A arte ou a morte: Grupo Armação comemora 45 anos com novo espetáculo, Sopros de Paz e Guerra - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Teatro15/08/2017 | 03h00Atualizada em 15/08/2017 | 03h00

A arte ou a morte: Grupo Armação comemora 45 anos com novo espetáculo, Sopros de Paz e Guerra

Montagem do grupo, o mais antigo em atividade na Capital, mostra brilhantismo em cena e ótimos diálogos. Temporada de estreia terá apresentações nos dias 18, 19 e 20 no Teatro da Igrejinha da UFSC

A arte ou a morte: Grupo Armação comemora 45 anos com novo espetáculo, Sopros de Paz e Guerra Marco Favero/Agencia RBS
O soldado Amadeu (Sandro Maquel) e o Major Pompílio Canabrava (Édio Nunes): ótimos diálogos Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Um objeto capaz de criar sons. Ou de destruir. A oportunidade está nas mãos e nos escrúpulos de quem manipula. A nova montagem do Grupo Armação, Sopros de Paz e Guerra, é uma oportuna e bem elaborada expressão das tramoias e falcatruas na disputa pelo poder, metáfora para uma realidade tão absurda quanto a própria ficção. Com texto inédito do dramaturgo carioca Odir Ramos da Costa e direção de Antônio Cunha, o espetáculo estreou na última quarta e segue em cartaz no Teatro da Igrejinha da UFSC, na Capital, nesta sexta, sábado e domingo. A peça também celebra os 45 anos da companhia, a mais antiga de Florianópolis ainda em atividade. Mostra como o tempo foi generoso com os artistas: Édio Nunes, Chico De Nez e Sandro Maquel estão brilhantes em cena.

O cenário da peça é um acampamento militar, mas poderia ser qualquer prédio público de qualquer lugar do mundo. Em cena, um jogo de trapaças entre três militares: um subalterno e dois superiores. O soldado Amadeu (Sandro Maquel) é o inventor do objeto inusitado, um misto de bombardino (instrumento de sopro) e bacamarte (arma de fogo famosa nos séculos 18 e 19), que serve ao mesmo tempo como instrumento musical e arma de fogo — uma síntese, segundo o próprio inventor, da versatilidade humana.

Édio Nunes no papel de um militar de ego inflado Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Astuto e fofoqueiro, o subordinado manipula um de seus superiores, o Major Pompílio Canabrava (Édio Nunes), a homologar o invento. Com o ego inflado e igualmente arguto, o próprio Major Pompílio é capaz de se unir ao inimigo, o vaidoso Major Carrascoso (Chico De Nez), para tentar passar a perna no sodado.Trata-se de uma comédia embasada em diálogos inteligentes e rápidos, em que o riso provocado é um constante apontar o dedo para feridas, as sociais e as políticas.

— Há por trás uma estrutura de guerra pelo poder e mostra todas as mazelas em torno disso de maneira cômica — diz o ator Édio Nues.

—É um jogo. Metáfora atemporal de um tema que é universal — complementa o diretor, Antônio Cunha.

Os atores Chico De Nez, Sandro Maquel e Édio Nunes Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Odir Ramos da Costa já tinha ideia dos personagens desde a década de 80 e finalizou o texto apenas em 2014. No ano seguinte, em 2015, a obra foi vencedora do prêmio Drama TEns, promovido pela Revista TEatroensaio, de Portugal. Aos 81 anos, o autor saiu do Rio de Janeiro para prestigiar a estreia em Florianópolis na última quarta.

— Estou muito feliz com o que foi feito pelo Grupo — disse, após a apresentação.

Com uma longa trajetória ligada à produção teatral e à cultura, Ramos da Costa contou que, à época da Ditadura Militar no Brasil, foi quando mais produziu. Comentou também de sua percepção em relação aos movimentos cíclicos da sociedade brasileira e que, segundo ele, o retrocesso é sempre maior que o avanço.

— A direção conseguiu dar um tom de atualidade ao tocar em temas como aliciamento, suborno, delações. A arte tem esse papel, podemos produzir algo que talvez provoque reflexão. Pelo menos assim se pode expressar o que se sente — disse.

Sopros de Paz e Guerra é a segunda obra de Odir Ramos da Costa montada pelo Grupo Armação. Entre 2006 e 2008, o grupo encenou outra comédia dele, Sonho de uma noite de velório.

Bastidores: o instrumento capaz de fazer música ou de matar Foto: Marco Favero / Agencia RBS

Grupo começou em 1972

A estreia do Grupo Armação foi em 1972, na esteira das mudanças sócio-político-culturais iniciadas no final da década de 60 no país, com a montagem de Contestado, do catarinense Romário Borelli, em Joaçaba. De lá para cá, apresentou mais de 70 espetáculos e atualmente é o grupo mais antigo de Florianópolis ainda em atividade.

AGENDE-SE
O quê:
Sopros de Paz e Guerra, do Grupo Armação
Quando: 18, 19 e 20 de agosto, às 20h30min
Onde: Teatro da Igrejinha, na UFSC (Campus Trindade, Florianópolis)
Quanto: R$ 30 / R$ 15 (meia)

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