"Nada será como antes", da Globo, usa ficção e fatos históricos para mostrar chegada da TV ao Brasil - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Homenagem aos visionários27/09/2016 | 07h03Atualizada em 27/09/2016 | 13h08

"Nada será como antes", da Globo, usa ficção e fatos históricos para mostrar chegada da TV ao Brasil

Série de Jorge Furtado, Guel Arraes e João Falcão estreia nesta terça

"Nada será como antes", da Globo, usa ficção e fatos históricos para mostrar chegada da TV ao Brasil Estevam Avellar/Globo/Divulgação
Foto: Estevam Avellar / Globo/Divulgação
Nathália Carapeços / Rio de Janeiro

nathalia.carapeços@zerohora.com.br

Na era do vídeo por streaming, a saga dos pioneiros da televisão é o tema de Nada será como antes, novo seriado da Globo — que, não por acaso, estreou antes na plataforma Globo Play. O primeiro episódio no veículo "tradicional" será exibido nesta terça-feira, logo após Velho Chico (RBS TV, 22h25min). E será assim sempre: quem for assinante do serviço, poderá assistir aos episódios antes — a emissora anunciou que irá disponibilizá-los com quatro dias de antecedência em relação à TV aberta.

Na série semanal, ficção e realidade se misturam para mostrar os bastidores da implementação de uma emissora pioneira no Rio de Janeiro nos anos 1950. Mas a produção não fará apenas referências históricas: o drama romântico vivido pelo "televisionário" Saulo (Murilo Benício) e pela atriz Verônica (Débora Falabella) dá o tom do roteiro assinado por Jorge Furtado, Guel Arraes e João Falcão.

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Com 12 episódios, a produção traz como pano de fundo a inauguração da fictícia TV Guanabara. O enredo não tem um caráter documental, mas usa como inspiração fatos históricos.

— A obra foi inspirada em muita pesquisa, em histórias reais. Era um momento de transformação na sociedade brasileira: a TV surgindo, Brasília, industrialização de São Paulo. Esse período rico era o nosso foco — esclareceu Furtado na coletiva de lançamento do seriado realizada no Rio de Janeiro.

O primeiro episódio, ao qual já tivemos acesso (se você não quer spoiler, é bom parar de ler por aqui), deixa explícita a boa química entre o casal principal: Benício e Débora levam o amor da vida real — que, por coincidência, começou nos bastidores da TV, na novela Avenida Brasil (2012) — para a ficção. Vendedor de aparelhos de rádio, o personagem Saulo se apaixona pela voz da locutora Verônica. Ali, nasce um grande amor que chega à televisão: Saulo decide fundar uma emissora de TV e transformar sua mulher em atriz de novelas.

— Meu pai (Rogério Falabella) era um galã dessa época, um galã. Fazia TV ao vivo. Ele é uma referência que tenho, sempre falou da necessidade do improviso — conta Débora sobre a influência familiar na construção da personagem.

Atrizes romperam os preconceitos da época

Mas a história de amor entre Saulo e Verônica tem um fim inesperado. Estéril, o empresário decide se separar da mulher para dar a ela a chance de ter um filho. A partir daí, o empresário, que já era dono de uma estação de rádio, concentra seus esforços no sonho televisivo. Beatriz (Bruna Marquezine), uma dançarina sedutora, o ajuda a conseguir investidores para o projeto: os ricos irmãos Otaviano (Daniel de Oliveira) e Julia (Letícia Colin) — mais adiante, a dupla viverá um triângulo amoroso com Beatriz.

Contando ainda com Osmar Prado, Cassia Kis, Bruno Garcia e Jesuíta Barbosa no elenco, a trama dirigida por José Luiz Villamarim — responsável por elogiados trabalhos na Globo, como Justiça, O rebu e Amores roubados — também aborda com destaque a mudança do papel da mulher na sociedade, adianta Furtado:

— Até os anos 1950, as atrizes eram tratadas como prostitutas. As mulheres artistas mudaram essa relação. A Verônica enfrenta os preconceitos, a Beatriz é uma revolucionária para a época, e a Julia, é uma mulher de empresa.

*Viajou o convite da Globo

Entrevista

Murilo Benício em "Nada será como antes" Foto: Estevam Avellar / Globo/Divulgação

Murilo Benício, ator

Como foi a preparação para viver Saulo?

Meu personagem vem do rádio, viaja vendendo aparelhos, mas quer trazer a TV para o país. Li bastante coisa sobre as pessoas que fizeram a televisão no Brasil, Chateaubriand, Boni, Walter Clark. Mas não é sobre uma pessoa, é um pouco de cada um. Guel Arraes me disse que várias situações aconteceram com ele. Então, é um histórico meio pessoal. Tem esse espírito da aventura de se criar uma coisa que não existia. E tem uma história de amor entre meu personagem e o da Débora.

Você conversou com a geração que participou do início da TV no Brasil?

O pai da Débora (Rogério Falabella) fez televisão ao vivo, então era uma referência muito próxima. O Osmar Prado fez TV ao vivo. Quando fiz novela com o Lima Duarte, ele contava muita história da TV ao vivo.

Como foi trabalhar junto com Débora Falabella, sua mulher na vida real?

No começo, a gente morreu de medo. Achávamos que iríamos ficar acanhados. E foi maravilhoso, porque amamos a série e estudávamos junto. Acho que foi o melhor investimento que o Zé Villamarim (diretor) poderia ter feito na vida dele. Passávamos noites e noites ensaiando. Foi espetacular trabalhar com a Débora.

Você ainda é lembrado pelo seu personagem em Avenida Brasil, o Tufão?

Quando a novela estava passando nos Estados Unidos, eu e Débora parávamos em todas as esquinas para falar com alguém. E não era só o público hispânico, era de tudo quanto é lugar do mundo, até americano. A novela foi um acontecimento, mais do que o Tufão. Assim como O clone, foi um fenômeno. É uma coisa que não dá para explicar. 

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