Número de idosos vai ultrapassar o de crianças em 2035 em SC  - Cidades - O Sol Diário
 

Envelhecimento25/07/2018 | 13h43Atualizada em 25/07/2018 | 19h45

Número de idosos vai ultrapassar o de crianças em 2035 em SC 

Levantamento do IBGE mostra que Santa Catarina terá o quarto envelhecimento mais rápido da população entre os Estados brasileiros

Número de idosos vai ultrapassar o de crianças em 2035 em SC  Marco Favero/Diário Catarinense
Foto: Marco Favero / Diário Catarinense

Em 2035, o número de pessoas em Santa Catarina com 65 anos ou mais vai ultrapassar o de menores de 15 anos. O envelhecimento da população catarinense será o quarto mais rápido entre as unidades da federação. É o que aponta a Projeção de População (revisão 2018), divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O primeiro estado em que esse fenômeno demográfico ocorrerá é o Rio Grande do Sul, com a população de idosos ultrapassando a de crianças e adolescentes em 2029. Depois vêm Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde isso ocorrerá em 2033 nos dois estados. No Brasil, esse marco no envelhecimento se dará em 2039.

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O demógrafo do IBGE Marcio Minamiguchi reforça que o processo de envelhecimento no Sul e Sudeste começou antes do restante do país, em função da transição demográfica, e antecipa o que tende a acontecer nas demais regiões: 

— O processo começa com Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que tiveram um processo de urbanização mais adiantado, o que é visto posteriormente nestes outros Estados [da região Sul], o que dá uma ligeira redução das taxas de fecundidade. 

Outra dado relevante do levantamento é que a população brasileira vai parar de crescer em 2047, mas isso não vai ocorrer em Santa Catarina e em outros sete Estados brasileiros (Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Roraima) antes de 2060.

De acordo com a projeção, Santa Catarina não tem data estimada para que o volume populacional comece a diminuir. No Rio Grande do Sul e no Paraná, por exemplo, a curva no gráfico de crescimento populacional começa a descer em 2036 e 2047, respectivamente. Hoje, a população catarinense é estimada em 7.075.494, a gaúcha em 11.329.605 e a paranaense em 11.348.937. Em 2060, de acordo com a projeção, serão 9.015.090 em SC, 10.945.217 no RS e 12.342.362 no PR. O Estado terá um aumento de 27% de sua população entre 2018 e 2060; no país será bem mais tímido: 9%. 

Minamiguchi reforça que esse cenário de aumento da população em SC está relacionado principalmente ao saldo migratório do Estado, diferença entre o número de imigrantes e emigrantes, que é o terceiro maior do país, atrás apenas de São Paulo e Goiás, com 45.266 e 39.823 pessoas, respectivamente.

— Analisando o crescimento natural, ou vegetativo, que é o saldo entre mortes e nascimentos, SC já tenderia, a partir de 2051, a ter um número maior de mortes do que nascimentos. Com isso a população catarinense não cresceria mais, porém isso muda com a vinda das pessoas de outros Estados. 

Os especialistas vinculam esse saldo positivo migratório principalmente à procura de trabalho e qualidade de vida. Além disso, a vinda de imigrantes contribui para o número de nascimentos no Estado, já que as pessoas que mudam de um Estado a outro estão geralmente em idade produtiva, que coincide com a idade reprodutiva, diz o demógrafo.

— A questão da migração em SC é mais importante do que SP, porque 30 mil para SC é muito mais do que representa 40 mil para São Paulo, devido ao tamanho do Estado — acrescenta Minamiguchi.

Para o presidente da Associação Nacional de Gerontologia de Santa Catarina (ANG-SC), Paulo Medeiros, SC e o país ainda não estão preparados para esse envelhecimento da população. Ele reforça a importância de que as políticas públicas acompanhem esse crescimento de idosos e sejam constantemente melhoradas:

_ Será preciso avançar prioritariamente na área da saúde para dar conta das demandas; na seguridade social e na área da assistência social para dar suporte as pessoas que envelhecem e suas famílias, principalmente para evitar as situações de vulnerabilidade e violências.

Sobre a pesquisa

Projeção de População (revisão 2018) tem como base os dados do Censo 2010. Os cálculos são feitos de acordo com os métodos demográficos recomendados pela Divisão de População das Nações Unidas. As projeções servem de subsídios para a implementação de políticas públicas e como base de cálculo das estimativas das populações municipais divulgadas anualmente pelo IBGE.

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