Prática do nadismo tem ganhado adeptos que querem fugir do estresse do dia a dia - Diversão & Estilo - O Sol Diário
 

Sem fazer nada22/02/2014 | 10h58Atualizada em 23/02/2014 | 14h04

Prática do nadismo tem ganhado adeptos que querem fugir do estresse do dia a dia

Ansiedade e síndrome do pensamento acelerado são os novos males de uma sociedade que não consegue parar

Prática do nadismo tem ganhado adeptos que querem fugir do estresse do dia a dia Rafaela Martins/Agencia RBS
Fazer nada se tornou uma arte para manter o equilíbrio e o bem-estar. Foto: Rafaela Martins / Agencia RBS

Abandone o celular, sente ou deite em um lugar confortável, com os olhos abertos, e tente não fazer nada por pelo menos 15 minutos. Apenas contemple o mundo ao seu redor, consciente de tudo que está acontecendo.

Se nem tentou fazer o teste e só leu o início do texto, fazer isso parece uma atividade fácil, mas a verdade é que poucos conseguem hoje dar uma parada e reservar ao menos alguns minutos para fazer "nada".

Dar uma pausa - mesmo pequena - sem nenhum objetivo (dormir, ler, conversar com alguém não contam!) parece algo impossível na sociedade estressante, repleta de estímulos e veloz em que vivemos hoje. No recém-lançado livro de Augusto Cury Ansiedade: como enfrentar o mal do século, sua 35ª obra, ele apresenta a síndrome do pensamento acelerado, um mal que considera mais grave que a depressão nos dias de hoje e que, segundo ele, atinge 80% da população mundial. 

— A percepção de que o mundo está mais acelerado é real. A era da informação traz um excesso de informação, uma corrente que a gente não consegue desviar, o que gera uma pressão de que fazer nada é ruim quando se dar um tempo é essencial — afirma o psiquiatra José Hamilton Vargas, de Florianópolis.

É exatamente com a proposta de frear o intenso fluxo de atividades diárias e de informação buscando mais qualidade de vida, que acontece o encontro do Clube do Nadismo, no próximo sábado, dia 1º de março, em Florianópolis. A iniciativa é aberta ao público e propõe que os participantes fiquem uma hora sem fazer absolutamente nada.

— A proposta de parar e desfrutar o fazer nada tem se mostrado uma inovadora e acessível forma de quebrar a cultura da aceleração e recuperar o equilíbrio — afirma Marcelo Bohrer, que criou a prática "nadística" em 2006, após ter passado por um colapso físico e mental motivado pelo estresse.

A antropóloga Lilian Schimeil, de Florianópolis, pratica o nadismo há 4 anos e diz que o grande triunfo da prática é o fato de não se sentir culpada por ficar alguns minutos sem fazer nada quando sua lista de tarefas diárias só aumenta: 

— Estou sempre ocupando meu tempo com inúmeras atividades com aquela pressão que nos colocamos de ter que dar conta e estar antenada com tudo. Hoje confesso que tirar 10 minutinhos do meu dia para não fazer nada já é um desafio, mas pelo menos nesses momentos não me sinto mal — diz.

De acordo com o psiquiatra José Hamilton, a natureza da nossa mente é de fazer e resolver problemas e, se não filtrarmos a quantidade de informações que absorvemos e o número de atividades que exercemos ao mesmo tempo, podermos ter prejuízos físicos e psicológicos. 

— A principal forma de combater isso é tomar consciência e fazer uma espécie de dieta para a mente. Não é necessário ler todas as notícias e checar sempre as atualizações nas redes sociais. É preciso selecionar melhor, poupar a mente, se perguntando se tudo isso vai gerar alguma ação positiva e se fará diferença no seu dia a dia — complementa. 



Foto: Rafaela Martins/ Agência RBS



Nadismo x outros movimentos

A principal diferença do Nadismo em relação a outros movimentos, como a meditação, o ócio criativo ou o movimento slow é a sua praticidade. É mais uma prática simples e não uma filosofia que só requer a vontade de ficar sem fazer nada. Mas se assemelha a esses movimentos por buscar mais qualidade de vida e ser um contraponto ao estilo de vida acelerado. 

— A prática nadística é mais democrática e pode ser feita em qualquer lugar sem a necessidade de mantras, posturas ou métodos. O Nadismo é livre, sem certo ou errado — afirma Marcelo Bohrer.

Ex-refém da correria

Paulo Maya, atualmente radicado em Florianópolis, sempre teve uma rotina muito agitada com metas a cumprir na área comercial de uma grande empresa e superconectado na internet. Tirar um tempo para si era tarefa quase impossível até que um dia, já esgotado da rotina, resolveu mudar. 



Foto: Rafaela Martins/ Agência RBS



— Li sobre o Nadismo e percebi que do jeito que estava levando minha vida não ia funcionar, resolvi me resguardar um pouco de tantos estímulos e, ao menos por alguns minutos, ficar sem fazer nada. No início, Paulo conseguia ficar apenas alguns minutos praticando o nadismo e hoje, um ano depois, orgulha-se ao dizer que consegue ficar mais de duas horas praticando. 

— A sensação pós-nadismo é muito gratificante pelo relaxamento corporal e psicológico que traz. Sou muito mais pleno hoje, porque sinto que este tempo só meu serve como um alimento para minha alma. Não me sinto mais sugado e refém desse mundo louco que nos cerca hoje — conclui.

Ansiedade desbanca depressão, diz autor

Em seu mais recente lançamento, Ansiedade: como enfrentar o mal do século - A Síndrome do Pensamento Acelerado, o psiquiatra Augusto Cury aponta a Ansiedade como o grande mal da sociedade moderna - consumista, rápida e estressante - e que alterou algo que deveria ser inviolável, o ritmo de construção de pensamentos, gerando consequências seriíssimas para a saúde emocional, o prazer de viver, o desenvolvimento da inteligência, a criatividade e a sustentabilidade das relações sociais. 






De acordo com o psiquiatra, pensar é bom, pensar com lucidez é ótimo, mas pensar demais é uma bomba contra a saúde psíquica, o prazer de viver e a criatividade. "O excesso de informação de trabalho intelectual, de preocupação e de uso de celular viciam. Desacelerar nossos pensamentos e aprender a gerir nossa mente são tarefas fundamentais" cita no livro.

A dificuldade de parar um pouco para não fazer nada e a crise de gerenciamento dos pensamentos pela sociedade atual são os responsáveis, de acordo com Cury, por inúmeras doenças psicossomáticas, depressão, discriminação, violência escolar, culto a celebridades e ao padrão tirânico de beleza.

Para o autor, vivemos em uma sociedade superficial e estressante que nos ensina muito sobre quase tudo - menos a desenvolver um "Eu" maduro, inteligente e capaz de de gerenciar os próprios pensamentos.

A solução, para ele, é que cada um desenvolva ferramentas para ser gestor dos próprios pensamentos dando constantes "choques" de lucidez na própria consciência e evitando, assim, cada pensamento que nos faça sofrer sem razão para não ocupar nossa mente com pensamentos inúteis.

Serviço
Título:  Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século - A Síndrome do Pensamento Acelerado, Augusto Cury, Editora Saraiva, 100pgs
Valor: R$ 14,90.

Cinco alertas para saber se você sofre do mal

A aceleração e a dificuldade em parar podem se tornar um transtorno médico. O primeiro passo é ter consciência que sofre desse mal. Por isso, veja a lista de sinais de alerta para saber se você tem ou não sintomas de ansiedade extrema.

1) Alteração no sono - o primeiro sinal de alerta está na hora de colocar a cabeça no travesseiro. Se a sua mente continua a pensar sem parar e você não consegue mais controlar seus pensamentos e, por isso, tem dificuldade para dormir, fique atento

2) Alteração de apetite - se o seu momento de comer _ que deveria ser uma pausa para saborear a comida e desestressar _ é apenas mais um dos momentos acelerados do dia, há algo de errado. Ganhar ou perder peso também são sinais de alerta.

3) Surgimento de manifestações físicas como:
- dor de cabeça constante causadas por tensão, que se inicia por tensão atrás da nuca e nos ombros
- tensões musculares
- alterações no sistema digestivo (azia, queimação, constipação)
- alteração menstrual (mulher) e homem (prejudica a libido)

4) Estafa, alteração no nível de energia e baixa disposição até para o lazer. Isso ocorre, de acordo com o psiquiatra, porque, afinal, afinal a energia de qualquer um é finita e o organismo não suporta mais a quantidade de atividades e estímulos.

5) Alteração na libido

(Fonte: Dr. José Hamilton Vargas, psiquiatra e autor dos livros Viver Mais e Melhor: Segredos para uma vida saudável e Depressão: o que você precisa saber para realmente melhorar.)

ENCONTRO DO CLUBE DO NADISMO
Local: Ponta do Pitoco, Rua José Henrique Veras, Lagoa da Conceição, Florianópolis
Dia: 1º de março, a partir das 18h
Obs.: Por ser realizado ao ar-livre, o evento depende de boas condições climáticas para acontecer. Acompanhe o envento no link: http://bit.ly/nadismo .

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