Novo filme brasileiro, Duas De Mim, aposta em fórmula conhecida do grande público - Diversão & Estilo - O Sol Diário

Coluna de Cinema28/09/2017 | 14h00Atualizada em 28/09/2017 | 14h00

Novo filme brasileiro, Duas De Mim, aposta em fórmula conhecida do grande público

Longa estreia nesta quinta-feira. Confira também a entrevista com a diretora Cininha de Paula

Andrey Lehnemann
Andrey Lehnemann

clickfilmes@yahoo.com.br

 

Filme brasileiro Duas de mim, da diretora Cidinha de Paula
O filme tem como protagonista a atriz Talita Carauta.Foto: Filme Duas de mim / Globo Filmes

Minha Mãe é Uma Peça, Até que a Sorte nos Separe, É Fada! – mais do que o logotipo da Globo Filmes, esses filmes carregam algo em comum: uma média de 2 milhões de espectadores no Brasil. Duas De Mim tenta embarcar neste mesmo universo cinematográfico, onde uma protagonista fica responsável pela graça do projeto e a trama simples transita pela comédia e pelo drama.

O primeiro filme de Cininha de Paula, que estreia neste dia 28, é um prato cheio para o público de filmes como Se Eu Fosse Você, Loucas pra Casar, Meu Passado Me Condena e De Pernas pro Ar. Usando uma referência atual para desenrolar uma das principais subtramas do filme, o Gran Gourmet (uma simbiose de MasterChef), o longa-metragem conta a história de Suryellen, que, como toda brasileira, precisa manter sua família financeiramente, enquanto suas dezenas de tarefas acabam fechando várias portas para ela. Mãe solteira, ela vive no subúrbio carioca com a mãe aposentada, o filho e sua irmã. Certo dia, ela conhece uma boleira que lhe concede a chance de realizar seu desejo: ter duas versões de si mesma para realizar suas tarefas.

Com participações de Latino, Letícia Lima, Márcio Garcia e Flávia Quaresma, Cininha de Paula jamais esquece suas raízes da telenovela e do teatro para guiar sua trama. Os exageros contidos em certas cenas, como a personagem de Thalita Carauta lutando contra sua outra cópia num banheiro, aponta exatamente para essa perspectiva. Não é intenção se aprofundar em questões como roubo de identidade ou crise existencial, mas apenas oferecer uma receita de um prato conhecido do brasileiro (com o perdão do trocadilho).

Assim, brincando com a própria natureza surreal de sua história, o melhor momento do filme é aquele em que uma das cópias grita para outra: "o nome do bolo era bolo dos desejos, você esperava o que?". Consciente de um filme que traz Latino representando um cover de Latino, Cininha busca dar ao espectador o que ele simplesmente espera de um filme dessa natureza. A receita é seguida à risca. 

Confira a entrevista com a diretora:

Cininha, essa é sua primeira experiência no cinema como diretora, mas já tem vários trabalhos conhecidos no teatro e telenovelas. Como separar essas versões? Existe uma diferença brutal ou você aproveita seu passado nesses trabalhos?

É muito difícil não abandonar. Tudo envolve experiência e aprendizado. E você soma tudo isso na hora de um novo projeto. O teatro tem seu caminho, a novela tem seu caminho, o cinema tem seu caminho. Mas todos têm algo em comum: contar histórias. E isto não precisa de mídia específica. Muda é a forma de contar, o conhecimento dramatúrgico permanece.

Esse universo Globo Filmes já tem uma fórmula bastante conhecida do público e que faz sucesso. Como acrescentar coisas novas? Você sente que conseguiu dar algo novo em Duas De Mim?

Vou dizer que não acho que existe uma fórmula Globo Filmes. Existe uma credibilidade que foi criada ano após ano. E também não acredito no gênero comédia. É como (Charles) Chaplin dizia – o humor pode tudo, inclusive ser engraçado. O que acho que me chamou atenção ao projeto é o respeito feminino, o empoderamento. Ele é um filme que mostra que a mulher é provedora, ela está sempre entre o serviço e a casa. E ela precisa de sua saúde mental. É aí que sua cópia entra.

Você disse em entrevista que o que chamava a atenção de você sobre a personagem de Suryellen é o quanto ela é comum. Uma mulher independente. E há algo dúbio nisto, pois ela é uma mulher que possui uma autonomia, que escolhe como proceder nos seus relacionamentos, mas que tenta agradar os outros, ao mesmo tempo. Essa outra versão serve para mostrar que é necessário se desprender disso? Ser mais livre? Você pensou nisto?

Na verdade, eu acredito que toda mulher tem um pouco de culpa. De não estar tão presente quanto poderia. Racionalizar a família e o trabalho. E a família de Suryellen é fagocitária, ela não soma para ela, só subtrai. Uma irmã encostada, um dependente de drogas, o filho adolescente. Não diria que é uma família comum brasileira apenas, como também diria que é universal. E a Suryellen tem aquele desejo comum em todos nós: o de dar certo. A cópia dela é aquela que não cresceu, despreocupada, que acha que nada é perigoso. É uma versão praticamente adolescente daquela primeira Suryellen, a que está sempre aflita com questões do trabalho e da casa. Quando somos jovens, a gente acredita que a vida é um trampolim, né? E tem sempre alguém lá embaixo para te segurar. E é isso que a cópia representava. Ela é a parte dançante, que a gente sempre tem, a Suryellen é a pensante.

Sobre trabalhos futuros, nós podemos esperar algo em breve?

Tu diz no cinema? Quem não quer continuar fazendo filmes, né? (risos). Vai agora de surgirem novas oportunidades, novos projetos. Ou eu inventar algo novo. O importante é ter aquilo que mova e alguém que banque a nossa loucura. Acho que esse filme de agora, Duas de Mim, foi o filme certo na hora certa.

Assista ao trailer:

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