Cena 11 lança espetáculo em que discute questões como isolamento e ressignificação da companhia - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Autoconhecimento25/08/2016 | 10h02Atualizada em 25/08/2016 | 10h02

Cena 11 lança espetáculo em que discute questões como isolamento e ressignificação da companhia

Grupo de dança contemporânea catarinense passou 18 meses imerso no projeto Protocolo Elefante e resultado será conferido nesta sexta, em São Paulo

Cena 11 lança espetáculo em que discute questões como isolamento e ressignificação da companhia Cristiano Prim/Divulgação
Resultado da imersão no projeto Protocolo Elefante será conferido nesta sexta-feira, em São Paulo Foto: Cristiano Prim / Divulgação

Desde dezembro de 2014, a companhia de dança contemporânea catarinense Cena 11 está imersa no projeto Protocolo Elefante, que marca os 20 anos do grupo e propõe um questionamento sobre sua continuidade. Durante 18 meses, a cia passou por cinco instâncias. Em Auto-retrato, reuniu-se durante quatro meses para elaborar uma forma de autorreferência. Em Espelho, três artistas convidados traduziram a companhia em suas obras. Já Solilóquio/Reencontro consistiu no isolamento individual de cada integrante, enquanto em Residências eles viajaram para imersões artísticas. A conclusão do projeto, com o lançamento da peça coreográfica homônima e de um livro, ocorre esta semana em São Paulo.

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Uma das etapas mais curiosas foi a Solilóquio, em julho de 2015, quando os integrantes passaram 15 dias isolados em diferentes lugares. Alejandro Ahmed foi para um retiro de hatha yoga e meditação em Minas Gerais. Aline Blasius se refugiou no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, enquanto Karin Serafin passou as duas semanas na Casa de Retiros Vila Fátima, no Morro das Pedras, na Capital catarinense, por exemplo.

— A etapa Espelho (em que o grupo foi analisado a partir do olhar dos artistas convidados Eduardo Fukushima, Michele Moura e Wagner Schwartz) foi interessante porque trabalhamos com três artistas que nos traduziram com seus trabalhos, mas a Solilóquio/Reencontro redefiniu os modos como trabalhamos nossos métodos de criação. Mudou nosso senso de percepção do outro e de nós mesmos — conta o diretor e coreógrafo do Cena 11, Alejandro Ahmed.

Vídeos, áudios e todo tipo de registros feitos de forma autônoma durante o isolamento foram a matéria-prima do livro Rumor, com texto, desenhos e quadrinhos do artista catarinense Pedro Franz, lançado em São Paulo na última terça-feira. A companhia já havia trabalhado com o quadrinista no espetáculo SIM: ações integradas de consentimento para ocupação e resistência, e em Embodied Voodoo Game, projeto desenvolvido para a Mostra GamePlay do Itaú Cultural.

— Desta vez, a gente não sabia no que resultaria. Acabamos chamando o livro de documento/ficção e foi um trabalho bastante pleno. Pedro chegou a conclusões singulares e similares às nossas, mesmo sem ter acompanhado os integrantes nessa etapa do isolamento. Foi interessante porque o diferente modo de operar de cada um foi refletido na obra, com traços distintos — explica Ahmed.

Foto: Cristiano Prim / Divulgação

Já a peça coreográfica Protocolo Elefante, que será lançada nesta sexta (26), no Auditório Ibirapuera, também em São Paulo, é a materialização das proposições que pautaram o projeto homônimo. A criação, a direção e a coreografia são de Alejandro Ahmed, com performances de Karin Serafin, Mariana Romagnani, Aline Blasius, Marcos Klann, Edu Reis Neto, Natascha Zacheo, Jussara Belchior e Hedra Rockenbach, que também assina a direção de trilha e iluminação.

No palco, os integrantes apresentam o resultado desses 18 meses de imersão e definição de identidade, e propõem um ritual de reconstrução e reconhecimento, ao mesmo tempo em que investigam a ação do isolamento. O nome do projeto, inclusive, é uma referência ao mito do elefante velho que se afasta da manada antes de morrer. O mesmo não deve ocorrer com o Cena 11, mesmo após ter encarado o desafio de olhar para dentro e repensar seu rumo.

— Ficou claro que nosso modo de estar no mundo é algo de uma responsabilidade muito grande. Tem uma série de questões que estão antigas, como o modo de existir como companhia e o modo de pensar que não te dá espaço para aprofundamento. Não sabemos como será o futuro, mas queremos fazer mais residências e deslocamentos, e também entender um pouco o que é estar na América do Sul, no Brasil. A gente é próximo, mas está de costas e não vê o que está acontecendo — adianta Ahmed.

O espetáculo é o 15º da trajetória de 20 anos do Cena 11 e será apresentado em Santa Catarina, mas ainda não há uma data definida.

Vai estar em São Paulo? Agende-se
O quê
: Pré-estreia da peça coreográfica Protocolo Elefante
Quando: sexta-feira (26), às 21h
Onde: Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera, São Paulo)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)

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