Itajaí entra na mira do plano de cortes da Petrobras - Cidades - O Sol Diário

Economia24/08/2017 | 03h54Atualizada em 24/08/2017 | 07h54

Itajaí entra na mira do plano de cortes da Petrobras

Terminal portuário usado pelas embarcações de apoio às plataformas de petróleo da estatal reduziu movimento 

Itajaí entra na mira do plano de cortes da Petrobras Luiz Carlos Souza/Especial
Escritório administrativo na cidade, inaugurado em 2013, tem andares vazios Foto: Luiz Carlos Souza / Especial

O pacote de desinvestimentos da Petrobras, que tem resultado na concentração de servidores e escritórios, com fechamento de unidades, vai atingir Itajaí até o fim do ano. No terminal portuário usado pela empresa, de onde saíam embarcações de apoio para as plataformas de petróleo, o movimento vem diminuindo há meses e os funcionários terceirizados já teriam sido avisados sobre a desmobilização. De acordo com o Sindipetro PR/SC, que representa os petroleiros no Paraná e em Santa Catarina, as operações da holding na cidade estão com os dias contados.

O DC aguardou durante duas semanas uma resposta da Petrobras sobre as afirmações do sindicato. A assessoria de imprensa da estatal informou que estava em busca dos dados com os setores específicos, mas não teve retorno.

Não é a primeira vez que a empresa silencia sobre o desmanche. Em 2015, quando vazou a informação de que a Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul), responsável pela prospecção de frentes de trabalho, seria fechada e os funcionários transferidos para Santos, a Petrobras só confirmou oficialmente a transferência de operações 15 dias antes da mudança.

O escritório administrativo, inaugurado em Itajaí em 2013, tem andares vazios há mais de dois anos. O contrato de locação dos escritórios termina em janeiro, e segundo André Luís dos Santos, secretário e representante do Sindipetro em Santa Catarina, não há previsão de renovação. Os cerca de 70 servidores que continuam no prédio têm sido direcionados para outras gerências e se preparam para deixar a unidade.

Retração das atividadesde navio-plataforma

No cerne da desmobilização está a retração das atividades do navio-plataforma FPSO Cidade de Itajaí, que coincide com a decisão da holding de priorizar a exploração do pré-sal, em detrimento de outras operações. O nome fazia referência à importância estratégica que a cidade representava para a estatal e era um símbolo de uma parceria que parecia ser duradoura. Inaugurado em 2012, o navio atua no Campo de Baúna, na captação de óleo a 240 metros de profundidade.

Esperava-se que o pico de produção ocorresse em 2015, e depois o campo começasse a ter declínio, o que é natural nesse tipo de exploração. Mas a redução coincidiu com a crise financeira e moral da empresa, e manter no mesmo ritmo de operação o FPSO Cidade de Itajaí – que é fretado pela Petrobras e não faz parte dos ativos da companhia – deixou de ser um bom negócio.

O termômetro da baixa são as operações de helicóptero que partem do Aeroporto de Navegantes. Há três anos, eram em média 500 decolagens por mês, levando e trazendo funcionários do navio-plataforma. Hoje não chegam a 100.

A Petrobras renovou recentemente o contrato com a Infraero para operar por Navegantes, mas não há previsão de retomada do ritmo de operações. A base teria sido mantida em Santa Catarina por questão de segurança, já que o trajeto até a plataforma de petróleo é mais curto a partir do Aeroporto Ministro Victor Konder.

As unidades de Itajaí são as únicas ligadas diretamente à holding Petrobras no Estado. As demais unidades em Santa Catarina são empresas subsidiárias, em especial a Transpetro, que manterá as atividades que possui na cidade.

Encerramento das atividades afetará economia de Itajaí

A atual situação já havia sido prevista e alertada pelo sindicato dos trabalhadores em 2015. Na época, a empresa minimizou a movimentação e o caso não foi levado adiante pela base política catarinense em Brasília.

– Os parlamentares com quem a gente vislumbrava um apoio, acabaram se convencendo de que o que ocorria era somente um remanejamento de funcionários do quadro administrativo, e as produções não seriam impactadas. Já alertávamos que era engodo, e que isso significaria a retirada da holding de Itajaí – diz Santos.

O impacto econômico da provável perda de atividades da Petrobras refletirá tanto na economia do Estado, quanto na de Itajaí. A movimentação da estatal corresponde hoje a 16% do ICMS do município, que é de R$ 28 milhões brutos mensais, e a 7% do orçamento global.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Giovani Testoni, disse que ainda não foi comunicado sobre a desmobilização. Mas acredita que haverá uma movimentação pela permanência.

– Independentemente do grau de retorno para o município, a saída da Petrobrás não é boa para Itajaí – afirma.

O presidente da Associação Empresarial de Itajaí, Eclesio da Silva, disse que diante da situação econômica da empresa e da queda do valor do petróleo no mundo, era esperada uma ¿racionalização de custos¿. A entidade, no entanto deverá se mobilizar para que a empresa mantenha pelo menos uma parte das operações em Itajaí.

Histórico de idas e vindas

Esta não será a primeira vez que a Petrobras deixa Itajaí. Em 2003 a empresa já havia saído da cidade e os anos seguintes tiveram uma grande mobilização empresarial.

Diante da pressão dos empresários, a Petrobras inaugurou em 2010 em Itajaí a Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul). Na época, o movimento rendeu um prêmio de reconhecimento nacional à Associação Empresarial de Itajaí (ACII).

Em 2015 a Unidade de Exploração e Produção Sul (UO-Sul) teve as atividades suspensas e os funcionários foram transferidos para Santos.

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