Coletivo lança edição extraoficial do Salão Nacional Victor Meirelles - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Edital-manifesto08/02/2017 | 03h00Atualizada em 08/02/2017 | 10h34

Coletivo lança edição extraoficial do Salão Nacional Victor Meirelles

Importante concurso de artes visuais que deveria ser promovido a cada dois anos pelo Governo do Estado foi realizado pela última vez em 2008. Inscrições para a edição alternativa estão abertas até 25 de março

Coletivo lança edição extraoficial do Salão Nacional Victor Meirelles Lela Martorano/Divulgação
Fotografia da série "Varais", de Lela Martorano, premiada no V Salão Nacional Victor Meirelles (1997)  Foto: Lela Martorano / Divulgação

De tanto esperar por uma nova edição do Salão Nacional Victor Meirelles (SNVM), realizado pela última vez em 2008, artistas de Florianópolis fizeram uma versão extraoficial do concurso. No edital-manifesto (leia neste link), lançado no dia 3 de fevereiro, o Nacasa Coletivo Artístico defende que o fortalecimento da cena artística regional esteve relacionada, em grande medida, com o Salão. Por isso tomou a iniciativa de fazer uma espécie de Salão ¿clandestino¿. As inscrições estão abertas até o dia 25 de março e todas as obras inscritas serão expostas, sem curadoria, entre 1º e 30 de abril, na sede do Coletivo (Rua José Francisco Dias Areias, 359, Trindade).

Criado em 1993 pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC), o Salão tinha o objetivo incentivar a produção atual das artes visuais no Brasil e torná-la acessível ao público catarinense, promovendo encontros e discussões pertinentes. Foram realizadas 10 edições — até 1997 de abrangência apenas estadual e depois nacional. Foi consagrado pela crítica como um dos mais rigorosos do país e oferecia prêmios em dinheiro para os selecionados e para as obras contempladas com os primeiros lugares.

Artistas como Paulo Gaiad, Lela Martorano e Laerte Ramos, nomes importantes no circuito de artes, já tiveram trabalhos selecionados. Entre os curadores, o Salão já contou com a expertise de Fernando Lindote e Charles Narloch.

— Há quase 10 anos o Salão não é realizado. Fizemos um edital-manifesto, o que reforça essa nossa posição periférica. Salões são importantes porque trazem um panorama do que se está pensando, além de colocar a cidade no circuito das artes — destaca Diego de los Campos, integrante do Nacasa e um dos artistas proeminentes da cena contemporânea.

No manifesto, o coletivo ressalta as promessas feitas desde 2008 sobre o próximo lançamento: ¿ano após ano contamos apenas com promessas (...) e ficamos sem o retorno das autoridades sobre a real situação do salão¿, diz o documento. O grupo está aberto a conversas e parcerias com a FCC, caso o órgão deseje apoiar.

Em nota, a Fundação informou que desde que a nova gestão assumiu, em janeiro, estabeleceu como prioridade a realização dos editais previstos em lei, entre eles o Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura (Lei 15.503/11). A nota diz ainda que o edital abrange o Prêmio Catarinense de Artes Visuais, que ¿cumpre papel de fomento à produção artística no campo das Artes Visuais¿.

¿Cabe lembrar que, dada a natureza do projeto, somente a FCC dispõe das condições legais e técnicas para realizar e promover o Salão. Embora não conte com o amparo de uma lei que o regulamente, a FCC reconhece sua histórica relevância e está trabalhando na busca de outras fontes financeiras, conforme consta no planejamento da atual gestão¿ continua o texto.

A IMPORTÂNCIA DOS SALÕES DE ARTE

A artista Karina Zen, que já foi premiada em salões como o 11° Salão de Artes Visuais de Guarulhos e Salão de Artes Plásticas – Anuário de Embu das Artes (SP), foi uma entre tantos artistas que celebraram a edição-manifesto do Salão Victor Meirelles.

— É quase um ato político — opina ela.

A artista Lela Martorano, contemplada na quinta edição do concurso (1997) com o prêmio Referência Especial pela série de fotografias Varais, relembrou a importância do Salão para o desenvolvimento de sua obra:

— Foi determinante no meu trabalho receber um prêmio, em 1997, no Salão Victor Meirelles, um dos mais respeitados do Brasil na época, e que tinha na comissão julgadora críticos de arte como Nelson Aguilar, Lisette Lagnado e Aracy Amaral. Eu estava começando a trabalhar com a fotografia, justo quando essa expressão se afirmou de maneira definitiva como linguagem de arte contemporânea. Acho excelente a provocação do Nacasa, um coletivo que trabalha de forma independente e que está utilizando a arte, nossa ¿arma¿, para questionar e criticar o total descaso com a cultura, que infelizmente impera no nosso Estado — disse, por e-mail. Lela atualmente vive na Espanha, onde terminou doutorado. No próximo sábado ela inaugura exposição na cidade de Málaga.

No edital-manifesto, a organização lança uma provocação: será que a próxima edição oficial do Salão irá considerar a promovida pelo Nacasa? Será a 11ª ou a 12ª?

Você sabia?
A origem dos salões oficiais no Brasil foi a partir da Exposição Geral de 1840. Somente depois da proclamação da república que grandes mostras assumem o nome de Salão. Os primeiros foram o Salão Nacional de Belas Artes e depois de Arte Moderna.

Circuito de salões importantes 

- Salão Paranaense — Museu de Arte Contemporânea do Paraná (65 edições)
- Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (48 edições)
- Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, em Santo André (SP) (45 edições)
- Prêmio CNI-Sesi Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas (seis edições)

Conheça:
5 artistas revelados pelo SNVM, que são nomes importantes no circuito nacional

- Paulo Gaiad (SC)
- Ricardo Kolb (SC)
- Lela Martorano (SC)
- Fabiana Wielewicki (PR)
- Laerte Ramos (SP)

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