Relato de vítima de homofobia gera protestos contra balada 1007 Floripa no Facebook - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Entenda o caso22/05/2017 | 16h02Atualizada em 22/05/2017 | 21h35

Relato de vítima de homofobia gera protestos contra balada 1007 Floripa no Facebook

Usuários estão dando nota 1 para a casa noturna no sistema de avaliação da rede social após post publicado no Dia Internacional de Combate à Homofobia 

Caso ocorreu no dia 13 de maio. e foi compartilhado na rede social no Dia de Combate à Homofobia Foto: Thiago Mann / Arquivo Pessoal

Um texto publicado no Facebook no Dia Internacional de Combate à Homofobia (17 de maio) pelo professor de inglês Moisés Bernardino, que relata um caso de homofobia na balada 1007 Floripa, na Capital, gerou uma reação de protestos contra a balada na rede social. Em apoio a Bernardino, usuários estão compartilhando outros relatos parecidos e dando nota 1 para a casa noturna no sistema de avaliação do Facebook.

O caso ocorreu no dia 13 de maio. Bernardino conta que estava na balada quando um amigo olhou para um rapaz que achou bonito. Incomodado, ele gritou "vaza daqui, seu viado". Quando os amigos foram procurar um segurança da casa, ele disse que não poderia fazer nada pois não viu o ocorrido. O rapaz teria novamente gritado com os amigos, xingando-os de "viadinhos". Bernardino mostrou o dedo do meio e levou um soco na cara. Todos os envolvidos foram expulsos da balada, e quando Bernardino tentou alegar que eles eram as vítimas e que gostariam de voltar para a festa, teve o pedido negado por ter se envolvido em uma briga.

O post já tem mais de 3,6 mil reações no Facebook, quase 800 comentários e 50 compartilhamentos. Em apoio a Bernardino, usuários da rede social e frequentadores da balada começaram a dar nota 1 para o 1007, com o objetivo de baixar a nota de avaliação da casa na rede social (até a publicação desta matéria, a nota estava em 2,6). Muitos também aproveitaram para relatar casos parecidos de assédio e homofobia no local. 

"Tentei fazer a gerente entender que o mostrar o dedo do meio foi uma reação da opressão que eu tava sentindo da parte do cara, e que ainda assim o soco na minha cara era totalmente desproporcional, mas parece que ela não entendeu", diz o depoimento.

Veja o post:

— Não esperava que ia dar esse boom que deu, minha intenção foi lutar contra a homofobia porque vários casos já aconteceram com pessoas que eu conheço, acontece todo dia no Brasil inteiro. Refleti bastante depois que aconteceu isso comigo, e pensei que deveria fazer algo e não deixar passar. Tava até com medo de postar, mas pensei: já apanhei na cara então preciso publicar — comenta o professor em conversa com o DC por telefone. 

Ele conta que representantes do 1007 entraram em contato com ele após a postagem e ofereceram assistência jurídica e até psicológica.

— Eu ainda estou bem abalado, fico com medo de sair na rua, porque não sei em que momento posso ser agredido. Também tenho medo do agressor. Mas muitas pessoas me adicionaram, mandaram mensagem, vi que juntos podemos ter força pra lutar contra a homofobia. Não pedi para ninguém avaliar nada, minha intenção nem era boicotar a casa, mas fiquei feliz com a repercussão.

O outro lado

No dia 19, a casa publicou uma nota na página em que assume que errou em não dialogar com a vítima de homofobia e diz que, como a proposta é receber diferentes perfis de público, isso acaba abrindo espaço para atritos: "essa é a nossa proposta, que acaba virando nosso fardo, pois nos nossos ideais todas as pessoas sabem conviver com as diferenças". A casa também prometeu reforçar o programa Respeito no Rolê e tomar ações efetivas para "não tolerar qualquer tipo de conivência com algum tipo de opressão".

Leia o comunicado na íntegra:

— É importante deixar claro que a gente está no mesmo time, nenhuma estrutura na nossa região luta tanto pelo respeito como a gente. Rolou esse movimento, talvez até pra gente, como sociedade, entender que a homofobia está presente em todos os lugares, inclusive em um espaço totalmente aberto e que luta contra toda forma de desrespeito — defende Dyogo Neis, diretor geral do Grupo 1007.

O diretor disse ainda que sempre é preciso melhorar e que conta com a colaboração dos clientes para denunciar casos do tipo, mas que a casa não deve mudar a proposta de ser um local para todos os públicos.

— Estamos vendo isso como uma oportunidade de melhoria. Vimos casos em que, de alguma forma, o cliente não ficou satisfeito com a solução. É complexo porque a gente abre espaço para todos os públicos e, apesar da nossa luta ser a favor do respeito, abrindo esse leque a gente fica aberto também a esse tipo de situação. Mas a nossa luta é maior que isso, nosso propósito é educar também.

Um funcionário da casa, que não quis se identificar, disse estar chateado com a situação e reconhece que há críticas pertinentes, mas lamenta que a casa esteja sendo taxada de homofóbica:

— Sou gay e falando do meu trabalho, tudo que fazemos é pensando nas pessoas como nós, que passam pelas mesmas opressões no dia-a-dia, assim como a maior parte dos clientes. Acaba sendo muito duro passar por essa situação, é muito triste ser acusado de algo que luto contra no dia-a-dia e no meu trabalho. 

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