"Cantar Tom Jobim é aprender sobre música", diz portuguesa Carminho, que faz show em Porto Alegre - Diversão & Estilo - O Sol Diário

No tom do fado21/03/2017 | 20h03Atualizada em 21/03/2017 | 20h03

"Cantar Tom Jobim é aprender sobre música", diz portuguesa Carminho, que faz show em Porto Alegre

Cantora lançou disco com músicas do compositor brasileiro no ano passado

"Cantar Tom Jobim é aprender sobre música", diz portuguesa Carminho, que faz show em Porto Alegre Leo Aversa/Divulgação
Cantora portuguesa Carminho apresenta-se em Porto Alegre com músicos que tocaram com Tom Jobim por 10 anos Foto: Leo Aversa / Divulgação

No final do ano passado, António Zambujo cantando Chico Buarque, agora Carminho revisitando Tom Jobim (1927 – 1994): Porto Alegre recebe nesta quarta mais um grande intérprete português contemporâneo que homenageia um mestre da música brasileira de todos os tempos. Acompanhada por músicos que fizeram parte da Banda Nova, que tocou com o maestro soberano por 10 anos, a cantora lusitana apresenta a partir das 21h, no Teatro do Bourbon Country, o repertório do disco Carminho Canta Tom Jobim (2016). Com direção musical e arranjos de Paulo Jobim, filho de Tom, o tributo sucede Canto (2014), álbum de Carminho que já contava com a participação de vários músicos brasileiros, como Naná Vasconcelos e Carlinhos Brown, trazia um tema de Caetano Veloso (O Sol, Eu e Tu) e um dueto com Marisa Monte (Coisas) – com quem Carminho divide no novo projeto os vocais em uma versão leve e luminosa da antológica Estrada do Sol (Tom e Dolores Duran).

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Estrada do Sol é realmente uma brisa alegre que vem também com a Marisa Monte. Não chega a ser um reencontro, porque já nos encontramos muitas vezes. Ela esteve em Lisboa para fazer alguns concertos em que eu a acompanhei. Cada vez que estou com ela, ouvimos muitas canções e trocamos experiências, por um lado, daquilo que temos em comum, a raiz das duas culturas, Portugal e Brasil, mas também a vontade que temos de avançar pelo mundo afora – disse Carminho em entrevista a Zero Hora logo depois da turnê europeia desse trabalho.

A artista lusitana gravou duos também com Chico Buarque (Falando de Amor) – Carminho já havia cantado Carolina antes com o compositor – e, pela primeira vez, com Maria Bethânia (Modinha).

– Gravar com Maria Bethânia foi um sonho. Antes dessa gravação, estivemos juntas no show da Mangueira, que era em homenagem a ela. Eu cantei então dois temas, incluindo Sangrando, com Alcione. Estar perto dela e ouvi-la é ver uma força da natureza, com a qual me identifico e vejo como aspiração de intérprete. Tem muito de fadista, a Maria Bethânia. É uma pessoa que mora com as palavras, que as escolhe de uma forma muito inteligente. Ela me trouxe também um bocadinho de Tom Jobim – afirmou a portuguesa de 32 anos.

A visita à obra jobiniana inclui arranjos acústicos elegantes e interpretações emocionadas para clássicos como O que Tinha de Ser, Inútil Paisagem, Retrato em Branco e Preto, Triste, Meditação, O Grande Amor, Wave, Sabiá (que Carminho já tinha cantado com Zambujo), A Felicidade e Luiza (em registro explicitamente fadista). Além de Paulo Jobim no violão, Carminho estará no palco ao lado de Daniel Jobim – filho de Paulo e neto de Tom – no piano, Jaques Morelenbaum no violoncelo e Paulo Braga na bateria.

– É um privilégio cantar com a Banda Nova, eles são os maiores especialistas em Tom, estiveram perto de seus processos criativos.

Como surgiu o projeto de dedicar um disco à obra de Tom Jobim?
A ideia surgiu de encontros com amigos, desde que tenho ido ao Brasil há cinco anos mais intensamente, por questões de trabalho e para cantar. Nesses encontros, surgia, obviamente, o repertório do Tom, de uma forma muito intensa. Estava em uma dessas noites com um grupo com a Ana Jobim, que me desafiou: "Por que você não faz um disco com Tom Jobim?". Foi a primeira vez que aquilo me passou pela cabeça e, de repente, começou a ganhar forma. Conheci o Paulo Jobim e começamos a pensar que isso poderia ser uma realidade.

Qual é a importância de Tom em sua formação?
Tom Jobim é uma figura incontornável no meu percurso, na minha aprendizagem musical e na formação do meu gosto. Ele surge com as novelas da Globo, eu vivia no Algarve (região mais meridional de Portugal), tinha dois ou três anos, e com elas vinham as trilhas sonoras que acompanhavam os personagens. Mais tarde eu consegui perceber que as trilhas eram separadas dos personagens e comecei a me interessar por seus intérpretes e compositores. Minha mãe também tinha discos em casa, Tom Jobim naturalmente estava entre eles. Foi uma descoberta avassaladora na minha vida. Esse disco é o culminar de várias procuras e aprendizagens sobre esse mestre. Começar a cantar Tom Jobim mais a fundo é também aprender muito sobre música.

A obra de Tom é extensa. Como foi feita a seleção do repertório?
Quando eu conheci o Paulo Jobim, ele trazia consigo um calhamaço com toda a obra do Tom. Ele me entregou: "Agora a batata quente está do seu lado". Foi maravilhoso poder mergulhar nesse repertório, muito eu já conhecia, mas grande parte não. Tive que decidir alguns critérios para a escolha. Um deles foi o português da poesia dessas canções, não só as escritas por ele, mas também por outros maravilhosos como Vinicius de Moraes e Chico Buarque, que pudesse acompanhar o meu sotaque natural quando canto. Outro critério foi as parcerias que ele teve, para poder mostrar a riqueza poética das canções, até chegar às 14 faixas do disco.

Você acrescentou a dramaticidade do fado em muitas das versões do disco. Que tipo de adaptações e contribuições você acha que seu estilo de cantar trouxe ao interpretar esse repertório?
É um desafio muito grande cantar Tom Jobim pela sua complexidade melódica e harmônica e pela dramaticidade de suas escolhas literárias. Mas eu não estou a cantar fado, estou a cantar o repertório do Tom Jobim. A verdade é que foi o fado que me ensinou a cantar e a interpretar qualquer canção, que me ensinou a escolher os poemas que canto, as melodias e o caminho para interpretá-las. Por isso, apesar de não ser fado, vem em minha voz essa genética que me ensinou a cantar. O fato de ser cantado em português de Portugal traz naturalmente algo de novo e diferente nessas interpretações. Mas não poderia ser de outra forma, porque eu não saberia cantar sem ser verdadeiro, e essa é a minha forma natural de cantar. Foi uma decisão de me entregar ainda mais intensamente a esse repertório que já foi interpretado por todo mundo. É a minha visão, nada mais.

CARMINHO
Quarta-feira, às 21h.
Teatro do Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, 80, segundo andar, Shopping Bourbon Country).
Classificação: livre.
Duração: 90 minutos.
Ingressos: R$ 70 (galerias), R$ 80 (mezanino), R$ 120 (plateia alta) e R$ 140 (plateia baixa e camarotes). Sócios do Clube do Assinante têm 10% de desconto.
Ponto de venda sem taxa: bilheteria do teatro.
Com taxa: site ingressorapido.com.br e call center 4003-1212.

Carminho Canta Tom Jobim
De Carminho
CD com 14 faixas, Biscoito Fino, R$ 22,90, em média.
Cotação: 4/5

 

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