Perícia levanta hipótese de um quarto atirador no caso da morte de delegados da PF em Florianópolis - Cidades - O Sol Diário
 
 

Tiroteio na Boate14/08/2017 | 18h32Atualizada em 15/08/2017 | 10h07

Perícia levanta hipótese de um quarto atirador no caso da morte de delegados da PF em Florianópolis

Laudo pericial apontou que o disparo contra a cabeça do delegado federal Elias Escobar partiu da arma do próprio delegado

Perícia levanta hipótese de um quarto atirador no caso da morte de delegados da PF em Florianópolis Ricardo Wolffenbüttel/Agencia RBS
Foto: Ricardo Wolffenbüttel / Agencia RBS

A perícia realizada na casa de prostituição onde o vendedor de cachorro-quente Nilton Cesar Souza Júnior trocou tiros com dois delegados da Polícia Federal no último mês de maio, em Florianópolis, levanta a hipótese de que uma quarta pessoa também tenha participado do tiroteio. Nilton foi baleado quatro vezes, mas sobreviveu. Os delegados Elias Escobar e Adriano Antônio Soares não resistiram.

O que levou o laudo pericial a sugerir a presença de um quarto atirador foi o fato de que o disparo contra a cabeça do delegado Elias partiu da arma do próprio delegado. E, conforme aponta o trabalho do Instituto Geral de Perícias, aquela mesma arma foi encontrada dentro do carro em que Nilton foi levado para o hospital. Ou seja, em algum momento do tiroteio a arma foi retirada das mãos do delegado Elias, morto ainda no local.

A perícia foi concluída há uma semana e a reportagem teve acesso a detalhes do laudo nesta segunda-feira. Com base no levantamento pericial, o promotor de Justiça Luiz Fernando Pacheco agora procura saber se existiria a possibilidade de o delegado ter atirado acidentalmente contra a própria cabeça caso estivesse em luta corporal com Nilton ou com o amigo de Nilton na hora dos fatos. 

Pacheco também quer saber se o delegado Elias estava em pé, deitado ou sentado na hora do tiro que o atingiu na cabeça, assim como qual seria a posição do autor do disparo no mesmo momento. Esses e outros questionamentos formulados pelo promotor deverão ser respondidos pelo IGP nos próximos dias. Apesar de indicar a possível participação de um quarto atirador, os peritos confirmaram o uso de apenas três armas no tiroteio. 

Além da pistola do delegado Elias, a arma que pertencia a Nilton foi encontrada no corredor da casa noturna, caída ao lado do corpo de Elias. A terceira arma, que provavelmente seria do delegado Adriano, está desaparecida. Conforme a perícia, a arma de Nilton foi usada em apenas dois disparos. A pistola que pertencia ao delegado Elias teria sido usada ao menos oito vezes, enquanto a pistola desaparecida teria sido acionada pelo menos 14 vezes. 

A perícia ainda aponta que o delegado Adriano foi atingido somente uma vez e que o tiro partiu da arma de Nilton. O tiro que atingiu a cabeça do delegado Elias, diz a perícia, partiu da arma dele mesmo. Um segundo disparo feito contra o delegado teria sido disparado pela arma de Nilton. Somente um dos quatro disparos feitos contra Nilton teve origem identificada — a arma usada seria a pistola desaparecida.

O vendedor de cachorro-quente chegou a ser internado e depois preso, mas ganhou o direito de responder ao processo em liberdade. No entanto, ele foi preso temporariamente no último dia 29 por suspeitas de envolvimento em um estupro. A reportagem não conseguiu contato com o advogado dele nesta segunda. Em contatos anteriores, o defensor apontava legítima defesa no caso dos delegados e contestava as suspeitas na investigação de estupro.

CONCLUSÕES DA PERÍCIA

ARMAS -A perícia concluiu que houve troca de tiros com o uso de três armas de fogo diferentes no corredor da boate. Uma pertencia a Nilton, tendo sido encontrada no corredor da casa noturna, e outra ao delegado Elias Escobar, localizada no carro que levou Nilton ao hospital. Como a terceira arma não foi encontrada, a principal hipótese é de que fosse a pistola do delegado Adriano.

O laudo aponta que a arma do delegado Elias Escobar disparou ao menos oito vezes. Sete tiros ocorreram dentro do corredor da boate e um dos disparos ocorreu em frente ao Hospital Florianópolis. A arma de Nilton foi responsável por apenas dois disparos durante a troca de tiros. A terceira armada teria sido usada em pelo menos 14 disparos no corredor da boate.

OS TIROS -O tiro que perfurou a cabeça do delegado Elias Escobar partiu da própria pistola dele. A perícia ainda aponta indícios de que outro ferimento, causado no tórax do delegado, tenha sido resultado de um disparo da arma de Nilton.

O comerciante Nilton foi atingido por, pelo menos, quatro disparos. Apenas um deles teve origem identificada (teriam partido da arma não localizada, supostamente de propriedade do delegado Adriano).

O delegado Adriano Soares sofreu apenas um ferimento, que teria sido provocado pela arma de Nilton.

QUARTO ATIRADOR - A perícia aponta que o fato de o delegado Elias ter sido ferido na cabeça por um disparo da própria arma, somado ao fato de a mesma arma ter sido encontrada dentro do carro que levou Nilton ao hospital, "sugere a participação de um quarto atirador na ocasião da troca de tiros".

DÚVIDAS

Em oficio endereçado ao IGP, o promotor de Justiça Luiz Fernando Pacheco lista uma série de questões para esclarecer detalhes já levantados pela perícia. Entre outras perguntas, o promotor questiona se existiria a possibilidade de o delegado Elias Escobar ter atirado acidentalmente contra a própria cabeça caso estivesse em luta corporal com o comerciante Nilton ou com o amigo dele. O promotor também pergunta se o delegado Elias estava em pé, deitado ou sentado quando foi atingido no olho direito. Também questiona se o autor do disparo estaria em pé, sentado ou deitado.

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