Conheça Cores de Aidê, banda de samba-reggae formada por mulheres em Florianópolis - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Empoderadas04/01/2017 | 03h01Atualizada em 04/01/2017 | 08h49

Conheça Cores de Aidê, banda de samba-reggae formada por mulheres em Florianópolis

Unindo percussão, dança e canto, grupo realiza ensaios abertos e oficinas todos os sábados na sede da escola de samba Copa Lord

Conheça Cores de Aidê, banda de samba-reggae formada por mulheres em Florianópolis Betina Humeres/Agencia RBS
Foto: Betina Humeres / Agencia RBS

— Eu sou isso. Essa sou eu!

Já com idade avançada, a mulher que assistia a uma das apresentações de Cores de Aidê no ano passado se redescobria na dança, no ritmo da percussão e nos versos de exaltação ao feminino. Era poder o que ela sentia, o mesmo que as mulheres que formam a banda de samba-reggae de Florianópolis sentem ao mostrar e compartilhar que, para além da beleza, estão a liberdade e a autonomia de fazer o que se quer. Inclusive tocar instrumentos pesados, como o tambor, geralmente associados aos homens, sorrindo e cantando.

Por que apenas mulheres? Porque sim. Formada há um ano e 11 meses, Cores de Aidê é hoje mais que uma banda. É um movimento de transgressão ao que oprime e ao padrão. É um movimento de expressão feminina que carrega o legado de uma herança cultural e sagrada, o samba-reggae. O que essas mulheres lindas, talentosas, negras, loiras, de todas as cores fazem é um som único, justamente porque cantam aquilo que acreditam.

— Samba-reggae é manifestação da cultura afro. E a expressão dos povos africanos e afro-brasileiros é feita pelo corpo e pela música. A gente respeita isso e vê que não pode ser separado. É uma coisa só — diz a percussionista Sarah Massí.

O gênero nasceu na Bahia e, em muitos grupos, carrega uma conexão com a religião. Por isso, tanto música quanto movimentos corporais são associados ao sagrado. Muito embora inspirado nos blocos de Salvador, Cores de Aidê faz uma releitura dessa tradição, com identidade bem particular nas três frentes: a dança, a percussão e o canto.

—Tocar o tambor e dançar é muito simbólico. Mostra que a gente pode e deve fazer o que quiser e estar em todos os lugares. Esse é um movimento em todo Brasil. A gente trabalha com composições nossas, que falam de mulheres diversas para outras mulheres — diz a cantora Dandara Manoela.

— Quase toda vez que a gente toca eu me emociono muito. Teve uma vez que tinha essa mulher negra nos assistindo e a todo instante ela chorava. Há uma força que não é só nossa. Essa mulher, vendo a gente dançar e cantar, se via representada. Também sou ela, somos a mesma pessoa. É bom sentir que as mulheres se empoderam quando entram em contato com elas mesmas por meio daquilo que a gente faz — complementa Sarah.

Os homens também aprendem a admirar, e as piadinhas vão dando lugar ao respeito.

BLOCO NA RUA

Cores de Aidê começou como um grupo de 15 mulheres que se encontrava na Rua do Quilombo, no Itacorubi. No começo elas se apresentavam em festas e casas noturnas. Mas a essência do samba-reggae, que é um movimento de rua, falou mais alto. As vozes de tantas outras mulheres que gostariam de participar do movimento também.

A banda se expandiu para um grande bloco por onde já passaram mais de 200 mulheres. Todos os sábados, entre 11h15min e 13h, Cores de Aidê realiza ensaio aberto e oferece oficinas de dança e percussão na sede da escola de samba Copa Lord, no Morro da Caixa, Centro da Capital.

Além da música e da dança, existe a preocupação em discutir questões sociais pertinentes, com encontros mensais para diálogo aberto sobre temas como o racismo, por exemplo.

QUEM FOI AIDÊ?

Foi uma negra escrava cujo senhor ofereceu a liberdade em troca de casamento. Aidê não aceitou, fugiu para um quilombo e foi estar com os seus. Sua história é contada em cordéis e em cantigas de capoeira. Ela representa a mulher de força que está em diversas faces e cores, de todas as idades e realidades.

— Nos inspiramos nessa mulher porque não vendemos os nossos valores — conclui Dandara.

O primeiro ensaio do ano será neste sábado.

Mais informações na página oficial.

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