Ministério vai assinar acordo com a indústria para reduzir açúcar em alimentos - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Novo alvo28/06/2017 | 10h34Atualizada em 28/06/2017 | 10h36

Ministério vai assinar acordo com a indústria para reduzir açúcar em alimentos

Melhorias na rotulagem dos alimentos e fim do refil de refris em lanchonetes são algumas das medidas previstas

Ministério vai assinar acordo com a indústria para reduzir açúcar em alimentos Dream79/Shutterstock
Foto: Dream79 / Shutterstock
Agência Brasil
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O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse na terça-feira (27) que o governo pretende assinar um acordo com a indústria para reduzir a quantidade de açúcar em alimentos processados, como ocorreu com o sódio. Desde 2011, a indústria retirou mais de 17,2 mil toneladas de sal dos alimentos, segundo balanço divulgado em junho.

— Assim como a diminuição do sódio, esse semestre ainda assinaremos o acordo de redução de açúcar, e a educação será feita a partir da portaria interministerial Saúde na escola e isso vai nos permitir melhorar o controle da obesidade através do ensino de melhores hábitos de consumo e também da conscientização para o exercício físico — disse Barros em um painel sobre consumo de açúcar durante o Ethanol Summit 2017, em São Paulo.

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O evento discute energias renováveis, particularmente o etanol e produtos derivados da cana-de-açúcar. Segundo Barros, o ministério também trabalha para melhorar a rotulagem dos alimentos industrializados em relação às quantidades de açúcar e sal dos produtos:

— Melhorar a rotulagem, com dosador de sal e açúcar, pois é preciso que as pessoas entendam com clareza o quanto adicionam [sal e açúcar] na comida.

Outra ação da pasta, em parceira com a Associação das Indústrias da Alimentação (Abia), será a proibição do refil de refrigerante em lanchonetes de fast food.

Educação alimentar

O presidente da Abia, Edmundo Klotz, destacou que a entidade tem realizado oficinas técnicas para discutir o consumo excessivo de açúcar. No entanto, ele acredita que apenas a redução do ingrediente nos produtos industrializados não será suficiente para mudar hábitos dos brasileiros:

— Temos que aprender a diminuir [o açúcar], isso só podemos fazer educando, dando informação ao público consumidor.

O nutrólogo e cardiologista do Instituto Dante Pazzaneze, Daniel Magnoni, também defendeu a educação para a mudança de hábitos alimentares:

— A educação nutricional de crianças e as mudanças dos rótulos dos produtos alimentares podem impactar a longo prazo na alimentação.

Segundo o médico, a classificação dos alimentos em bons e maus não é a mais adequada, ele acredita que nada deve ser proibido, no entanto, alerta que só faz mal o que é consumido em excesso.

O deputado federal Evandro Roman (PSD-PR) também destacou o papel da educação alimentar para que a população brasileira fique mais saudável. Ex-secretário de Esportes do Paraná, Roman defende projetos nas áreas de esporte e saúde:

— Estamos caminhando para uma população doente, por isso temos agora que agir nas escolas. Temos que seguir a alimentação equilibrada, atividade física e qualidade do sono — listou.

Outro participante do painel, o preparador físico Márcio Atalla ressaltou a necessidade de incluir atividades físicas na rotina dos brasileiros.

— É preciso olhar o sedentarismo como problema de saúde pública, uma pessoa sedentária é alguém potencialmente doente, não podemos nos conformar com o sedentarismo — reforçou.

Para Atalla, além da alimentação, é preciso considerar o estilo de vida do brasileiro:

— Uma das coisas que me chateia é o foco excessivo em achar um vilão na alimentação, a bola da vez é o alimento industrializado, mas chegou a hora de olhar o estilo de vida, por isso a informação precisa chegar de maneira mais prática à população.

De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril, o excesso de peso no Brasil cresceu 26,3% nos últimos dez anos, passando de 42,6% da população em 2006 para 53,8% em 2016. Segundo o estudo, o problema é mais comum entre os homens: passou de 47,5% para 57,7% no período. Já entre as mulheres, o índice passou de 38,5% para 50,5%.

 

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