Andrey Lehnemann: entrevista com o diretor Charly Braun, do filme "Vermelho Russo" - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Coluna de cinema18/05/2017 | 16h00Atualizada em 18/05/2017 | 16h00

Andrey Lehnemann: entrevista com o diretor Charly Braun, do filme "Vermelho Russo"

Diretor esteve em Joinville para exibição de sua mais recente obra

Andrey Lehnemann: entrevista com o diretor Charly Braun, do filme "Vermelho Russo" Bruno Alfano/Divulgação
Foto: Bruno Alfano / Divulgação

No dia 15 de maio, Joinville foi mais uma cidade catarinense a receber o filme Vermelho Russo, de Charly Braun, que conta a história de duas atrizes brasileiras que vão até a Rússia aprender o método de Stanislavski. Balnéario Camboriú já havia recebido também o filme de Braun, que provavelmente estará em muitas listas de melhores filmes do ano com a estreia comercial no Brasil. Escrevi sobre ele ano passado, quando pude assisti-lo na Mostra de São Paulo e pude elogiar o trabalho interessantíssimo feito com a perspectiva do público sobre o real e a simulação feito por atrizes e diretor. Pois bem, eu conversei com Charly Braun pouco antes dele embarcar para Joinville, onde o filme seria exibido. A conversa pode ser conferida abaixo:

Charly, eu vejo com bons olhos obras que brincam com a percepção do público. Lá fora, recentemente, nós tivemos um filme chamado Luciferous, que por sua linguagem parecia algo real; e algo como Olmo e a Gaivota por aqui, que pouco parecia documental. Eu primeiro tenho que te perguntar: você pensava nesta mescla na hora de estruturar seu filme? A realidade e o tom ficcional se intercalando?

Total. Era exatamente isso que quis fazer, que quis trabalhar. Como eu tive acesso aos diários da Martha (Nowill) e sabia que elas fariam papéis de uma viagem que elas realmente viveram, eu achei que seria interessante.

Confesso que me intrigava essa questão até a metade do filme, quando as duas trocam uma cena num café da manhã, na Rússia, onde elas parecem tão mergulhadas no método que elas aprenderam, que elas esboçam um sorriso, como se elas tivessem feito uma grande cena. Visualiza o seu filme mais como uma ficção ou como um documentário?

Assisto mais como uma ficção, mesmo. A nossa proposta era ficcionalizar a história que as duas viveram. Estava tudo armado. Mas por elas estarem fazendo elas mesmas, em um momento da vida que elas realmente viveram, a realidade é muito forte.

Maria Manoella e Martha Nowillena em cena de "Vermelho Russo" Foto: Divulgação / Divulgação

E você achou que essa viagem seria tão cômica quanto a que rendeu?

Olha, eu já acho a Martha uma pessoa muito engraçada, irreverente, e o diário dela já apontava isso. Mas confesso que fiquei bastante surpreso com o volume do humor, a quantidade de humor. E isso é bom. Eu gosto que o humor traga essa leveza para uma situação delicada, mais intensa.

Quando você trabalha a história de duas atrizes, duas protagonistas, você acha que há uma preferência mesmo que inconsciente da câmera por uma delas? Você consegue visualizar um apreço maior pela Martha ou pela Manoella?

Não, não. Eu tentei fazer algo bastante equilibrado. Dar voz para as duas protagonistas. É claro que a personagem da Martha é mais alegre e exuberante na narrativa, portanto o filme acaba sendo "mais dela" em alguns momentos, mas não foi a intenção.

Recentemente, você disse numa entrevista que Vermelho Russo representava para você algo mais profundo, mais adulto, que suscita debates; é esse o caminho que deseja percorrer no cinema brasileiro?

Acho que quis falar isso mais em relação ao meu primeiro filme, que era algo mais solar, leve, meio juvenil. O Vermelho Russo acabou mais denso, intenso, embora o humor também esteja por lá. É tudo questão de processo. Não é que eu esteja mirando percorrer especificamente esse tipo de debate e cinema, mas, naturalmente, a experiência de vida vai fazendo com que nós sejamos mais maduros em nossas obras.

Isso me leva a uma pergunta que sempre tenho curiosidade: o que mais lhe entusiasma ao contar uma nova história?

Hum. Difícil. Acho que é aquela história, aquela coisa nova, a oportunidade de descobrir um novo caminho. Há uma cena do filme em que o professor da Martha e da Manu fala que o trabalho do ator era rico por elas terem oportunidades de viverem outras vidas, explorar novas histórias. No meu trabalho, não totalmente, pois claro que há sempre algo de mim ali, mas consigo me relacionar com a afirmação. O trabalho de diretor sempre apresenta outras fronteiras para desenvolver e novas etapas para criar ou trilhar.

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