A Garota Dinamarquesa: transexuais e travestis se reúnem em sessão emocionante em Florianópolis - Diversão & Estilo - O Sol Diário
 
 

Representatividade25/02/2016 | 08h02Atualizada em 25/02/2016 | 09h36

A Garota Dinamarquesa: transexuais e travestis se reúnem em sessão emocionante em Florianópolis

Filme conta a história de uma das primeiras mulheres trans a fazer cirurgia de redesignação sexual

A Garota Dinamarquesa: transexuais e travestis se reúnem em sessão emocionante em Florianópolis Universal/Divulgação
Filme conta a história de uma das primeiras mulheres trans a fazer cirurgia de redesignação sexual Foto: Universal / Divulgação

Cinespaço do Beiramar Shopping, em Florianópolis, sessão das 19h do filme A Garota Dinamarquesa, na sala 2, de quarta-feira. Poderia ser uma sessão qualquer de um dia comum se não fosse o esforço da ADEH - Associação em defesa dos direitos humanos com enfoque na sexualidade de reunir homens e mulheres trans e travestis para assistir ao filme, que conta a história de Lili Elbe, uma das primeiras mulheres trans a realizar cirurgia de redesignação sexual.

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Faltando 20 minutos para o início da exibição, a gerência do cinema passou na fila avisando: "sessão das 19h lotada!". Dos 150 lugares disponíveis, 56 foram adquiridos pela Associação para que homens e mulheres trans e travestis pudessem assistir ao filme gratuitamente. Quem ficou de fora pôde assistir à sessão das 21h30. A ação marcou a primeira edição do OcupADEH, que tem como proposta empoderar a comunidade trans e levá-la para lugares públicos, para que todos conheçam e se sintam familiarizados com espaços que podem ser bastante restritos por causa do preconceito.

Coluna de cinema:  A Garota Dinamarquesa trata a transexualidade de forma delicada e sem preconceitos ou estereótipos

Antes de o filme começar, o clima era de encontro entre amigos e, para quem não sabia do que se tratava a ação, de curiosidade e até mesmo ignorância. Na fila da pipoca, um casal de turistas do Rio Grande do Sul se perguntou se seria uma Parada Gay. Eles contaram que foram em um parque aquático e que viram muitos gays "normais", segundo eles, e não "vestidos de mulher". Eles estavam indo assistir ao filme Os 10 Mandamentos

Três convidados da Adeh comentam o que acharam do filme. Veja no vídeo:

O breve testemunho do casal só reforça a importância de A Garota Dinamarquesa. Segundo o espectador Christian Mariano, a exibição em salas comerciais (alguns cinemas brasileiros nem incluíram o filme em sua programação, apesar das quatro indicações ao Oscar) foi uma conquista bastante significativa para o movimento de militância e ativismo.

— Esperava que seria bem tocante, mas fiquei bem surpreso com a exposição que há da diferença entre homossexuais e transexuais, entre identidade de gênero e orientação sexual. Foi respeitoso e ficou bem nítido para o público leigo, que geralmente faz essa confusão — conta ele, que é homem trans, logo após a exibição.

Durante o filme, o silêncio na sala era daqueles que te deixam constrangidos de enfiar a mão no pacote de pipoca ou abrir o saquinho de bala. Foi assim durante toda a exibição, exceto por um ou outro momento raro de risadas. Assim que apareceram os créditos finais, o público aplaudiu. Na saída, os olhos marejados denunciavam as sensações. Algumas pessoas se abraçaram, emocionadas.  

Coordenadora geral da ADEH, Lirous Ávila (à direita) comemora sucesso da ação Foto: Yasmine Holanda Fiorini / Agência RBS

— Acho que tem uma curiosidade por ser um filme histórico. Tem alguns problemas de representatividade, por ser um filme em que uma mulher trans é interpretada por um homem cisgênero, sendo que há várias atrizes trans que poderiam estar fazendo o mesmo papel. Isso é problemático, mas pelo menos é um jeito das pessoas conhecerem o tema — avalia a psicóloga Eris Grimm Cabral.

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O filme atrasou uma semana para entrar em cartaz em Santa Catarina, mas tem feito sucesso. No Cinespaço do Beiramar Shopping, ele será exibido em uma sala maior, para 280 pessoas, a partir desta quinta-feira. 

Simplificando os termos

Transgênero - pessoa que não se identifica com as características do gênero designado a ela no nascimento.  
Cisgênero - pessoa que se identifica com as características do gênero designado a ela no nascimento. 
Identidade de gênero - tem a ver com a maneira como a pessoa se vê e não com seu órgão genital. Não tem nada a ver com orientação sexual. Uma pessoa que se identifica com o gênero feminino, por exemplo, pode se sentir atraída por pessoas que também se identificam com o gênero feminino, ou por pessoas que se identificam com o gênero masculino. Duas pessoas podem ter identidade de gênero semelhante e orientação sexual diferente.  
Identidades não-binárias - pessoas que não se sentem confortáveis em uma divisão entre gênero masculino e gênero feminino. 

Para evitar gafes e situações que possam ser consideradas ofensivas, a dica é perguntar para a pessoa de que maneira ela se identifica e como você pode se referir a ela. 


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