De tapioca a sorvete: conheça a mandiocaria Oka de Maní, mais um espaço gastronômico no Rio Tavares - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Sul da Ilha descolado19/12/2016 | 16h37Atualizada em 19/12/2016 | 16h37

De tapioca a sorvete: conheça a mandiocaria Oka de Maní, mais um espaço gastronômico no Rio Tavares

Eleito o alimento do século 21 pela ONU, a mandioca está na base de todos os pratos do novo local, misto de restaurante e espaço cultural

De tapioca a sorvete: conheça a mandiocaria Oka de Maní, mais um espaço gastronômico no Rio Tavares Leo Munhoz/Agencia RBS
Música e mandioca: combinação perfeita para um fim de tarde Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Presente de Tupã para saciar a fome dos índios, a raiz de maní brotou dentro de uma oca, no lugar onde uma indiazinha muito especial, que nasceu sabendo falar e era branquinha, foi enterrada após a precoce morte com apenas um ano de idade. A planta recebeu o nome de Manioca — hoje nossa conhecida e adorada mandioca. Genuinamente brasileira, a raiz foi eleita o alimento do século 21 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em Florianópolis, um restaurante com ares de espaço cultural abriu as portas há quatro meses para prestar uma homenagem à sabedoria indígena e à gastronomia do Brasil: é a Oka de Maní — Mandiocaria.

É o primeiro da cidade — quiçá de Santa Catarina — a dedicar um cardápio exclusivamente a pratos feitos à base de mandioca (ou macaxeira, aipim... o nome varia de acordo com a região do país). Tem as tradicionais tapiocas, feitas com a fécula da farinha de mandioca, até saborosas invenções, como tapioquetas (versão brasileira de bruschettas), pastéis, mini tapi burguers (sim, é igual a um hamburguinho - mas em vez de pão, é tapioca), espetinho de shimeji, dadinhos de tapioca, tapi pizza e bobó. Tudo sem glúten. Até sorvete de mandioca tem, além da tinhosa Tiquira, destilado de mandioca com folhas de tangerina e curtida em mel, gengibre e limão.

Espetinho de shimeji: uma explosão de sabores Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

A ideia da mandiocaria é de dois cearenses apaixonados pelo alimento e que moram na Ilha há alguns anos, a administradora Samilla Paiva, 30 anos, e o servidor público Roberto Mosanio, 34 anos. Ambos sonhavam em montar um restaurante e, com tantas hamburguerias, temakerias, sushis e pizzarias em cada esquina da cidade, por que não homenagear a gastronomia do Brasil?

— Sempre gostei de tapioca. No Nordeste é o alimento de todas as horas. É hábito há muito tempo. Quando vim para Florianópolis, há sete anos, tinha até dificuldade em encontrar a goma pronta. Hoje virou moda — conta Roberto Mosanio.

Mais de um ano de pesquisas

Antes de abrir as portas em agosto passado, Samilla e Roberto passaram um ano e três meses dedicados à pesquisa e teste dos pratos.

— Cada vez que fazíamos um prato, pensávamos em outras ideias. O mundo da mandioca é infinito, e descobrimos muitas outras formas de usá-la. Estamos até segurando as ideias, caso contrário o cardápio viraria um livro — brinca Roberto Mosanio.

Petit gateau de tapioca: até o sorvete é à base de mandioca Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

A partir dos famosos e crocantes dadinhos de tapioca, por exemplo, eles perceberam que, a depender da granulação da farinha, a massa poderia virar bolinhas, massa de pastel ou até nhoque.

Cardápio é um cordel

Tudo na Oka de Maní é inspirado na cultura indígena. Das cores nas paredes à decoraçaõ. Tem até os deuses Jaci e Guaraci — respectivamente a deusa lua e o deus sol, segundo a mitologia tupi — estampando as portas dos banheiros feminino e masculino.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

— Queremos fazer uma homenagem aos povos indígenas. Com a investida do setor agrícola nas terras deles, com a crise, eles são os que mais sofrem. Na escola aprendemos sobre mitologia grega, romana. A mitologia indígena é pouquíssimo difundida — lamenta o empreendedor.

O cardápio também é bem brasileiro e feito em forma de cordel, gênero literário popular e rimado. Há 16 tipos de petiscos, 10 sobremesas, 14 tipos de tapiocas, 3 sabores de bobós e saladas.  Para os drinques, além das combinações clássicas, há variações de caipirinha: limão com xarope de capim-limão, tangerina com cravo, maracujá com pimenta rosa e caju com hortelã.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Os valores dos pratos variam entre R$ 10,90 até R$ 42,90.

Radioka e programação musical

A música na Oka de Maní é levada a sério. Na alta temporada, de quinta a domingo, o espaço abre as portas para atrações musicais. O foco é sempre música brasileira e artistas que produzem na cidade. Quinta é dia de choro; sexta é o Happy Oka, versão happy hour da mandiocaria; sábado é dia de discotecagem de brasilidades; e domingo é a noite do forró.

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Nos outros dias a música é por conta da Radioka, a playlist oficial da Oka de Maní com uma seleção de música brasileira.

O tal do Rio Tavares

A mandiocaria fica na rodovia Antônio Luiz Moura Gonzaga, conhecida como a ¿geral do Rio Tavares¿. Há até dois anos, o bairro era como o ¿primo menos popular¿ do Campeche e hoje está em ascensão, com rota gastronômica que vem sendo aos poucos ampliada. Os restaurantes e bares da área têm uma pegada saudável e descolada.

Além da Oka de Maní, destaque para o Natú - Gastronomia Saudável, para a Vila Gastronômica Seu Tavares e o famoso Só Açaí.

— Abrir um espaço no Rio Tavares surgiu da vontade de ter opção musical e gastronômica diferente no bairro — diz Samilla Paiva.

Mandioca, o alimento do século 21

A mandioca foi eleita como o alimento do século 21 pela ONU e não à toa a tapioca vem ocupando o lugar do tradicional pãozinho francês. A raiz tem dois tipos de carboidratos, além de um arranjo de fibras e amidos. Era o segredo da disposição dos povos indígenas e também passou a ser fonte de energia para os europeus, que na época da colonização trocaram o pão de trigo pelo beiju.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a mandioca é o terceiro alimento mais importante como fonte de calorias nos países tropicais, depois do arroz e do milho. É facilmente cultivada e faz parte da estratégia de combate à fome na África, América do Sul e Ásia.  

Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Endereço: Rodovia Antônio Luiz Moura Gonzaga, 4.078, Rio Tavares, Florianópolis. Tel.: (48) 3371-3450

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