Andrey Lehnemann: o evolucionismo inverso de "Planeta dos Macacos: a guerra" - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Coluna de cinema03/08/2017 | 14h00Atualizada em 03/08/2017 | 14h00

Andrey Lehnemann: o evolucionismo inverso de "Planeta dos Macacos: a guerra"

Último filme da trilogia estreia hoje arrematando o cruzamento entre os pensamentos de Darwin e Orwell 

Andrey Lehnemann: o evolucionismo inverso de "Planeta dos Macacos: a guerra" Fox/Divulgação
Foto: Fox / Divulgação
Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

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Ao escrever sobre o exemplar anterior de Planeta dos Macacos, eu assumia que a franquia havia chegado ao ápice por nos expor uma cruza brilhante entre pensamentos de Charles Darwin e George Orwell. Completamente calcado na evolução inversa, o homem para o animal, o cineasta Matt Reeves evidenciava sua narrativa centrada no caminho percorrido pelo homem até chegar ao estágio de passagem ao novo mundo que iríamos observar. Deste modo, o olhar sombrio que iniciava o filme era marcante por indicar a felicidade extinta daquele simpático César, que de figura dócil passou a ser o líder dessa "nova" civilização. 

Assim, o talentosíssimo Matt Reves pontua esse confronto entre humanos de forma ampla e profunda, com a análise evolutiva do mundo dos animais, com suas devidas nuances, desde a linguagem até a luta. É tempo dos humanos partirem, agora. Se antes, Cesar e seu povo viviam nas cavernas, passando aos filhos sua racionalidade, é a batalha final que decidirá o rumo das coisas. Batalha que poderá ser vista a partir de hoje nos cinemas catarinenses, na estreia do último filme da série: Planeta dos Macacos: A Guerra

Reeves havia trabalhado antes com tipos diferentes de abordagens para monstros conhecidos. Cloverfield era um filme que tratava exatamente sobre a separação dos humanos por uma figura aterrorizante que caía no centro de Nova York. Era o laço quebrado entre Jason e Lily que nos atiçava. Owen e Abby, por outro lado, em Deixe-me Entrar também mostravam essa ruptura do laço humano, mas numa perspectiva diferente: Owen abdicava de sua vida para servir ao amor que sentia por Abby e, consequentemente, não se sentir mais estranho no seu próprio mundo. No reboot da franquia de Planeta dos Macacos, a mensagem da selva domesticada amadureceu mais e encontrou o poder de Matt Reeves em produzir rompimentos entre dois mundos.

Quase 50 anos depois, observamos chegar aos cinemas uma nova versão da franquia iniciada, em 1968, por Charlton Heston e Franklin Schaffner. No primeiro filme, a cena icônica do astronauta percebendo que estava todo o tempo em sua velha Nova York, que agora era habitada por uma nova civilização. Mais tarde, com os acréscimos de De Volta ao Planeta dos Macacos, Fuga do Planeta dos Macacos, A Conquista e A Batalha do Planeta dos Macacos – todos devidamente estrelados pelo inesquecível Cornelius de Roddy McDowall –, as obras foram obtendo mensagens político-sociais mais futuristas sem o mesmo apelo que o original. Em Planeta dos Macacos: A Guerra, Matt Reeves encerra a trajetória de três atos de Cesar, cujo olhar sempre foi nosso espelho daquele mundo de dor e tragédia iniciado em 2011, mas que podemos criar paralelos com nosso próprio mundo.

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