Conheça as histórias dos bairros de imigrantes alemães em Pomerode e Jaraguá do Sul - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Patrimônio Nacional16/08/2016 | 09h28Atualizada em 16/08/2016 | 09h31

Conheça as histórias dos bairros de imigrantes alemães em Pomerode e Jaraguá do Sul

Documentário "Vale Tombado" mostra bairros tombados como patrimônio nacional e o dilema da preservação da memória e arquitetura


Igreja  no bairro Rio da Luz, em Jaraguá do Sul Foto: Tais R. Uquizar / Divulgação

Rio da Luz e Testo Alto são dois bairros que, embora localizados em cidades diferentes — o primeiro em Jaraguá do Sul e o outro em Pomerode — estão interligados por características em comum: ambos têm propriedades rurais, edificações em estilo enxaimel (típico da arquitetura alemã) e costumes ancestrais preservados, como culinária e dialetos. Os dois também são tombados e têm a chancela de Paisagem Cultural do Instituto de Preservação do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

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Mas nem só de concreto e madeiras são feitas as casas desses lugares, e sim memórias de um tempo que a madeira era boa e o sonho de quem chegava ao Brasil ainda estava só começando. Isso é o que mostra o documentário Vale Tombado, filme de 47 minutos com roteiro e direção de Carlos Daniel Reichel. Além de ruminar lembranças, o trabalho faz uma lúcida reflexão acerca da polêmica em torno do tombamento: será mesmo bom para todo mundo? O doc foi lançado em julho e disponibilizado gratuitamente no YouTube.

Reichel foi convidado para dirigir o filme por Gilmar Moretti, da produtora Escritório de Cinema, tão logo voltou de uma temporada de dois anos nos Estados Unidos, onde estudou roteiro e cinema. Na mesma época, o publicitário de 32 anos nascido em Jaraguá do Sul lidava com a dor da morte da avó e a dúvida da família sobre o que fazer com a casa que ela tinha no histórico bairro da região do vale do Rio da Luz. Juntou, então, as duas ideias.

— Entramos na casa das pessoas, para saber o que guardavam lá dentro: objetos, lembranças. Não queria apenas narrar os fatos e falar com arquitetos, técnicos do Iphan — diz Reichel.

A área de tombamento total é de 90 quilômetros quadrados, contando os dois bairros. É o equivalente a 11 mil campos de futebol. As casas nessas regiões são pequenas e esparsas. Bem diferentes do que se imagina de um conjunto arquitetônico, como a histórica Olinda ou mesmo o Centro de Florianópolis, por exemplo. Trata-se de conjuntos rurais que desde 2007 fazem parte dos Roteiros Nacionais de Imigração do Iphan.

Antigo cemitério em Pomerode Foto: Tais R. Uquizar / Divulgação

— Rio da Luz é distante oito quilômetros do Centro de Jaraguá do Sul. Mas é distante emocionalmente e estrategicamente. Não é um bairro de passagem. As pessoas vão pra lá, não passam por lá. Muita gente até hoje não entende o que aconteceu. Com o tombamento passaram a existir novas regas - loteamento foi proibido, assim como a verticalização foi limitada, não pode demolir, para reformar é preciso seguir regras. Os moradores têm opiniões bem divididas, principalmente porque as contrapartidas são poucas — afirma o diretor.

 Todos querem preservar o passado

Dentre os relatos e cenas comoventes do documentário, um dos destaques é que a maioria das histórias é em primeira pessoa: os moradores compartilham memórias que são da própria família — a casa que pertencia ao avô, construída pelo bisavô ou tataravô e assim por diante.

— As pessoas têm interesse em preservar o passado. O que ressentem é a negligência. A maioria é orgulhosa, fala da madeira da casa, boa e resistente ao tempo e aos cupins — conta Reichel.

Ademar Kleeman e Odete Camargo moram no bairro Rio da Luz. Foto: Tais R. Uquizar / Divulgação

E muito embora algumas pessoas de gerações mais antigas importem-se pouco com a memória — como uma senhora que diz estar nem aí para a casa —, em contrapartida há jovens orgulhosos e dispostos e fazer a história continuar, como o homem de 35 anos que mora com a família numa casa histórica de Testo Alto, em Pomerode, e sabe pormenores da construção e da família.

Inicialmente previsto para ser um curta-metragem, o projeto se alongou e se transformou num doc de 47 minutos. Foi viabilizado graças ao edital do Fundo Municipal de Cultura de Jaraguá do Sul e ao empenho da produtora Escritório de Cinema, além do apoio da We Art e Clandestino Filmes.

— Queremos que chegue ao maior número de pessoas, por isso foi disponibilizado gratuitamente no YouTube. Nossa esperança é que possa promover alguma mudança para os dois bairros.

Foto antiga da casa da família Klemann, em Rio do Sul Foto: Tais R. Uquizar / Divulgação

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