Instituto Pasteur mergulha em universo dos mosquitos para combater doenças - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Atrás de respostas04/04/2017 | 10h12Atualizada em 04/04/2017 | 10h12

Instituto Pasteur mergulha em universo dos mosquitos para combater doenças

Pesquisadores tentam entender como os vírus se comportam no organismo dos animais

Instituto Pasteur mergulha em universo dos mosquitos para combater doenças Marvin Recinos/AFP
Foto: Marvin Recinos / AFP
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Do Zika à dengue, passando pela malária, a febre amarela e a chikungunya, todas essas doenças têm em comum um pequeno hospedeiro de poucos milímetros, o mosquito, que Anna-Bella Failloux analisa minuciosamente em seu microscópio no Instituto Pasteur, em Paris, para aprender a combatê-lo.

— Tentamos entender qual é o ponto fraco da dupla mosquito/vírus — explica a diretora de pesquisa, advertindo de antemão que "não há uma solução milagrosa. Mesmo se afogássemos o planeta em um pote de inseticida", estas doenças não desapareceriam.

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Com ocasião da publicação do livro de Erik Orsenna "Geopolítica do mosquito", a pesquisadora e sua equipe abriram as portas do seu universo de seres minúsculos e letais, no porão desde prestigioso instituto. Em um local exíguo, nas fileiras de frascos nas estantes, é possível encontrar mosquitos em todos os estágios de desenvolvimento - ovos, larvas, ninfas e adultos de Aedes albopictus e de Aedes aegypti, espécies responsáveis pela transmissão de uma série de doenças para os humanos.

A instalação é artesanal e os "criadores" de mosquitos têm que fazer uso da criatividade: um aspirador de pó portátil para capturar os exemplares, tubos de papelão furados e cobertos de tule para transportá-los e até mesmo uma raquete elétrica para o caso de que algum travesso consiga escapar.

Mas na etapa seguinte, na qual se infecta o inseto com o vírus da febre amarela ou do zika, todo o processo é realizado em um laboratório de grau de segurança P3, explica Failloux.

Há 20 anos, esta entomologista disseca estômagos, glândulas salivares e ovários de mosquitos fêmea (as únicas que picam) para entender como os vírus que as infectam se comportam, e porque um determinada espécie pode transmitir certos patógenos e não outros.

Os trabalhos do seu laboratório permitiram confirmar a responsabilidade do mosquito Aedes aegypti na epidemia de zika no Brasil. Da mesma forma, o vínculo entre o zika e a microcefalia pôde ser estabelecido rapidamente graças ao trabalho de pesquisadores sobre a epidemia ocorrida dois anos antes na Polinésia, ressalta Jean-François Chambon, diretor de comunicação do Instituto.

— Precisamos de equipes que trabalhem e se mantenham mobilizadas sobre temas que podem não parecer perigosos em termos de saúde pública, mas que com o tempo podem chegar a ser — adverte.

Modificação genética

— Para remediar os humanos, primeiro é necessário compreender — afirma Erik Orsenna, embaixador do Instituto Pasteur desde 2016. Seu "passeio" pelo mundo dos mosquitos o transformou no "cavalheiro da entomologia médica", a especialidade em ocasiões "desprezada" que estuda o papel dos insetos na transmissão de doenças.

Em seu livro escrito a quatro mãos com a médica Isabelle de Saint Aubin, que será lançado na segunda-feira na França, o romancista escolheu o mosquito como "personagem" para ilustrar a globalização dos desafios da saúde, após seus ensaios sobre o algodão, a água e o papel.

Do Delta do Mekong aos povoados de garimpeiros de ouro da Guiana, passando pela floresta Zika em Uganda, que dá nome à doença descoberta em 1947, explora todos os terrenos deste díptero que faz 750 mil vítimas mortais por ano, em comparação com uma dezena no caso do tubarão e 50 mil no das cobras.

Orsenna também faz uma lista das estratégias de luta dos pesquisadores, na medida em que os mosquitos, vírus e parasitas desenvolvem novas resistências aos tratamentos e inseticidas.

Entre as mais promissoras está inocular a bactéria Wolbachia no inseto para evitar que o vírus se reproduza ou fazer o mosquito libar certas plantas que modificam sua microflora, tornando-a menos acolhedora para os patógenos.

Há, ainda, outras possibilidades em estudo, como a modificação genética para torná-los estéreis ou melhorar seu sistema imunológico, embora estas provoquem receio em parte dos especialistas devido à falta de garantias sobre seus efeitos.

 

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