Sem aditivo, obra da bacia  de evolução em Itajaí corre risco de parar - Cidades - O Sol Diário

Infraestrutura11/12/2017 | 06h32Atualizada em 11/12/2017 | 06h32

Sem aditivo, obra da bacia  de evolução em Itajaí corre risco de parar

Empreitada depende de liberação de R$ 25 milhões

Sem aditivo, obra da bacia  de evolução em Itajaí corre risco de parar Diorgenes Pandini/Diario Catarinenese
Foto: Diorgenes Pandini / Diario Catarinenese

A abertura da nova bacia de evolução, área de manobras para navios no Complexo Portuário do Itajaí, corre o risco de parar por falta de verbas. Um aditivo de R$ 25 milhões está em análise nas secretarias de Estado de Planejamento e Infraestrutura, e aguarda decisão do governador Raimundo Colombo (PSD). A obra, que abrirá espaço para navios maiores e mais carregados nos portos de Itajaí e Navegantes, é a maior em infraestrutura feita atualmente pelo Governo do Estado, considerada essencial para manter a competitividade do produto catarinense no mercado internacional.

No setor, a demora na aprovação da verba causa apreensão. Paralisar as obras, neste momento, representa um revés significativo às vésperas da próxima rodada de negociação de linhas para os portos. Só no último ano, pelo menos duas rotas de navios deixaram de aportar em Santa Catarina por operarem com navios maiores do que a capacidade dos terminais de Itajaí e Navegantes, que respondem por 60% do comércio exterior no Estado.

Acompanhe o projeto e o andamento das obras da bacia de evolução através do infográfico produzido pela Arte do DC:

No setor, a demora na aprovação da verba causa apreensão. Paralisar as obras, neste momento, representa um revés significativo às vésperas da próxima rodada de negociação de linhas para os portos. Só no último ano, pelo menos duas rotas de navios deixaram de aportar em Santa Catarina por operarem com navios maiores do que a capacidade dos terminais de Itajaí e Navegantes, que respondem por 60% do comércio exterior no Estado.e

O aditivo pleiteado para a bacia corresponde a obras de contenção, que não estavam previstas no projeto original. Ocorre que a obra foi dividida em duas fases _ a primeira, que está sendo executada pelo Estado ao custo de R$ 105 milhões, e a segunda, de R$ 200 milhões, que deveria ser paga pelo governo federal. A verba já estava prevista em orçamento em Brasília, mas o governo voltou atrás alegando falta de dinheiro.

A ideia era que as duas fases fossem executadas concomitantemente. A segunda etapa estenderia o molhe Norte, em Navegantes, e mudaria a angulação, deixando a entrada do canal de acesso aos portos ainda mais aberta, com 190 metros. Como ela foi suspensa, não há proteção suficiente contra as correntes marítimas _ o que colocaria em risco não apenas o trabalho e já executado pelo Estado (veja infográfico), mas também áreas que ficam às margens do canal de acesso. Por isso a necessidade de instalar estruturas de reforço.

Mesmo sem o aditivo, a Secretaria de Infraestrutura já começou as obras de contenção que correspondem a dois novos molhes, para proteger a área dos pescadores e a da marina de Itajaí. Caso contrário, a obra já teria sido interrompida.

Essa opção, no entanto, utilizou recursos que estavam previstos para a fase final da obra, que agora está comprometida. O governador vem desde o ano passando tentando convencer o governo federal a pagar pelo aditivo de contenção, já que não liberou a segunda etapa da obra. Mas não teve sucesso.

O prazo para entrega da nova bacia de evolução é abril do ano que vem, quando o limite de tamanho das embarcações que entram no canal de acesso passará de 305 para 335 metros de comprimento.  A APM Terminals, arrendatária do Porto de Itajaí, conta com a obra pronta para receber os grandes navios da linha Ásia, que voltou a operar no terminal em setembro deste ano. Seis das 13 embarcações que integram a linha têm mais de 305 metros de comprimento e ainda não podem ser manobrados no Complexo Portuário do Itajaí.

Pressão da indústria

A preocupação com uma possível negativa do Estado em aumentar a verba para a nova bacia de evolução levou a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) a intervir. O assunto já foi tratado extraoficialmente com o governador pelo presidente da entidade, Glauco Côrte, e a Fiesc agora prepara um ofício. Egidio Martorano, presidente da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da Fiesc, ressalta a importância estratégica do Complexo Portuário do Itajaí, que é o segundo maior movimentador de contêineres do país.

Em Santa Catarina, a corrente de comércio exterior representou no ano passado o equivalente a R$ 18 bilhões _ não apenas na exportação dos produtos produzidos no Estado, mas também na importação de máquinas e insumos. Os terminais de Itajaí e Navegantes têm o maior complexo logístico e retroportuário do Estado, consolidado no mercado de contêineres.

O assunto será tratado nesta segunda-feira, durante encontro da agenda estratégica da indústria para transporte e logística catarinense.

História no caminho da bacia

Durante o serviço de dragagem da área de manobras, em agosto, a draga bateu em um objeto no fundo do Rio Itajaí-açu. Surgiu então a suspeita de que sejam escombros do navio Pallas, utilizado pela Marinha durante a Revolta da Armada, no final do século 19, que naufragou no canal.

Desde então, a área foi isolada aguardando melhor avaliação. Recentemente a Superintendência do Porto de Itajaí licitou o trabalho de sucção da área onde estão os escombros, para que mergulhadores possam fotografar a estrutura e a avaliação histórica seja possível. Esse trabalho é necessário porque, como há serviços de dragagem no entorno, a água está permanentemente turva e não é possível visualizar o objeto naufragado.

Caso se confirme que se trata do navio Pallas, a obra da bacia de evolução enfrentará outro entrave. Como é uma embarcação de valor histórico nacional, a decisão sobre a retirada dos escombros caberá ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)_ o que pode demandar mais tempo de análises. 

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