Conheça Diego de los Campos, um dos nomes importantes da cena  de arte contemporânea de SC  - Diversão & Estilo - O Sol Diário
 
 

Para ver e sentir25/05/2016 | 09h56

Conheça Diego de los Campos, um dos nomes importantes da cena  de arte contemporânea de SC 

Com duas exposições em cartaz - em Blumenau e em Florianópolis, o artista inaugura nesta quarta (25) mais uma mostra, e dessa vez nu Museu de Arte de Santa Catarina

Conheça Diego de los Campos, um dos nomes importantes da cena  de arte contemporânea de SC  Marco Favero/Agencia RBS
Fluido e contemporâneo: a energia criativa de Diego de los Campos e Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Quando fecha os olhos não é só o preto que fica, preenchendo o vazio. A visão de Diego de los Campos vai além do sentido físico e está impregnada de informações e imaginação. Não se trata de abstrações. É talvez aquilo que alguns chamam de energia criativa e que depois se transforma em arte. No caso dele, é um fluido do próprio ser materializados em desenhos - de seres amorfos ou não, instalações, manipulações imagéticas e ironias artístico-literárias-tecnológicas sobre o mundo, sobre a sociedade. 

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O artista uruguaio-catarina é hoje um dos nomes importantes da cena de arte contemporânea catarinense e celebra um bom momento: além de duas mostras em cartaz, em Blumenau e no Centro de Florianópolis, ele inaugura hoje mais uma exposição, desta vez no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), também na Capital.

— Muitas vezes é impossível de dizer em palavras. Olha, para explicar eu tenho que fazer outra obra — brinca o artista de 44 anos sobre os significados da sua arte.

No Masc ele apresenta trabalhos da série Desenhos de Um Real, projeto que começou há dez anos e questiona um dos pilares do mercado de arte: a precificação da obra do artista. Serão expostos 2 mil desenhos — vendidos a R$ 1 cada no dia da abertura e ao final da exposição.

— Coloco-me como o trabalhador de uma fábrica. Minha produção tem que ser para render 20 desenhos por hora, no esquema capitalista. E deve ter preço acessível. Com essa proposta, um trabalhador que corta centenas de pedaços de frango por dia num frigorífico pode comprar — ironiza.

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A mostra no Masc será junto com Deambulações sobre a Pintura, de Jociele Lampert, e faz parte do terceiro ciclo do edital de exposições da instituição.

Antirretratos 2 e Antirretratos 3, em cartaz no Museu de Arte de Blumenau (até 19 de junho) e na Galeria Pedro Paulo Vecchietti, na Capital (até 17 de junho), respectivamente, têm desenhos inéditos de grandes dimensões feitos em nanquim puro e aguado de seres imaginados ou expressões de um estado de ânimo.

Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Um artista tecnológico-literário

Numa tarde ensolarada de maio Diego de los Campos abriu o ateliê - um cômodo do casarão que abriga o coletivo artístico NaCasa, na Trindade - para expor e comentar seu trabalho. Ele tem as unhas dos dedos enegrecidos pelo nanquim. A sala onde trabalha e dá aulas de multimídia é um caos ordenado de desenhos, livros - desde História da Beleza, de Umberto Eco, a O Capital, de Karl Marx -, restos de máquinas obsoletas, frases, cuia com mate, violão estragado, guitarras que provavelmente não funcionam, e as impressoras 3D, uma das quais ele mesmo fabricou.

Nascido em Montevideo, Diego passou a maior parte da infância em Punta del Este e aos 12 voltou para a capital uruguaia, onde morou e estudou até ter o coração fisgado por uma brasileira numa praça, que o "importou" para Florianópolis há 16 anos. Hoje, vive na Ilha com a mulher, dois filhos, três gatos e dois cachorros.Começou autodidata e na escola preferia desenhar a escrever redações. 

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Nos anos 90 ingressou na faculdade de Arquitetura e, escondido dos pais, cursava a faculdade de Belas Artes à noite. O pai descobriu algum tempo depois e o cenário só mudou quando De los Campos ganhou o primeiro prêmio em dinheiro e saiu no jornal local, graças a uma obra exposta.

— Meu trabalho sempre teve como base o desenho. É uma expressão dentro do corpo. Não sou como os dualistas, que separam mente e corpo. Pra mim é tudo uma coisa só. O movimento é uma conexão com o todo. É como música, ou dança — diz.

Desde sempre teve claro que não necessariamente precisaria rebaixar sua arte ao belo e decorativo para vender. Acredita na beleza, mas num belo que pode incomodar as pessoas:

— Acho que o artista é um pouco filósofo, apresenta ideias como forma de arte.

Em 1992 comprou um computador e desde então usa a tecnologia como mais uma possibilidade de arte. Teve uma vez que um artista conhecido seu apresentou-lhe o arduíno, placa de prototipagem eletrônica de computador, e então ele passou a ser um criador de engenhocas com finalidades artísticas.

AGENDE-SE

O quê: abertura das exposições Desenhos de um Real, de Diego de los Campos, e Deambulações sobre a Pintura, de Jociele Lampert
Quando: quarta (25), às 19h. Visitação até 17 de julho, de terça-feira a domingo, das 10h às 21h
Onde: Masc, no CIC (Avenida Irineu Bornhausem, 5.600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: gratuito
Informações: (48) 3664-2630

Ateliê é repleto de quinquilharias tecnológicas, textos, desenhos e livros Foto: Marco Favero / Agencia RBS
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