Alunos denunciam falhas em programa de educação a distância investigado na UFSC - Cidades - O Sol Diário

Educação16/09/2017 | 03h01Atualizada em 16/09/2017 | 11h46

Alunos denunciam falhas em programa de educação a distância investigado na UFSC

Falta de material didático, atraso no início dos cursos e redução do número de tutores nos polos presenciais são alguns dos problemas relatados

Alunos denunciam falhas em programa de educação a distância investigado na UFSC Cristiano Estrela/Diário Catarinense
Foto: Cristiano Estrela / Diário Catarinense
Cristian Edel Weiss
Cristian Edel Weiss

cristian.weiss@diario.com.br

Enquanto recaem suspeitas sobre o uso irregular pela UFSC de recursos do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) em Santa Catarina, ainda sob investigação da Polícia Federal na Operação Ouvidos Moucos, alunos e ex-estudantes relatam condições deficientes na infraestrutura dos polos presenciais pelo Estado e na forma como a modalidade é oferecida. Falta de material didático, atraso no início dos cursos e redução do número de tutores nos polos presenciais são alguns dos problemas relatados.

A UAB foi lançada em 2005 pelo governo federal para fortalecer os cursos de licenciatura e garantir formação e capacitação de professores. Outro foco é levar educação superior pública e gratuita – por meio de aulas ministradas na maior parte do tempo a distância – para o interior do país e garantir acesso a estudantes de baixa renda.

No Estado, a UFSC, o Instituto Federal de SC (IFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) são responsáveis pela cessão de profissionais, materiais pedagógicos e currículo. Os municípios e o Estado entram com a contrapartida de oferecer a infraestrutura, que muitas vezes são salas de escolas da rede pública. A maioria dos polos é compartilhada pelas instituições.

Os recursos para as bolsas dos tutores presenciais – responsáveis por rotinas administrativas e que atendem os alunos diretamente nos polos – e tutores das disciplinas ministradas são bancados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Atualmente, são pelo menos 3.080 vagas para cursos de graduação e 2.890 para especialização em 33 cidades do Estado, ministrados por meio de videoconferências transmitidas nos polos, algumas visitas presenciais dos professores por semestre, além de provas e trabalhos. 

UFSC diz que recursos para este ano ainda não vieram

No polo da UAB de Araranguá, Emiliana Cordioli, estudante do primeiro semestre de Ciências Biológicas da UFSC, afirma que o curso começou com atraso, em maio, sob a justificativa de que as verbas federais demoraram a ser liberadas. De dois tutores presenciais que trabalhavam no polo para atendimento direto aos alunos até o ano passado, restou apenas um.  

Emiliana também reclama do material didático, que antes era impresso e entregue aos estudantes do curso. Hoje, segundo ela, os alunos são obrigados a baixar o conteúdo do sistema online e imprimi-los por conta própria. Além disso, parte dos materiais já está defasado e precisaria ser atualizado. 

– A gente foi fazer uma saída de campo de ecologia, que estava dentro da disciplina, e não se tinha dinheiro para o transporte. Tivemos que arcar com um rateio entre alunos. As pessoas estão tendo de arcar com xerox de livros, imprimindo material. São coisas que faziam parte do pacote do curso.

No polo de Itajaí, que funciona no Colégio Estadual Nereu Ramos, os problemas são similares. O jornalista Victor Miranda, aluno do curso de Filosofia, diz que os atrasos vêm desde o vestibular, que só ocorreu em maio. As aulas, que deveriam ter iniciado no começo do ano, só começaram em junho. Os alunos também não receberam material didático.

Chefe de gabinete da reitoria da UFSC, o professor Áureo Mafra de Moraes afirma que os pontos levantados pelos alunos são verdadeiros e ocorrem devido à falta de repasse dos recursos federais referentes a 2017. Segundo ele, os R$ 702.469,13 destinados pela Capes neste ano são referentes ao exercício de 2016.

– Neste ano, no vestibular, foram abertas 1.390 vagas, em 19 polos, com oferta de sete cursos de graduação. Isso sem recursos novos. Além do mais, nas edições anteriores, houve redução no repasse do custo/aluno na ordem de 50%. Isso faz com que seja necessário remanejar pessoal e material – justifica. 

A UFSC tem cerca de 2,4 mil alunos matriculados pelo programa e já formou 3.055 desde 2008, quando as turmas começaram.

Colaborou Dagmara Spautz

Distribuição dos cursos será revista

A Capes orientou UFSC, Udesc e IFSC a instituir um comitê gestor para levantar a demanda pelos cursos via Universidade Aberta em Santa Catarina. Segundo a coordenadora do programa na Udesc, Carmen Pandini, a intenção é identificar a vocação regional e distribuir os cursos conforme o interesse estratégico local a partir do próximo edital, que deve ser lançado no ano que vem – o atual é de 2014 e só agora teve liberação de alguns recursos. 

Na UFSC, enquanto o curso de Administração tem índice de 17 candidatos por vaga – chegando a 40, como no polo de São José – os de licenciatura têm 5,5, chegando a 2,27 no de Física oferecido pela instituição em Pato Branco (PR). Para se ter ideia, no vestibular tradicional, a média é de 12 por vaga na soma de todos os cursos. 

A Udesc abriu processo seletivo para cursos de Informática em Blumenau e Canelinha, mas não teve procura suficiente para formar turmas. Por outro lado, segundo Carmen, o curso de Pedagogia tem tido procura semelhante ao de Administração, com média de seis pretendentes por vaga.

– O foco do programa é atender a licenciatura e o curso de Pedagogia tem procura grande. Se nós abríssemos semestralmente, preencheríamos as vagas sempre. No interior, ainda é uma opção para quem deseja ficar no município – explica Carmen.

Em relação à falta de materiais e à defasagem, Carmen acrescenta que a alternativa encontrada pelos professores tem sido pedir licença de outras universidades para utilizar o conteúdo atualizado nas aulas. 

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