Apresentação de capoeira no pátio dos Gideões causa polêmica em Camboriú - Cidades - O Sol Diário

Confusão13/10/2017 | 12h28Atualizada em 13/10/2017 | 18h25

Apresentação de capoeira no pátio dos Gideões causa polêmica em Camboriú

Cantigas teriam incomodado parte das pessoas que participavam de evento

Apresentação de capoeira no pátio dos Gideões causa polêmica em Camboriú Divulgação/Agencia RBS
Atabaques como o da foto teriam causado o desentendimento Foto: Divulgação / Agencia RBS

Uma apresentação de capoeira causou confusão na quinta-feira durante um evento de comemoração ao Dia da Criança que ocupou o pátio dos Gideões Missionários da Última Hora, grupo religioso ligado à igreja Assembleia de Deus, em Camboriú. Carlos José Silva, capoeirista e professor da Furb, em Blumenau, diz que o motivo para o desentendimento teria sido o som do atabaque, instrumento utilizado nas rodas de capoeira que também faz parte de cultos religiosos de origem africana.

_ Na metade da música, veio uma senhora pedindo para parar porque os mais velhos estavam incomodados. Não acreditei no que estava acontecendo. Capoeira é atividade física, esporte, não tem religião. Falei para eles que isso ao meu ver é preconceito contra a cultura, racismo cultural _ afirma.

O evento foi organizado por um grupo de estudantes de psicologia, que ofereceu a festa gratuitamente. Mais de 300 crianças participaram da ação. Karl Luchtenberg, um dos organizadores, afirma que havia um acordo prévio para que o grupo de capoeiristas não cantasse durante a apresentação.

_ Foi dito que não havia problema, desde que evitassem cantos. Mas eles começaram a cantar, e foi pedido que parassem a apresentação. O único problema foi eles cantarem, estavam na casa de outras pessoas _ afirma.

A música em questão, segundo o professor Carlos, era um cantiga utilizada em aulas de capoeira para crianças em fase de alfabetização, que tem as vogais (a, e, i, o, u) cantadas ao ritmo da capoeira.

Silvio Wolff, sargento da Polícia Militar que é membro da igreja e faz um projeto com crianças em Camboriú, falou em nome dos Gideões. Ele nega que tenha ocorrido a desavença e diz estar triste com o que aconteceu. Segundo ele, o problema foi o tempo de apresentação.

_ Chegou num momento em que precisaríamos passar para outra atividade. Eles acharam que foi muito pouco (tempo), e acharam que a gente teve algum tipo de preconceito. Eu não tive. De minha parte, do meu grupo, não houve restrição. Talvez eles escutaram de outra pessoa e isso ficou incutido. 

Wolff afirma que não havia membros da igreja no local:

_ Os Gideões não têm nada a ver com o evento. É um centro de eventos, que qualquer pessoa pode ocupar. A igreja não estava ali _ afirmou.

Professor Carlos pretende levar o assunto para o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros, do qual faz parte. Capoeiristas afirmam que o preconceito existe, e tem aumentado. Adriano Fiamoncini, professor de capeira em escolas particulares de Blumenau, já foi procurado por pais de alunos que se negaram a deixar os filhos participarem das aulas por questões religiosas.

_ Já tive uma pessoa que me procurou dizendo que queria aprender capoeira, mas não com as músicas tradicionais. 


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