SC dá salto em aprendizado em matemática e português no ensino fundamental, mas regride no médio - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Todos Pela Educação18/01/2017 | 03h06Atualizada em 18/01/2017 | 09h24

SC dá salto em aprendizado em matemática e português no ensino fundamental, mas regride no médio

Estado tem maior salto do país no 9º ano nas duas disciplinas, porém caiu acima da média nacional em matemática no ensino médio

SC dá salto em aprendizado em matemática e português no ensino fundamental, mas regride no médio Leo Munhoz/Agencia RBS
Foto: Leo Munhoz / Agencia RBS

Santa Catarina ocupa as primeiras colocações em ranking nacional de aprendizado de alunos do 5º ano do ensino fundamental em português e matemática. Além disso, o Estado deu o maior salto do país entre 2013 e 2015 no 9º ano. Quando se trata de ensino médio, porém, apresenta estagnação e queda no aprendizado dessas disciplinas. Os dados, que reforçam o já conhecido abismo entre o desempenho do ensino fundamental e médio, foram divulgados nesta quarta pelo movimento Todos Pela Educação (TPE). Os indicadores usam como base resultados da Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica) de 2015. 

Para o diretor de políticas e planejamento educacional da Secretaria de Educação de SC, Gilberto Agnolin, esses indicadores devem ser entendidos como um processo de melhoria cíclica e estão relacionados a um trabalho de longo prazo. 

— Isso não se colhe de um ano para o outro. Os resultados no ensino médio, por exemplo, devem chegar em indicadores de 2017 até, talvez, o Ideb de 2019  — diz.

Entre os indicadores do 5º ano, SC ocupa primeira posição em percentual de alunos com aprendizado de português adequado à série no país, já em matemática fica em terceiro lugar. Para Agnolim, o fim da aprovação automática em 2013 impacta nos melhores indicadores, porque antes os alunos não se sentiam responsabilizados. Outro fator apontado é o Programa Estadual Novas Oportunidades de Aprendizagem (Penoa), que oferece reforço a alunos com dificuldade em leitura, escrita e cálculo.  


Avanços perdem fôlego do 5º ano em diante

A presidente-executiva do TPE, Priscila Cruz, afirma que os dados vão na mesma direção do que o último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) apontou, com melhora significativa no aprendizado do 5º ano na última década. 

— É como se fosse uma fotografia do país sob as lentes da educação. Em 2005, o Brasil era péssimo, hoje tem uma situação muito melhor — destaca.

Os avanços no 5º ano, porém, perdem fôlego nos anos seguintes. O 9º ano do ensino fundamental reflete as dificuldades já conhecidas da etapa. Em SC, apesar do salto de 14,7 e 10,5 pontos percentuais no aprendizado de português e matemática, respectivamente, entre 2013 e 2015, que levou o Estado a assumir a liderança do ranking nacional, os índices do 9º ano são bem menores que os dos anos iniciais. O pior percentual aparece em matemática, disciplina em que apenas 28,7% dos alunos de Santa Catarina dessa faixa etária apresentam aprendizado adequado à série. 

Matemática está distante do dia a dia dos estudantes

O ano que exige mais atenção, conforme já mostraram outros indicadores educacionais, é o 3º ano do ensino médio. Nesse estágio de ensino o Estado apresentou estagnação em português e queda de três pontos percentuais em matemática entre 2013 e 2015, decréscimo superior ao nacional de dois pontos. Em matemática, de cada 100 alunos catarinenses apenas 9,3 têm aprendizado adequado à série. Em português o índice é de 32,8%.

— SC é um Estado industrializado, com índices menores de desemprego e não deveria ter uma queda tão acentuada — defende a presidente-executiva do TPE.

Priscila ainda explica que a leitura e escrita estão mais presentes no dia a dia dos adolescentes, o que acaba melhorando o nível em português. Mas esses alunos não estão tão imersos em matemática e as escolas falham no ensino da disciplina.

— A escola não está fazendo o trabalho dela. Hoje os alunos do ensino médio estão em um sistema feito para não dar certo. Agora como que ele vai navegar pelo século 21, que é o século da tecnologia e inovação, sem o conhecimento básico em matemática? — questiona.

O professor do curso de pedagogia da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Norberto Dallabrida não se surpreendeu com os dados e afirma que o ensino médio sempre foi o elo mais frágil da educação. Para ele, a formação de professores de português é mais disseminada, já matemática tem menos cursos e  possibilidades de atuação além das salas de aula, defende Dallabrida. Esses fatores também podem impactar nos dados.

— No ensino médio o aluno entra no vazio. Não é só a questão econômica, por necessidade de trabalhar, mas o mesmo conteúdo para todos não atrai. O ensino fundamental é um bloco mais articulado  — diz. 



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