"Quero mostrar para as pessoas que eu não sou um monstro", diz jovem que agrediu professora em SC - Cidades - O Sol Diário

Violência na escola25/08/2017 | 18h43Atualizada em 25/08/2017 | 23h35

"Quero mostrar para as pessoas que eu não sou um monstro", diz jovem que agrediu professora em SC

Adolescente de Indaial, no Vale do Itajaí, concedeu entrevista na tarde desta sexta-feira

"Quero mostrar para as pessoas que eu não sou um monstro", diz jovem que agrediu professora em SC Betina Humeres/Diário Catarinense
Sala onde a professora Marcia Friggi e o aluno de 15 anos estavam na segunda-feira, quando o desentendimento começou Foto: Betina Humeres / Diário Catarinense

O adolescente de 15 anos que agrediu a professora de Língua Portuguesa Marcia de Lourdes Friggi, 51 anos, na última segunda-feira, afirma estar arrependido e garante não ser violento. O jovem relata situações de violência na família e garante que o episódio foi "um momento em que explodi". Veja a seguir a entrevista concedida ao Diário Catarinense na tarde desta sexta-feira:

Como tudo aconteceu naquele dia, na escola?
Naquele dia eu pedi para ir ao banheiro e ela (professora) já deixou meio que resmungando. Nisso eu peguei, levantei e fui. Quando eu voltei, ela continuou resmungando, só que apontando o dedo para mim, nisso eu já fiquei meio nervoso. Eu peguei e sentei, logo em seguida eu coloquei o livro em cima das minhas pernas. Nisso, ela já veio e me mandou colocar o livro em cima da carteira, falou que eu não cumpri com as obrigações e continuou me apontando o dedo. Daí eu peguei e falei: "Como não, professora? Olha aqui o meu caderno, como eu tô fazendo aqui, tudo certo". Nisso, ela continuou a resmungar, só que daí apontando o dedo para mim. Eu peguei e fui lá na sala da diretoria, só que na hora que eu saí, eu peguei e taquei o livro no chão. Não sei se pegou na cara dela ou não. Mas nisso eu já peguei e sentei na sala da diretoria e ela veio junto. E nisso daí já começou o bafafá. Ela pegou e começou a falar que eu não tava cumprindo com as obrigações e tava mexendo no celular, e celular eu já não tenho. E, nisso, logo em seguida que ela falou do celular, já veio me chamando de filho da p... E daí foi quando passou tudo como num filme, meu e da minha mãe, e a diretora já tava atrás de mim, me segurando. E foi isso que aconteceu.

E hoje, depois de tudo o que aconteceu, como é que você vê essa situação em relação a ela e a tudo que você está passando?
Eu vejo que está muito complicado, estou recebendo muitas ameaças por causa disso e a única coisa que eu tenho a dizer é que eu estou bastante arrependido. Se a professora um dia quiser me perdoar... Eu só queria dizer isso.

Você disse que está sofrendo ameaças, você está conseguindo seguir a sua vida normalmente ou está com medo?
Sim, o que eu sinto mais medo não é eles fazerem mal para mim, mas sim para minha família, porque eu tô recebendo bastante ameaças. Isso que, como você falou, eu só tô saindo de casa para a igreja e da igreja para casa.

Se você pudesse falar alguma coisa para a professora, se ela estivesse lendo essa reportagem, o que você falaria para ela?
Que ela me perdoe e que isso não deveria ter acontecido. Que, naquele dia, eu já tava meio nervoso também.

Há relatos de que essa não foi a primeira vez que você agiu de forma agressiva. Houve outros casos? Pode explicar o que aconteceu?
Isso eu não sei explicar.

Mas foram casos pontuais? Você é uma pessoa calma ou você é uma pessoa agressiva? Ou foi um momento só que você explodiu?
Foi o momento que explodi, só.

O que você espera para o futuro? Você pretende voltar para escola?
Bom, eu queria ter terminado o meu curso, mas acho que agora não vai dar, com o tanto de ameaça que eu estou recebendo fica difícil ir para a escola.

Mas você tem esperança de um dia voltar e seguir o seu sonho?
Tenho, e como. Tenho ainda o sonho de fazer a faculdade, terminar meus estudos.

E você tem algum trauma de violência na família? Carrega isso com você?
Tenho, do meu pai.

Ele batia em você?
Ele batia em mim, na minha mãe e nos meus irmãos.

Teve uma vez até que você foi parar no hospital por conta de uma agressão?
Sim. Nesse dia ele chegou e já tava separado da minha mãe. Ele não tinha aceitado a separação. E, nisso, ele chegou na casa da minha mãe e pulou o muro e já começou a bater nela. Nisso, eu entrei no meio e ele já me pegou pela cabeça e me tacou na parede. E foi quando eu desmaiei e já fiquei vários dias internado no hospital. Várias vezes a gente teve que sair de casa por causa do meu pai. Se não era de noite, era umas três horas da manhã, era umas quatro ou cinco.

Você sofreu muito com o seu pai justamente por causa da violência. Você tem medo de carregar isso? Dessa violência vir de dentro de você? Ou você quer ser uma pessoa diferente do que o seu pai foi?
Eu quero ser uma pessoa bem diferente do que ele. Eu quero mostrar para as pessoas que eu não sou um monstro. Primeiramente, eu quero me mudar e continuar. 

Quer mudar de vida?
Quero.

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