Jack Huston fala sobre o desafio de encarnar o novo Ben-Hur - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Entrevista18/08/2016 | 06h03Atualizada em 18/08/2016 | 06h03

Jack Huston fala sobre o desafio de encarnar o novo Ben-Hur

Neto do grande cineasta John Huston, ator inglês diz que nova versão do clássico reforça temas muito relevantes nos tempos atuais

Jack Huston fala sobre o desafio de encarnar o novo Ben-Hur Mauricio Santana/Getty Images/Getty Images South America
Jack Huston veio ao Brasil no começo de agosto para apresentar a primeira sessão  pública de "Ben-Hur" no mundo Foto: Mauricio Santana/Getty Images / Getty Images South America

Nascido em Londres há 33 anos, Jack Huston traz na sua linhagem paterna uma forte ligação com Hollywood. É bisneto do ator Walter Huston, neto do cineasta John Huston, um dos titãs da história do cinema, e sobrinho dos atores Danny e Angelica Huston. Seu pai, Tony Huston, fez carreira discreta como roteirista, e sua mãe, Lady Margot Lavinia Cholmondeley, tem o DNA da aristocracia britânica. A combinação genética reflete-se na carreira seguida na postura descontraidamente fleumática que Jack exibiu durante sua passagem por São Paulo, no começo do mês, para lançar Ben-Hur.

O filme que estreia nos cinemas nesta quinta-feira é o primeiro trabalho do ator como protagonista de uma grande produção — entre seus trabalhos mais conhecidos, estão participações em filmes como Versos de um crime (2013), Trem noturno para Lisboa (2013), Uma longa jornada (2015), Orgulho e preconceito e zumbis (2016) e no seriado Boardwalk empire (2010 — 2013). Na entrevista a um grupo de jornalistas na capital paulista, da qual participou ZH, Jack Huston falou, entre outros temas, sobre o peso de interpretar um personagem icônico. Leia abaixo trechos da conversa.

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Sua família tem uma importante trajetória no cinema. De que forma isso o inspira e influencia?
Sou a quarta geração da família ligada ao cinema, o que muito me orgulha. Como nasci e vivo na Inglaterra, longe da grande indústria de Hollywood, nunca me senti pressionado. Cresci cercado de pessoas que sempre me deram apoio e bons conselhos para fazer as coisas certas. Minha ambição é sempre fazer um bom trabalho.

Como você reagiu ao ser chamado para fazer a nova versão de um dos grandes clássicos do cinema?
Fiquei muito honrado. Como meu avô dizia, tudo em um filme vem do roteiro. E um dos roteiristas do nosso filme é John Ridley, que ganhou o Oscar dois anos atrás com 12 anos de escravidão. Quando li o roteiro de Ben-Hur, pensei: "Que bela releitura para uma grande história". Destaca para um novo público temas contemporâneos. Há muito ódio no mundo. Estamos vendo guerras e intolerância. É uma boa época para se falar de esperança, amor, perdão, gentileza. Precisamos de mais gentileza e humanidade nas coisas simples do dia a dia, nos pequenos gestos. 

Foi desafiador viver o personagem imortalizado por Charlton Heston?
Gosto profundamente e vi muitas vezes o filme do William Wyler. É uma obra-prima grandiosa. Em 1959, tinha-se um estilo de interpretação diferente. Charlton Heston faz um Ben-Hur mais viril e maduro. O meu Ben-Hur é um garoto perdido que se transforma em homem encarando um doloroso processo de amadurecimento. Jamais teria aceitado o papel se não fosse possível essa nova abordagem sobre o personagem. Foi uma grande responsabilidade e também uma grande recompensa. Estou muito orgulhoso.

Como foi reproduzir a antológica corrida de quadrigas?
Foi muito trabalhoso. Treinamos com as bigas por quatro meses antes de começarmos a filmar, primeiro com dois cavalos, depois com quatro. A sensação de correr em alta velocidade, algumas vezes com 32 cavalos na pista de areia, era muito intensa. Tudo que você vê ali nós fizemos de verdade, sem efeitos especiais. As plateias de hoje estão acostumadas a ver coisas muito espetaculares com os efeitos visuais. Mas se uma cena como essa fosse feita dessa forma, se perderia o coração da corrida, não teria sentido, pois a ideia era preservar o espírito do filme de 1959. Estávamos cercados por seis câmeras, tinha uma GoPro na biga, uma num drone, outra num carro correndo ao nosso lado. Foi duro, mas funcionou, como numa corrida da Nascar ou da Fórmula-1. E sobrevivi para estar aqui falando sobre isso (risos).

As sequências em que Ben-Hur aparece como um remador escravo em uma galé romana mostra você transformado fisicamente. Como foi a experiência?
Perdi 30 pounds (13,6 quilos) nas cenas do navio. Virei músculos e ossos. Filmamos em um tanque, com o barco em escala verdadeira. Era um monte de homens sem camisas, suando o tempo todo e colados uns nos outros. Foi uma experiência incrível (risos).

Como foi trabalhar com Rodrigo Santoro e Morgan Freeman?
Rodrigo é um grande ator e se entrega com muita dedicação ao trabalho. Percebe-se isso, por exemplo, na cena da crucificação de Jesus Cristo. Seja você religioso ou não, tenha ou não tenha fé, é uma imagem muita poderosa, incrivelmente emocional. O Rodrigo passa um sentimento que não está no roteiro. E Morgan é um de meus heróis. É afável, poderoso, humilde, divertido. Tem aquela voz que se impõe antes de você perceber que é ele falando. Cheguei a esquecer minhas falas vendo Morgan atuar (risos).



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