"Vivemos muitos resquícios de séculos de uma forte repressão sexual", diz a sexóloga Laura Muller  - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Entrevista07/12/2016 | 15h37Atualizada em 07/12/2016 | 15h56

"Vivemos muitos resquícios de séculos de uma forte repressão sexual", diz a sexóloga Laura Muller 

Especialista lançou recentemente livro "Sexo para adultos: tudo o que você sempre quis saber, mas não tinha coragem para perguntar"

"Vivemos muitos resquícios de séculos de uma forte repressão sexual", diz a sexóloga Laura Muller  Renato Parada/Divulgação
Foto: Renato Parada / Divulgação

Acostumada a responder centenas de dúvidas dos jovens sobre sexo, chegou a vez da sexóloga Laura Muller dar ouvidos às questões dos adultos. No seu sexto e mais recente livro, "Sexo para adultos: tudo o que você sempre quis saber, mas não tinha coragem para perguntar", a especialista reúne as perguntas que mais recebe pelas redes sociais, por e-mail e nas palestras que faz pelo Brasil.

Há dez anos à frente de um quadro em que elucida questões sobre sexualidade no programa Altas Horas, da Rede Globo, Laura começou a carreira como editora de sexo da revista Cláudia. A proximidade com o tema fez com que ela cursasse uma pós-graduação em Educação Sexual, o que deu a ela o título de sexóloga. Foi quando começou a dar palestras e escrever sobre o assunto é que veio a oportunidade de cursar Psicologia para poder atender em consultório.

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— Hoje, integrei tudo isso — disse em entrevista concedida por telefone.

Confira os principais trechos da entrevista.

Por que os adultos ainda têm tantas dúvidas envolvendo sexo?
Porque o sexo ainda é um assunto tabu na nossa cultura. A gente viveu séculos de uma repressão sexual muito forte em cima das mulheres, mas também dos homens. Hoje, estamos muito mais abertos para falar sobre sexualidade em diversos locais, mas ele ainda é tabu.

Qual é a principal fonte de informação sobre sexo para adultos?
Eles têm buscado informação em diversos locais. A internet tem sido uma grande fonte de informação. Há sites de qualidade, como o do Ministério da Saúde. Eu mesma tenho um site, forneço conteúdo pelas redes sociais. Mas também em palestras, que tiveram um aumento no seu número. Programas de televisão também servem para informar. Estou no Altas Horas há dez anos falando sobre esse assunto e o programa é assistido por adultos. Então, eles buscam se informar na mídia como um todo, mas buscam também especialistas no assunto. Não são todos os adultos que fazem isso, mas já temos grande parte das pessoas que têm esta atitude de busca de informação.

A nova geração está mais informada sobre o assunto?
A população como um todo está mais informada sobre o assunto. Os jovens também estão mais informados porque o assunto tem sido falado em algumas escolas, mas isso ainda está longe de ser o ideal. Desde 1997, o tema sexualidade deveria estar como transversal nas instituições de ensino dos seis anos até o Ensino Médio. Isso é sugestão dos Parâmetros Curriculares Nacionais, que dão as diretrizes para o ensino em todo o país. Mas isso não é uma realidade em todas as escolas brasileiras. A cada ano, vou observando pela minha prática que as coisas estão se abrindo, que a discussão sobre sexualidade em casa, na sociedade como um todo, na escola, na mídia, está cada vez mais ampla, mas a gente ainda tem muito o que caminhar.

Os tabus de hoje ainda são os mesmos do passado?
Ainda tem hoje os mesmo tabus que tínhamos no passado. Pode ser de uma forma diferente, mas há muitos resquícios desses séculos de uma repressão sexual bem forte. Tem o tabu do orgasmo, o mito do corpo perfeito, mito de que o homem precisa ter um pênis enorme para satisfazer a mulher, o tabu da frequência sexual, do sexo anal. Enfim, temos uma série de práticas sexuais que geram constrangimentos, dúvidas e preocupações. A dica que eu sempre dou para as pessoas é: não existe um padrão a ser seguido por todas as pessoas, por exemplo, tem que transar "x" vezes por semana ou por mês. Cada um é que deve se perguntar qual é sua frequência ideal, qual o seu jeito melhor de fazer sexo, o que gosta de fato na cama e o que não gosta e fazer as coisas à sua maneira. Um limite é sempre se respeitar e também respeitar a pessoa que está ao lado.

Qual é a importância do sexo para o bem-estar?
A importância do sexo pode ser bastante grande. Ele pode dar colorido à vida, energizar a pessoa, enfim, pode ser um grande prazer que vai trazer um bem-estar na vida como um todo: físico e emocional. Mas desde que a pessoa esteja realmente a fim. Que esteja com uma parceria bacana, que esteja confortável para viver as práticas sexuais.

Quais são os grandes dilemas referentes ao sexo para as mulheres?
As principais dúvidas das mulheres, que eu coloco neste livro, têm a ver com a obtenção do orgasmo, a dificuldade de chegar lá e como fazer isso, fingir ou não. Eu recomendo não fingir, e tem tratamento para quem tem uma dificuldade em chegar ao orgasmo. Muitas mulheres se queixam também da dificuldade da penetração, a dor na penetração e da redução do desejo.

Quanto aos homens, quais são as principais dúvidas?
Elas giram em torno da ereção, como ter e mantê-la. Também sobre a ejaculação rápida ou precoce: como controlá-la e os tratamentos para isso. Tem surgido algumas questões de baixa de desejo também no mundo masculino e uma pequena parcela dos homens tem se queixado de dificuldade para ter orgasmo. Isso é mais recente. No passado, quando eu comecei a trabalhar com educação sexual, no final dos anos 1990, não tinha tanta dificuldade masculina em torno do orgasmo e, agora, a gente já observa uma porcentagem se queixando disso.

Dê três dicas para as pessoas sobre sexo.
Primeira coisa: não se cobre tanto. Deixe as coisas rolarem no seu jeito, no seu tempo. E nem cobre o parceiro ou a parceira que está ao lado. Segunda dica: a pessoa precisa entender que não é porque ouviu alguma coisa na mídia ou porque sabe que alguns colegas fazem isso ou aquilo, que também tem de fazer. É uma questão de limites, cada um só deve ir na cama até onde aquela prática for bacana para si e para quem está ao seu lado. De novo, é a questão do respeito. Respeitar os próprios limites e os de quem está ao lado. Terceira dica é ter uma atitude de busca de informação. Quando a pessoa tiver com dúvidas, pode ler uma matéria ou buscar onde quiser esclarecimento. Isso só ajuda a viver uma sexualidade de uma forma mais responsável, saudável e mais prazerosa. E, claro, eu vou acrescentar uma quarta: indico o meu livro "Sexo para adultos", que eu estou adorando divulgar e que acabou de chegar nas livrarias. Ele está aí para tentar esclarecer dúvidas femininas e masculinas do mundo adulto. 

Serviço
Livro "Sexo para adultos: tudo o que você sempre quis saber, mas não tinha coragem para perguntar"
Editora Leya,
176 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90

 

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