Criolo fala sobre nova versão de "Ainda há tempo", álbum relançado com a retirada de versos machistas  - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Entrevista20/01/2017 | 09h23Atualizada em 20/01/2017 | 09h33

Criolo fala sobre nova versão de "Ainda há tempo", álbum relançado com a retirada de versos machistas 

Músico se apresenta em Florianópolis neste sábado no Floripa Flow, festival que reúne Emicida, Rael e MC Marechal no Centrosul

Criolo fala sobre nova versão de "Ainda há tempo", álbum relançado com a retirada de versos machistas  Andréa Graiz/Agencia RBS
Foto: Andréa Graiz / Agencia RBS

Não custa nada você mudar, aconselha Criolo. Dez anos depois de Ainda há Tempo, álbum de estreia do rapper paulista, ele relança a obra com um olhar mais generoso para si próprio e para o ser humano, uma raça que ele considera tão jovem e ainda com tanto a aprender. Com letras reformuladas, o novo show do velho disco será apresentado amanhã no Floripa Flow, festival que reúne na mesma noite Emicida, Rael e MC Marechal no Centrosul, em Florianópolis.

— Mexi não só em coisas desse disco, mas no meu geral. A gente às vezes usa jargão popular, mas não percebe que magoa as pessoas — disse, por telefone, referindo-se às letras de canções, algumas escritas há 20 anos.

— Quando você fala: "os travecos tão ali, alguém vai se iludir". Você pode dizer: "o universo está aí, alguém vai se iludir". Não te custa nada mudar. Porque era essa a ideia que queria passar. Quando você fala: "as vadia querem, mas nunca vão subir", você muda: "as vazias (de pessoas vazias) querem, mas nunca vão subir". Você muda completamente, sem perder a força, sem perder o que realmente de coração quer passar.

Por que relançar um disco, em vez de lançar um álbum de inéditas? Criolo diz que não existe problema nenhum em pedir desculpas:

— Estamos aqui para tentar aprender alguma coisa. Se não, não precisava vir para esse planeta de expiação.Diante da barbárie social que vê no mundo, diz que continua igual a todo mundo, cheio de esperança.

—A gente não pode perder a esperança no outro. Isso não significa que a gente feche os olhos para as coisas erradas – diz o músico de 41 anos.

Embora o primeiro disco tenha sido lançado em 2006, desde 1989 Criolo é um nome conhecido na cena hip hop. À época ele ainda usava o adjetivo Doido e já organizava a Rinha dos MCs, em São Paulo.

Mercado e o rap

— Quando completei 20 anos de carreira, fiz uma apresentação e disse a algumas pessoas que iria contribuir com a minha arte de outro jeito, fora dos palcos. Um amigo sabia que eu tinha um monte de música que não era rap. Ele disse: vamos dar um jeito de você registrar isso, pra você guardar. Assim nasceu Nó na Orelha.

Não que Criolo tenha planejado uma mudança estética, mas o fato é que após Nó na orelha, em 2011, ele extrapolou o rap para abraçar a afro-brasilidade e misturá-la às rimas.

— Eu canto há 28 anos. E de cinco anos pra cá, algo diferente aconteceu. Por isso o mercado musical é uma coisa distante da minha vida. Tudo o que a gente faz, deixa disponível, gratuito nas plataformas. E é assim que a gente faz. É devagar, minha filha.

Já Emicida apresenta, pela primeira vez em Florianópolis, o álbum Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, lançado em 2015 e inspirado na África. 

Foto: Divulgação / Divulgação

Rael da Rima, conhecido pelas letras românticas, traz o show do trabalho lançado ano passado, Coisas do Meu Imaginário

MC Marechal, criador do projeto Batalha do Conhecimento, vai apresentar músicas como Guerra e Sangue Bom.

AGENDE-SE

O quê
: Floripa Flow, com Criolo, Emicida, Rael e MC Marechal
Quando: sábado
Abertura: 20h30min, com a Discopeia (apresentação de DJs)
Previsão dos shows: 22h (produção não divulgou a ordem dos shows)
Onde: Centrosul (Av. Gustavo Richard, 850, Centro, Florianópolis)
Quanto: R$ 100 / R$ 50 (meia e para quem doar 1kg de alimento). Sócios do Clube do Assinante têm 50% de desconto. Valores sujeitos à alteração. À venda via diskingressos.com.br
Estacionamento: R$ 30
Alimentação: terá área para food trucks

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