Aos 80 anos, Elza Soares apresenta em Florianópolis show do premiado álbum "A Mulher do Fim do Mundo" - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Calar jamais18/08/2017 | 10h07Atualizada em 18/08/2017 | 11h15

Aos 80 anos, Elza Soares apresenta em Florianópolis show do premiado álbum "A Mulher do Fim do Mundo"

Considerada a cantora do milênio no ano 2000, Elza se apresenta neste domingo no Centro de Cultura e Eventos da UFSC

Aos 80 anos, Elza Soares apresenta em Florianópolis show do premiado álbum "A Mulher do Fim do Mundo" Stèphane Munnier/Divulgação
Foto: Stèphane Munnier / Divulgação

Ela veio do planeta fome, do universo do machismo, do país do preconceito. Foi julgada por ser mulher, por ser pobre, por ser negra, por amar, depois lembrada pejorativamente como a que fez muitas plásticas — quanta injustiça com quem foi considerada a cantora do milênio! Elza Soares viu a morte de todas as formas, inclusive a pior face dela, a que leva embora filhos queridos. Viu a morte dos próprios medos para renascer em coragem. Aos 80 anos, embora ainda residente nesse mesmo mundo de miséria e intolerância, o grito de resistência em voz potente, rouca e malemolente da carioca ainda reverbera com o álbum A Mulher do Fim do Mundo. Neste domingo, pela primeira vez ela apresenta em Florianópolis o show do disco premiado e elogiado pela crítica. A apresentação será no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

O disco foi lançado em 2015, o 34º de estúdio da cantora e o primeiro de inéditas. As letras foram escritas por uma vanguarda musical de São Paulo. Embora Elza não reconheça um tom biográfico, parece sim contar a história dela. Foi eleito o melhor álbum do ano em 2015 (pela Associação de Críticos de Arte de São Paulo - APCA) e um dos 10 melhores discos do ano pelo The New York Times. Em 2016, foi de novo eleito Melhor Álbum de MPB no Grammy Latino e também no Prêmio da Música Brasileira.

A Mulher do Fim do Mundo virou também símbolo de luta contra preconceitos de todos os tipos e inclusive contra hipocrisia (quem se ofende com palavrões e não se ofende com desigualdade social?). A terceira faixa, Mulher da Vila Matilde, por exemplo, é uma mensagem contra a violência doméstica — a que Elza sentiu na pele.

— Muitas mulheres aceitam porque têm medo. Medo de o companheiro ser ainda mais violento depois. Como sair disso? Tendo coragem e mais respeito a si mesma. Algo que se deveria aprender bem pequena — disse.

Por telefone, Elza Soares é sucinta e até um pouco lacônica. Preferiu não falar em temas que lhe são dolorosos e afirmou que não pensa na morte, ao contrário: pensa na vida, isso sim.

A capacidade de resistir ela credita à fé. E que a dor se acalenta ao saber que é compartilhada por muitas.

Você acredita no inferno, perguntei a ela:

— Acredito em tudo. Como não conheço muito, o único inferno que conheço é esse o que se passa aqui na terra, né. O resto eu não conheço não. E não sei onde o final do mundo está. Sei que tem que gritar, denunciar, cantar para ver se a coisa melhora. Calar jamais.

Foto: Stèphane Munnier / Divulgação

Versão moderna

A Mulher do Fim do Mundo não é só um disco bem quisto pela temática das letras. Foi edificado pela crítica internacional e premiado também por causa da ousadia musical, tão natural a Elza Soares desde sempre. Sexo, morte, sobrevivência de um travesti, violência, tiroteio, favela, as quebradas e a poesia, tudo isso transita entre o samba, o rock, o rap, o punk, o eletrônico, ruídos, distorções e dissonâncias.

O disco é fruto da parceria com o produtor e baterista Guilherme Kastrup e os músicos Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Felipe Roseno, além dos diretores de arte Celso Sim e Rômulo Fróes, entre outros. Elza conta que eles trabalharam juntos — eles com as composições, ela com a voz.

— Nunca tive medo de misturar, ao contrário, sempre quis buscar o novo.

Ao final da entrevista, lembrou do show que apresentou em Santa Catarina no festival Psicodália, no carnaval de 2016 (¿foi incrível!¿). Falou do sucesso da apresentação recente no Central Park, em Nova York, e prometeu que o espetáculo na Capital será um tiro de energia.

Depois de tantas perdas e tantas batalhas, oito pinos nas costas não seriam mesmo suficientes para imobilizá-la. Ainda que o corpo esteja limitado em alguns movimentos (Elza tem se apresentado sentada), a alma, que transcende a pele, é livre, fogosa e talentosa. Por isso toquem a música alto, bem alto... Faça meu corpo dançar...

AGENDE-SE

O quê: show A Mulher do Fim do Mundo, com Elza Soares
Quando: domingo, às 20h
Onde: Centro de Cultura e Eventos da UFSC (Campus Trindade, Florianópolis)
Quanto: a partir de R$ 160 / R$ 80 (meia) - Mezanino K-O, 1º lote. À venda via Blueticket. Sócios do Clube do Assinante têm 20% de desconto na compra do ingresso antecipado
Informações: (48) 3721-3850

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