Obras de Hassis sobre o Contestado são expostas no Museu Histórico Nacional do Rio - Diversão & Estilo - O Sol Diário

"Guernica" catarinense02/08/2016 | 09h44Atualizada em 02/08/2016 | 09h46

Obras de Hassis sobre o Contestado são expostas no Museu Histórico Nacional do Rio

Mostra celebra os 90 anos de nascimento de um dos principais artistas de Santa Catarina e os 15 anos da Fundação Hassis

Obras de Hassis sobre o Contestado são expostas no Museu Histórico Nacional do Rio Fundação Hassis/Reprodução
Recorte do mural de 36 metros quadrados concluído em 1985 que narra a Guerra do Contestado Foto: Fundação Hassis / Reprodução

Foi por meio da arte que o ser humano representou o mundo em torno de si e deu um passo para começar a entendê-lo. Tal como Picasso em Guernica, o famoso painel do pintor catalão sobre o bombardeio de aviões alemães na cidade espanhola em 1937, Hassis (1926 - 2001) imortalizou a desproporção de uma das mais sangrentas guerras ocorridas em solo brasileiro: o Contestado (1912 - 1916). Mas o artista de Santa Catarina foi além: além do épico mural de 36 m² que retrata o conflito no oeste do Estado, ele criou uma improvável e sensível narrativa visual com 78 gravuras. Essas obras estarão pela primeira vez expostas no Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, um dos mais importantes do Brasil. A mostra inaugura hoje e segue até 24 de outubro.  

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Com a curadoria de Denilson Antonio, a exposição celebra os 90 anos de nascimento de Hiedy de Assis Corrêa. Marca também os 15 anos da Fundação Hassis, instituição que realiza um trabalho louvável e exemplar de preservação e arte-educação.

— É época de mostrar o Brasil para o mundo com as Olimpíadas. O mote é a história de Santa Catarina e contar que o Contestado não foi um conflito, mas uma guerra — diz a filha do artista Leilah Corrêa Vieira, 59.

Hassis era um pesquisador nato e um dos maiores nomes das artes em Santa Catarina. Transitava no modernismo, retratava a cidade e o folclore catarinense, mas também era um crítico político. E como tal, vinculou a singularidade da Guerra do Contestado com as muitas batalhas enfrentadas pela humanidade contra a exploração econômica e política no mundo moderno, como ressalta o historiador Rogério Rosa.

— Ele foi um artista que leu muito bem as telas de Picasso e captou a sensibilidade social em relação à violência. Ele também colecionava revistas sobre guerra, como a do Vietnã, retratada por publicações como a Realidade. Ele viu essas imagens e a obra dele é marcada por essa leitura — afirma a pesquisadora e curadora Rosângela Cherem.

A partir também da memória de familiares, que participaram do ocorrido, Hassis contou cronologicamente toda a história da Guerra, desde a chegada dos peões, o Padre João Maria, o trem de ferro e sua ferrovia, a exploração da madeira em escala internacional, os jagunços que serviam de guarda pessoal aos coronéis, os coronéis.

As 78 gravuras foram feitas a nanquim em bico de pena. Já o painel batizado O Contestado – Terra Contestada, finalizado em 1985, conta em fases a fé religiosa, os mercenários, as grandes empresas. O mural é o mais importante registro pictórico da Guerra. É dividido em sete módulos que compõem um grande conjunto de 36 metros quadrados de pintura em acrílico. Foi colocado no Museu do Contestado, em Caçador, que gentilmente cedeu a obra para a exposição no Rio.

Os 15 anos da Fundação Hassis

Hassis nasceu em Curitiba em 1926. Tinha menos de três anos de idade quando seus pais voltaram a morar em Florianópolis. Começou a trabalhar com arte em 1940 e, embora tenha vivido numa cidade pequena se comprada às outras capitais do país, foi um artista de vanguarda: foi precursor da videoarte, design, artes gráficas, fazia experimentos multimídia, integrou o famigerado Grupo Sul e, ainda em vida, gozou do reconhecimento de sua arte.

Leilah Corrêa Vieira é uma das filhas de Hassis e cuida da Fundação junto com a irmã Luciana Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Arquivista obstinado, deixou um legado de 2,8 mil obras, 15 mil documentos, 8 mil fotografias e 350 vídeos que hoje a Fundação criada pelas filhas Leilah e Luciana e a mulher Nazle Paulo Corrêa preserva. A entidade funciona na mesma casa em que ele viveu e criava, um sobrado no bairro Itaguaçu que ainda mantém intactos os respingos de tinta no chão, o ateliê pintado e objetos.

Hoje a Fundação Hassis atua em três frentes: preservação, agenda cultural — são sete exposições por ano nos três espaços expositivos — e arte-educação. A instituição recebe visitas semanais de escolas para aulas teóricas e práticas com crianças.

 AGENDE-SE

O quê: exposição Guerra do Contestado, por Hassis
Quando: hoje a 24 de outubro
Onde: Museu Histórico Nacional (Praça Marechal Âncora, Centro, Rio de Janeiro)
Quanto: gratuito

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