Crítico de arte escancara situação de descaso do Masc e detona mostra que marca o aniversário do museu - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Polêmica nas artes15/03/2017 | 11h44Atualizada em 16/03/2017 | 12h18

Crítico de arte escancara situação de descaso do Masc e detona mostra que marca o aniversário do museu

Sem edital, curador ou conselho consultivo, Museu de Arte de Santa Catarina foi alvo de problematização em texto assinado por João Otávio Neves Filho, o Janga. Em resposta, Fundação Catarinense de Cultura adianta nome de curadora adjunta 

Crítico de arte escancara situação de descaso do Masc e detona mostra que marca o aniversário do museu Cristiano Estrela/Agencia RBS
Foto: Cristiano Estrela / Agencia RBS

"É absolutamente inconcebível em qualquer museu civilizado do mundo que não exista a figura de um curador e de um conselho consultivo." A frase extraída de um texto do reconhecido artista plástico e crítico de arte catarinense João Otávio Neves Filho, o Janga, escancara a situação de descaso do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc) com a sua programação, função educativa e de fomento à arte catarinense.  

Considerado um dos mais importantes museus do Brasil, desde 2014 o Masc não tem curador, nem conselho consultivo – responsáveis por decidir e planejar as ações, mostras e intervenções que devem ser abrigadas por um museu, baseadas em critérios artísticos, de vanguarda ou de importância histórica. Há três anos, também, o Masc não lança edital, outra ferramenta para selecionar a programação do museu. Desde 2015, a instituição é administrada por Isac Nascimento, figura desconhecida no meio das artes plásticas catarinense (em seu histórico, consta a participação em um grupo de rap), o que provoca resistência entre os artistas locais. 

No artigo intitulado Morte Anunciada - O Melancólico Funeral do Masc, Janga aponta como o estopim do desleixo com o museu o fato de que no mês de seu aniversário de 68 anos, comemorado no próximo sábado, dia 18, o espaço receber a mostra A Pele, da artista Albertina Prates, que ainda não estaria no nível de qualidade do Masc. Albertina foi convidada por Isac (a exposição abre nesta quinta-feira e segue por um mês em cartaz). A própria Albertina se surpreendeu com o convite:

— Eu tive a ideia de fazer A Pele no espaço Lindolf Bell. Aí o diretor administrativo disse: por que não fazer uma exposição no Masc? No primeiro momento fiquei pasma, pedi para repensar, pois o espaço era enorme e a responsabilidade, maior ainda. Fiquei de pensar com mais cuidado, até que ponderei que seria muito interessante. É uma honra enorme, mas eu nem sabia que era o aniversário do museu — explica Albertina.

Janga foi procurado por Albertina para escrever o texto do catálogo da exposição e declinou. No texto na internet, detonou a mostra: "Sem pé nem cabeça, mal alinhavada, e de uma pobreza conceitual constrangedora, a proposta que nos foi apresentada é o próprio 'Samba do Crioulo Doido'".

Em conversa com o DC, Albertina convidou Janga para ver a mostra:

— Ele tem toda a liberdade de falar o que ele quer, eu só convido ele para vir ver a exposição. Ele e todos que venham ver, para ter seu próprio pensamento sobre o que eu estou expondo. Cada pessoa tem uma vivência. A gente não pode agradar a todos. Então, vamos aguardar — disse. 

Sobre o Masc, Janga ainda escreveu: "nesse período lamentável, em que o MASC permaneceu à deriva, sem curador, e o que é ainda mais grave, sem sequer um conselho consultivo atuante, o MASC  foi gradualmente perdendo sua capacidade de exercer plenamente suas funções básicas. Sem uma política de atuação consistente, o MASC transformou-se numa simples galeria de arte que intercala mostras sem um fio condutor que as explique".

Por telefone, o crítico defendeu seu ponto de vista:

— Não se trata de ir contra Albertina, mas o museu tem que ter sim um conselho. Harry Laus (crítico de arte) dizia que na arte não tem democracia, os trabalhos têm que ser mostrados, mas cada coisa no seu lugar. E o Masc seria o último patamar, é o consagratório. 

O que diz a FCC

A diretora de difusão artística da Fundação, Méri Garcia, saiu em defesa da artista:

— A exposição demonstra um sentimento de ousadia da artista, é um mérito, não um demérito.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a FCC confirma que A Pele foi um convite pessoal do administrador e que a atual gestão da fundação, presidida por Rodolfo Pinto da Luz, está revendo as questões que envolvem curadoria, Comissão de Acervo e Pauta (uma espécie de conselho consultivo) e, principalmente, edital.

A FCC adianta que, dentro de algumas semanas, Edina de Marco, atualmente na SOL - Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, vai assumir como coordenadora para as áreas de arte e educação do Masc e curadora adjunta. A ideia é que ela, que tem doutorado em Artes Visuais, restabeleça o canal de aconselhamento e compartilhamento de decisões dentro do museu e o de conversa com o setor artístico.

As decisões, a partir daí, deverão ser colegiadas com anuência da direção artística e da curadora adjunta e, logo mais, com participação do conselho com seu papel de auxiliar e dar um norte para o museu.

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