Escola Bolshoi forma 19 novos bailarinos neste fim de semana em Joinville - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Dança09/12/2016 | 07h31

Escola Bolshoi forma 19 novos bailarinos neste fim de semana em Joinville

Jovens de 17 a 20 anos começam agora a busca pelo sonho no difícil mercado de trabalho da dança

Escola Bolshoi forma 19 novos bailarinos neste fim de semana em Joinville Maykon Lammerhirt/Agencia RBS
Neste ano, 19 alunos do curso técnico em dança clássica se formam na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil Foto: Maykon Lammerhirt / Agencia RBS
Cláudia Morriesen

claudia.morriesen@an.com.br

Em dois dias, 19 novos bailarinos se tornarão profissionais. Eles deixam as salas de aula da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, e ganham este nome forte no currículo – um elemento distinto para jovens com idades entre 17 e 20 anos. Enquanto a maioria dos adolescentes sai do ensino médio tentando acertar na escolha da faculdade, a turma que se forma na oitava série do curso técnico de nível médio em dança clássica do Bolshoi está um passo à frente, focada em dar início a uma carreira.

Melyna Cristiane de Oliveira, 18 anos, preferiu adiantar esta escolha. A garota, que deixou Ibiporã (PR) aos 11 anos para viver em Joinville e estudar dança, já sabe que seu futuro será compartilhar conhecimentos, a começar por aqueles adquiridos em oito anos de Bolshoi.Por isso, quando o diretor-geral do Bolshoi, Pavel Kazarian, anunciou aos formandos a possibilidade de estagiarem na docência dentro da escola, Melyna aproveitou a oportunidade e começou o último ano de aluna também como assistente da professora de dança clássica das meninas da primeira série, Camila Abreu – ela mesma ex-aluna do Bolshoi joinvilense.



– Meu trabalho era acompanhar as aulas e ajudar a corrigir as alunas. Como a Camila também é integrante da Cia. Jovem, ela precisava viajar para os espetáculos, e já na segunda semana de estágio eu fiquei sozinha por uma semana com as alunas – recorda ela.

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A jovem percebeu cedo que ensinar era seu projeto de carreira. Nos três dias em que outras crianças e adolescentes participam de testes para tentar uma vaga, os alunos têm a chance de atuar como voluntários, e Melyna “trabalhou” nas audições desde que estava na primeira série.

– Agora, quero fazer faculdade de educação física com o plano de fazer com que o balé, mais do que uma arte, seja um esporte físico de alto rendimento, mais seguro e anatômico para os bailarinos – diz.

Segundo Pavel, o desejo de se tornar professor faz parte da tríade dos planos de quem se forma no Bolshoi. A maioria, é claro, sonha em se tornar bailarino e, para isso, começa a fazer audições para companhias de dança, ou começa pela Cia. Jovem Bolshoi Brasil. A terceira opção é fazer faculdade em outra área.

À procura da companhia ideal

Quando o joinvilense Marcos Vinicius dos Anjos, 17 anos, participava das rodas de conversa sobre vestibular com os colegas e professores do terceiro ano do ensino médio, era difícil explicar que não estava preocupado com as provas temidas pelos colegas de classe, mas pesquisando as companhias de dança que mais se encaixam em seu perfil de bailarino. Ele, que aceitou participar da seletiva do Bolshoi aos oito anos, ainda sem nem mesmo saber o que a escola ensinava, agora enfrenta a crise de ter um diploma que o permite ser profissional sem ter idade suficiente para buscar uma vaga.

– As companhias de dança não aceitam menores de idade em suas audições, então eu preciso esperar maio de 2017 para começar a tentar uma vaga – relata Marcos.

Quando a maioridade chegar, ele já tem olhos para uma companhia sonhada: a English National Ballet, em Londres. Olhar para fora do Brasil é o caminho mais comum para aqueles que querem se tornar bailarinos, especialmente em um momento de crise econômica, quando grupos de dança tradicionais vivem dificuldades para se manterem atuando.

– Hoje, é comum que toda companhia internacional tenha pelo menos um brasileiro. É uma pena, porque temos vários artistas qualificados que, infelizmente, precisam deixar o País, e só perdemos com isso – avalia Pavel.

O espetáculo final dos formandos ocorre hoje e amanhã, em apresentações fechadas para convidados no Teatro Juarez Machado, com patrocínio da Caixa Econômica Federal. Eles apresentam trechos de balés clássicos como Don Quixote e O Lago dos Cisnes, e obras contemporâneas, como as coreografias Jurei pro Amor um Dia te Encontrar e Elixir, que foram criadas especialmente para a escola.

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