"Transparência sem consequência pode gerar mais corrupção", afirma procurador da Lava-Jato - Cidades - O Sol Diário

Corrupção e política30/08/2017 | 16h13Atualizada em 01/09/2017 | 14h57

"Transparência sem consequência pode gerar mais corrupção", afirma procurador da Lava-Jato

Integrante da força-tarefa da Lava-Jato no MPF em Curitiba, Carlos Fernando dos Santos Lima palestrou sobre corrupção e dinheiro público em evento realizado em Florianópolis

"Transparência sem consequência pode gerar mais corrupção", afirma procurador da Lava-Jato divulgação/divulgação
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Diário Catarinense
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Os anos trabalhando em operações ruidosas como a Lava-Jato e o Banestado credenciam o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima a falar sobre corrupção do sistema político brasileiro. Ele afirma que apenas transparência não vai resolver os problemas do país se não houve punição efetiva dos responsáveis. Integrante da força-tarefa montada em Curitiba desde 2015 para a operação Lava-Jato, o procurador participou nesta quarta-feira (30) de um evento em Florianópolis sobre transparência e controle social, organizado pelo Programa de Educação Fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda em conjunto com o Conselho Regional de Contabilidade (CRCSC) da Capital.

Para Carlos Fernando dos Santos Lima, os diversos casos de desvio de dinheiro público divulgados na imprensa por causa da operação Lava-Jato não são suficientes para dar um passo significativo contra a corrupção no Brasil. Essa transparência pode ter um caminho inverso ao que todos esperam, afirma o procurador:

— Transparência pode gerar mais corrupção. Falo isso porque a transparência de forma isolada, sem consequências como a punição, pode resultar em um sentimento na população de que não vale a pena ser honesto. Se os nossos políticos roubam e ficam soltos, tudo é possível. Eu acho ainda que até 2018 o Congresso deve apresentar uma proposta de anistia ao caixa 2.

Com críticas fortes ao sistema político brasileiro e também às mudanças feitas por emendas ao projeto de lei "10 medidas contra a corrupção", criado pelo MPF, Carlos Fernando também justificou a presença frequente em debates nas redes sociais quando o tema é a operação Lava-Jato.

— Nas redes sociais, eu sou um pugilista, entro no ringue, bato, apanho e aguento. Faço isso porque acredito que temos que nos manifestar sobre o que acontece no país. Nas investigações que participei, especialmente na Lava-Jato, o que vi foi que a corrupção serve principalmente para manter os atuais políticos no poder. 

Em entrevista ao DC antes da palestra, o procurador falou sobre o atual momento da Lava-Jato, que já se espalhou em inquéritos sobre políticos do país inteiro, inclusive Santa Catarina. Carlos citou o papel de auxílio do MPF do Paraná com outros MPs e disse ainda que a força-tarefa está trabalhando na identificação das pessoas que teriam recebido dinheiro de propina da Odebrecht através do programa MyWebDay

— A força-tarefa em Curitiba ajuda outros procuradores do país no compartilhamento de dados sobre delações da Odebrecht. Em todos os casos, mantemos contatos com as equipes de cada local para ajudar e também receber informações. Também estamos adquirindo um software para fazer o que se chama de mineração dos dados contidos no MyWebDay. Os delatores da Odebrecht também têm que ajudar nesse processo de retirada das informações do programa. Mas, por enquanto, não podemos dar mais detalhes, pois a investigação é sigilosa — diz o procurador. 

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