Conheça Cristiano Ferreira, o engenheiro elétrico que é um dos principais nomes do blues de SC   - Diversão & Estilo - O Sol Diário

VÍDEO11/01/2017 | 09h20Atualizada em 11/01/2017 | 17h35

Conheça Cristiano Ferreira, o engenheiro elétrico que é um dos principais nomes do blues de SC  

O guitarrista assina a direção do Blues in Concert, espetáculo com músicos catarinenses que homenageiam os mestres do gênero

Conheça Cristiano Ferreira, o engenheiro elétrico que é um dos principais nomes do blues de SC   Diorgenes Pandini/Agencia RBS
Cristiano Ferreira: de sideman a um dos principais nomes da cena blues do Estado Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Sem guitarra, Cristiano Ferreira tem o estereótipo de um tipo sério, formal e certinho. Mas antes do engenheiro elétrico, profissão a qual se dedicou até seis meses atrás, veio o músico. Aos 12 anos, quando o primeiro professor de violão ensinou a escala pentatônica (as blue notes), veio também o tal do sentimento blues. Afinal, mais que um estilo de fazer música, o blues é a genuína manifestação cultural e de lamento de um povo que clamava por igualdade. De sideman, o gaúcho radicado em Florianópolis há mais de 10 anos passou a um dos principais nomes da cena blueseira de Santa Catarina. Ele assina a direção do Blues in Concert, segunda edição do espetáculo em cartaz na quinta-feira no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis.

O guitarrista de 39 anos toca desde os anos 1990, e, ainda que de forma paralela ao trabalho como professor e engenheiro, sempre encarou a música de forma profissional. Na verdade, Ferreira é uma enciclopédia ambulante do blues:

— Eu sou um pouquinho cientista. O blues tem apelo cultural forte. Cada canção tem história, está relacionada com a época em que foi composta. Tem alguns estilos que eu sinto muito. O delta blues, por exemplo, é muito sofrido. E para tocar é necessário apropriar-se de um sofrimento que não é nosso. Eu sinto — diz.

Ferreira sempre fez o trabalho de sideman. Por ser um camaleão — ele vai da vertente rural ao Texas blues (leia sobre os estilos abaixo) — executa muito bem o papel de contribuir para exaltar o trabalho do frontman. Mas o cientista virou o principal. Em Santa Catarina, deu início à carreira solo e agora finaliza o segundo disco, além de participar de outros projetos, como fazer parte da banda Brass Groove Brasil.

— Quando cheguei, só conhecia uma banda, Carlos May and The Fast Jumpers. E fui descobrindo a cena local.

O forte, na época, eram as bandas de bar e ao longo dos anos os músicos têm se profissionalizado. Para Ferreira, o público catarinense ainda não consegue enxergar quem são os bluseiros do Estado. Muito embora o festival Jurerê Jazz tenha aberto uma noite dedicada ao blues, ainda não existe um festival específico. Há em Florianópolis o Chicago Connection, evento de um dia que traz músicos da cena americana.

Homenagem aos mestres do estilo

Na segunda edição, o espetáculo Blues in Concert reúne alguns dos principais músicos do Estado para homenagear mestres do blues, do estilo rural de Robert Johnson ao blues urbano de B.B. King, passando pela sofisticação de T-Bone Walker e a voz marcante de Etta James.

— É o embrião de algo muito especial. A ideia é rodar Santa Catarina com convidados locais - adianta Ferreira.

Foto: Diorgenes Pandini / Agencia RBS

Vertentes do gênero

Texas Blues
Tipicamente tocado com mais swing que outros estilos. Feito com muita guitarra e performance.

Chicago Blues
Popular a partir dos anos 50 e 60. Foi criado em Chicago e teve a adição de instrumentos elétricos. Mais pesado e denso.

Blues Rural
É tocado no violão e remete aos lamentos dos homens negros da região do Delta do Mississipi.

Jump blues
É o blues que se mistura com o jazz, popular a partir dos anos 40 e 50. Com instrumentos de sopro.

O marco do blues

O marco é 1903, quando W. C. Handy (1873 - 1958), trompetista que morava no Norte dos Estados Unidos, certa vez viajava de trem para o sul, onde regeria bandas. No trajeto, viu um homem negro tocando violão e anotou o que ouviu. Começou a compor a partir daí. Em sua autobiografia, intitulou-se o pai do blues por ter sido o primeiro a escrever. Até então era uma manifestação cultural.

As primeiras gravações são das décadas de 20 e 30. E a música foi consumida apenas pelos negros, o que se chamava de Race Records. Um circuito de música negra que ficou fechado até a década de 60. O reconhecimento ocorreu a partir de 1970 para cá.

AGENDE-SE

O quê:
Blues in Concert
Quando: amanhã, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa, no CIC (Av. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis)
Quanto: R$ 30 / R$ 15
Informações: (48) 3664-2628

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