Mulheres e arte: artistas sublimam o machismo e constituem movimento consistente nas artes de SC - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Roteiro artístico08/03/2017 | 08h24Atualizada em 08/03/2017 | 10h20

Mulheres e arte: artistas sublimam o machismo e constituem movimento consistente nas artes de SC

Conheça 3 artistas catarinenses de gerações diferentes, mas cujas obras celebram o feminino

Mulheres e arte: artistas sublimam o machismo e constituem movimento consistente nas artes de SC Felipe Carneiro / Agência RBS/Agência RBS
Convidamos as artistas Gabriela Goulart (E), Rosana Bortolin e Paula Schlindwein para criar uma obra a partir da própria imagem Foto: Felipe Carneiro / Agência RBS / Agência RBS

Mulheres precisam estar nuas para entrar nas galerias? Em 1989, as Guerrilla Girls, coletivo de artistas e ativistas que discute a representação da mulher no mundo artístico, estamparam num outdoor em Nova York a imagem do corpo de uma odalisca nua com máscara de gorila seguida da informação de que menos de 5% dos artistas na coleção do Museu de Arte Metropolitan eram mulheres e 85% de todos os nus eram femininos.

Passadas algumas décadas, a questão de gênero nas artes avança devagar. A arte reflete as angústias sociais: se numa esfera global mulheres rebatem o preconceito com luta pela igualdade, nos movimentos artísticos elas se assumem como musas de si mesmas. Não apenas como amantes de Picasso ou a Vênus de Velázquez. Em Florianópolis, assim como em todo o mundo, artistas soltam o grito preso há tanto tempo. Pintam, bordam, esculpem, mostram a vagina fora do contexto sacro ou erótico, campo antes dominado pelo homem, para constituir um movimento consistente e crescente. Não é arte feminista. É liberdade que flui através da arte.

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— A arte é anunciatória. Não julga, não tem compromisso, mas por si só acontece. Não é moralista. A arte é a que parte da essência, da coragem para se expor para o outro — diz a ceramista Rosana Bortolin, que há algumas décadas sublima o sexismo em Santa Catarina por meio da arte.

|| No Dia da Mulher, conheça três artistas de Santa Catarina de gerações diferentes, mas cujas obras celebram o feminino:

GABRIELA GOULART

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Gabriela Goulart, 30 anos, foi primeiro ser mãe para finalmente dedicar-se à arte, vocação que traz de criança. A partir de 2012 começou a se identificar com a questão do feminino, e, assim como Eli Heil e seus "vômitos criativos", botou para fora angústias universais. Sua obra evidencia a nudez feminina a partir da perspectiva da própria mulher. Ao pintar pernas abertas, é como se manifestasse repúdio aos bons modos impostos ("mulher não senta de perna aberta", quem nunca ouviu?) e gritasse em alto e bom som: me aceite (e aceite-se).

— Teve uma vez que fiz intervenção artística na rua. Colei em alguns pontos da cidade lambe-lambe de mulheres com a perna aberta. No Morro da Lagoa, teve uma senhora que se ofendeu e passou tinta preta no desenho — lembra.

Se no passado as mulheres entravam nas academias de arte e o que se via eram florzinhas e paninhos de louça, Gabriela Goulart se inspira no lixo, nos moradores de rua, travestis, nos temas que a vida traz.

—Arte para mim é ferramenta para falar o que está acontecendo todo dia.  A gente quer ser livre. Não ser taxada de arte feminista.

Gabriela expõe obras na mostra Conexões Viscerais, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, junto com Paula Schlindwein e Silvia Teske.

 PAULA SCHLINDWEIN

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Paula Schlindwein nasceu na década de 70, num meio machista, e teve que lutar para impor a própria voz:

— Colocaram na minha cabeça que não daria em nada ser artista. Mas a arte existe em mim desde sempre. Tomei outro rumo para ser independente — conta.

Ela acabou por graduar-se bibliotecária antes de se dedicar à arte, a partir de 2015.

— O feminismo sempre foi o meu ponto. É o que eu sinto. Me coloco no papel. É a história das mulheres, da luta. Não quero provar nada para ninguém. Quero que as pessoas olhem e se identifiquem. A gente fica com medo de não ser compreendida. A gente sempre foi só julgada — diz.

Na infância, a artista nascida em Urussanga lembra que quase não ouvia falar de mulheres artistas. A não ser a própria Frida Kahlo, que passou a ser referência simbólica.  

Paula trabalha com tinta à óleo, acrílica, nanquim, aquarela, guache, colagem e bordado.

 ROSANA BORTOLIN

Foto: Felipe Carneiro / Agencia RBS

Há décadas que Rosana Bortonlin, 52 anos, busca sublimar o incômodo com a discriminação à mulher por meio da arte. No começo dos anos 2000, quando fazia doutorado na Espanha, deixou o país com sete quilos de vulvas feitas de cerâmica, esculturas as quais passou a deixar nos locais que visitava.

Ela foi uma das pioneiras em Santa Catarina a tocar na ferida do sexismo por meio da arte. Em 2011, fotografou a si mesma após o parto, adesivou o teto do carro com a fofo e circulou pelas ruas. A ação era parte de Sacrum Profanun, mostra de fotografias e objetos que circulou por diversas cidades.

— Meu trabalho é muito biográfico. Minhas angústias são as tuas. São angústias políticas, como as mulheres que antigamente se encontravam para fazer tricô — diz.

As vulvas em cerâmica ela começou a produzir numa época que a Espanha implicava com a entrada de mulheres no país. O mesmo barro que ela utilizava para fazer ninhos (projeto em que a ceramista criou trabalhos a partir da observação de animais que constroem o próprio ninho) se transformou em organismos com vulvas.

— Incomoda muito mais as mulheres que os homens. E são as mulheres que educam os homens.

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