. A discussão é maior do que é isso. 

O Ministério da Justiça quer construir uma unidade de segurança máxima em Itajaí. A cidade deve receber essa unidade?

Não posso falar pela cidade de Itajaí. Mas a discussão que deveria acontecer é: o que vem junto do presídio? Vem junto um compromisso do governo federal de combater os efeitos nocivos que a unidade vai trazer? Vem junto um compromisso de atuar na segurança da região, trazendo inteligência? Dizer "não quero" simplesmente também não é correto, mas impor à cidade sem a discussão também não vai funcionar. 

Que compromisso o senhor poderia assumir em nome do Fórum Parlamentar Catarinense?

O grande compromisso que a bancada pode assumir é com relação ao Plano Nacional de Segurança e suas ações para que aquilo que está previsto para o Estado, de fato, aconteça. 

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