Piraceira, incômodo, medo, oração do corpo: Protocolo Elefante prova o quão necessário é o Cena 11 - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Impressões22/05/2017 | 16h13Atualizada em 23/05/2017 | 08h37

Piraceira, incômodo, medo, oração do corpo: Protocolo Elefante prova o quão necessário é o Cena 11

Jornalistas de cultura e entretenimento do DC fazem um breve relato sobre o novo espetáculo do grupo catarinense, que estreou sábado

Piraceira, incômodo, medo, oração do corpo: Protocolo Elefante prova o quão necessário é o Cena 11 Cristiano Prim/Divulgação
Foto: Cristiano Prim / Divulgação
Diário Catarinense
Diário Catarinense

Aguardado desde 2014 - ano do último espetáculo do grupo -, Protocolo Elefante é a nova obra da premiada cia de dança Cena 11. A performance estreou sábado (dia 20) em Santa Catarina, abrindo o festival Múltipla Dança. Diante da história de mais de 20 anos dos catarinenses e da real possibilidade da companhia acabar por falta de recursos, Protocolo Elefante era das estreias mais esperadas na cena artística local em 2017. As jornalistas de Cultura e Entretenimento do DC, Carol Macário, Yasmine Holanda Fiorini e Cris Vieira assistiram à performance e manifestam abaixo um breve relato da experiência. 

Camadas de sensibilidade

"Assistir a um espetáculo do Cena 11 é como entrar num labirinto escuro. É tenso, é inesperado, dá até medo. A única certeza é a de que cada encruzilhada é um mergulho nas profundezas do corpo e de suas tantas camadas e sensações possíveis. Depois de já ter questionado os limites da carne, a insistência do tempo, o atravessamento de várias linguagens, as interfaces físico-digitais, a cumplicidade entre público e bailarinos, dessa vez a premiada companhia de Florianópolis questionou a própria (e a nossa) existência. Teve quem sentiu nojo. Quem experimentou uma viagem alucinógena. Quem chorou. Fato é que não se sai— e ninguém saiu — ileso depois da experiência com o Cena 11.
Protocolo Elefante foi como um (às vezes doloroso, noutros carinhoso) rito de passagem. Uma apresentação longa e progressiva. O começo foi uma preparação para o que ainda estava por vir: bailarinos movendo-se pelos corredores da plateia, movendo-se no palco. Dança é pouco para definir. Um ritual? Bastões giram, caem. Há continuidade a cada queda. Na nudez dos corpos, a comunhão dos sentidos. A tensão agrava-se, para finalmente no ápice libertar-se. Hedra Rockenbach nos leva pelas mãos para outro mundo. Luz, laser, fumaça são as metáforas para as camadas de sensibilidade. Protocolo Elefante foi, para mim, uma oração do corpo e do existir", Carol Macário

Foto: Cristiano Prim / Divulgação

Nunca tinha visto nada parecido

"Foi meu primeiro espetáculo do grupo, e também o primeiro de dança contemporânea que eu cobri como repórter. Até levei um bloquinho e um lápis para anotar algumas impressões, mas as folhas estavam vazias no final da apresentação. Ali, na hora, a gente fica sem palavras bonitas (eu só conseguia pensar "que piraceira do ca@$&*%"). Foi difícil escrever sobre Protocolo Elefante porque é um espetáculo que provoca tantos sentimentos diferentes, de tensão (e muita) e medo a total estupor perto do final da performance, quando entram em cena os raios laser, projeções e fumaça para um momento de total imersão potencializado pela voz de Hedra Rockenbach e pela maravilhosa trilha sonora, também assinada por ela. Eu nunca tinha visto nada parecido e, no dia seguinte, ainda acordei relembrando todas as sensações daquela noite", Yasmine Holanda Fiorini.

Foto: Cristiano Prim / Divulgação

O mais perturbador

"Um espetáculo do Cena 11 nunca é solar, bonitinho, entretenimento; caro leitor desacostumado à cena da dança em SC. Prepare-se para sentar diante de bailarinos que vão mexer com suas percepções, que vão te incomodar, que vão expor a plateia, ainda que tudo possa ficar esteticamente belo em algum momento (a segunda parte do espetáculo, com recursos de laser, é linda).

Protocolo Elefante é o mais perturbador entre todos os espetáculos que já vi da cia catarinense. Meu incômodo começou na largada. O espetáculo inicia com uma imobilidade que dura alguns bons minutos. Os seis bailarinos (não) fazem nada. E as pessoas não se aguentam nas poltronas. Mexem-se o tempo inteiro, tossem, levantam-se. É preciso mais do que ansiolítico para tratar a epidemia contemporânea de ansiedade. É preciso arte. Eu só pensava nesse clichezão. Seguem-se duas horas de tensão ininterrupta. A reflexão sobre resistência proposta pelo grupo é sombria. Lutar tem sua porção de dor, não é romanticamente inspirador, como pintam as estratégias de marketing. Gira-se sem resultado. Expõe-se ao nu e nada.  Você pode até gritar e.... Silêncio. Segue-se flanando e sorrindo por aí, por qual motivo? Continuar porquê? Protocolo Elefante mostrou, mais uma vez, o quanto o Cena 11 é necessário
", Cris Vieira

O espetáculo terá nova apresentação em Florianópolis no dia 2 de junho, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, dentro da programação da III Semana de Dança da UFSC.

Leia também:
Confira a programação completa do festival Múltipla Dança
Festival Internacional de Teatro de Animação (FITA) terá 36 espetáculos 

Siga O Sol Diário no Twitter

  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioRoberto Alves: sofrimento da torcida do Figueirense pode acabar nesta sexta https://t.co/Ba1105uqiuhá 5 horas Retweet
  • osoldiario

    osoldiario

    O Sol DiárioPolícia Federal cumpre mandados em condomínio de luxo em Itapema https://t.co/S7AQ3l1g3rhá 5 horas Retweet
O Sol Diário
Busca